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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A DOENÇA DA ESTUPIDEZ
PARECE NÃO TER CURA

Silvio Prado, professor

Em 2012, faltando poucos dias para a votação em que Ortiz Junior se elegeria prefeito de Taubaté, encontrei com dois pastores evangélicos bastante populares na cidade. Na esquina da Marcondes de Matos com a Carneiro de Souza, conversamos por uns quinze minutos. A dupla, declaradamente, apoiava o filhote de Bernardo. Um deles pastoreava, ou seja, tinha o controle de pelo menos oito igrejas evangélicas. O outro, nem tanto, mas tinha lá sua influencia no meio neopentecostal.

Durante a conversa, de repente o mais velho deles fechou os olhos, apertou o peito com a mão direita e disse, solenemente, que Deus tinha já preparado um futuro maravilhoso para Taubaté. Para esse fundamentalista evangélico o termo “futuro maravilhoso” significava o mesmo que Ortiz Junior. Enfim, Junior era o futuro. E o futuro de Taubaté, conforme alguém das alturas lhe disse, seria brilhante e maravilhoso.

O pastor evangélico não queria nem saber das muitas denúncias de corrupção envolvendo o nome do então candidato. Ele estava pouco se lixando para a edição histórica da revista Isto É, que escancarara tramas e mutretas que tornaram os cofres da FDE o principal financiador da riquíssima campanha do candidato tucano. Naquela esquina chinfrim da cidade Deus tinha lhe falado, mais uma vez, que ele fizera a escolha certa, mesmo que seu amigo pastor, além de votar também em Junior tenha cometido a heresia de negociar os votos de suas igrejas com uma candidata a vereadora pelo PT. Como se vê, o pastor mais novo, igualmente repleto de fé, mesmo assim se preveniu e pragmaticamente apostou suas fichas no outro lado da disputa.

Menos de um ano depois, encontrei o pastor que, na minha presença, tinha ouvido de Deus, numa esquina do centro da cidade a profecia de que Taubaté sob o comando de Ortiz Junior encontraria de vez o melhor que o futuro poderia oferecer. Nesse encontro, agora na Rodoviária Nova, o pastor se mostrava desiludido. Em resumo: tinha levado um belo pontapé no traseiro exatamente do prefeito que os céus lhe garantiram ser homem honesto e digno cumpridor de promessas. Pelo que falou, fazia já seis meses que as portas da prefeitura estavam fechadas para ele. Os belos projetos, tão receptivos pelo candidato no correr da campanha, se tornaram enviáveis. Durante a conversa, eu queria, mas achei melhor não perguntar: mas Deus, naquele dia, ali no centro da cidade, não tinha lhe falado que tudo seria diferente?

Ontem, fui abordado por outro evangélico, feliz da vida porque, segundo ele, agora ele tem em quem votar para presidente: Marina Silva. “Foi Deus quem colocou Marina nessa jogada”, disse, mesmo que para essa “intervenção divina” fosse preciso ocorrer uma tragédia como a que vitimou Eduardo Campos e mais sete pessoas, além de ferir outras que nada tinham com o candidato. Ele não quer nem saber do tamanho da dor ou do imenso pesar que tomou tanta gente. O evangélico apenas vê a mão de Deus sobre Marina, da mesma maneira que multidões de evangélicos e outros fundamentalistas cristãos enxergam o estado de Israel como criação divina e, a resistência palestina, como algo que se contrapõe à vontade e aos projetos de Deus para o Oriente Médio.

Com o sorriso engolindo as orelhas, ele foi falando coisas, descendo a lenha no PT. “Eu não posso votar na Dilma, uma mulher que construiu um porto em Cuba”, disse com dureza. Perguntei de onde ele tirou aquela informação. Ele não soube dizer. A pressa fez com que a conversa tivesse uma rápida duração e nenhum aprofundamento. Seguindo meu caminho, de repente me lembrei da conversa de 2012, dias antes da eleição municipal, com os dois pastores e não duvidei que, se a conversa de ontem continuasse, por certo eu poderia ver uma espécie de repetição da cena que narrei no começo do texto, agora encenada por outro personagem: o feliz evangélico fechando os olhos, apertando a mão direita contra o peito e, solenemente, dizendo:”o Senhor preparou Marina para salvar o Brasil do comunismo petista”.

Em outra circunstância, eu teria dado uma boa gargalhada. Não consegui, pois, de imediato, também me lembrei de outra conversa absurda, aquela que, na semana passada, tive com duas professoras aposentadas e sócias da APEOESP. Frequentadoras de grupos de oração em diferentes igrejas de Taubaté, uma delas disse que recebeu de um padre orientações para de jeito algum votar no PT. “O PT é comunista, a Dilma é guerrilheira, terrorista, aprovou o aborto e defende o casamento gay”, concluiu cheia de convicção.

Muita gente acha que eu, não seguindo religião alguma, não creio em Deus. Claro, creio! Para mim, Deus é capaz de coisas impossíveis, inimagináveis, indizíveis. Porém, diante de certos fatos, a dúvida surge e gera situações perturbadoras. Como todo bom ser humano enrodilhado em contradições, eu, apesar da fé, muitas vezes acabo questionando até o poder divino e saio fazendo perguntas quase sempre sem nenhuma inteligência como, por exemplo: será que Ele, Deus, tem poder para curar a burrice e a estupidez que tomam a cabeça de tanta gente?

(Dado que considero importante colocar aqui: não sou petista, mas filiado ao Psol e eleitor de seus candidatos. Porém, sou obrigado a reconhecer: o ataque burro que se faz contra a esquerda do Brasil, se hoje atinge direta e primeiramente o PT , amanhã, ainda com mais força, vai alcançar os partidos e grupos políticos que atuam mais à esquerda, por sinal mais fracos e menos organizados que o PT. Portanto...)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A COSTELA DO PT

Celso Brum, sociólogo

(Publicado originalmente pelo Diário de Taubaté)

Epígrafe: “ Então o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono, e enquanto ele dormia, tomou-lhe uma costela. E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez a mulher” (Gênesis 2, 21)

A candidatura de Marina Silva – diante da morte de Eduardo Campos- era natural. Tornou-se inevitável com a divulgação da pesquisa do Datafolha, que lhe concede real perspectiva de poder.

Mas as coisas não são tão simples. Na quarta-feira, no anúncio formal de sua candidatura, no gesto tradicional, mãos dadas e erguidas, não havia o sorriso aberto dos participantes: todos estavam sérios, Roberto Amaral, presidente do PSB tinha uma expressão constrangida e Marina Silva mal conseguiu um esgar. Sabe-se que Marina, do alto dos seus 21% da pesquisa, impôs condições e exigências, não deixou barato. As condições que vieram a público: ela indicou o coordenador e o tesoureiro da campanha; não aceitará doações de empresas que fabricam cigarros, bebidas; etc,  no que, aliás, está certa; não participará da eleição de filiados do PSB que estejam apoiando candidatos do PSDB e do PT, o que indica que ela vai para o confronto direto com essas forças. Isso é o que se sabe, deve haver muito mais que o PSB teve que engolir e engolir a seco.

É preciso enxergar os sinais. Num primeiro momento, no auge da comoção, logo após a notícia da morte de Eduardo Campos, seu irmão e sua esposa falaram que Marina Silva deveria ser a candidata a presidente. Dias depois, numa carta aberta de Renata Campos, esposa de Eduardo, ela se colocava à disposição do PSB, em Pernambuco, e não citava Marina Silva. Há quem interprete que ela talvez quisesse dizer, ao PSB, que poderia ser a candidata no lugar de Eduardo Campos. Mas aí já era tarde, pois a pesquisa Datafolha havia sido divulgada.

O PSB sabe que Marina apenas usa o partido, sabe que ela não comunga com o partido e que ela, com a legalização da Rede da Sustentabilidade, sairá do partido. E, sabe o que todo mundo sabe: Marina não compartilha da vida partidária existente. Seu partido nem se chama partido, é Rede. E, para muita gente, essa concepção fundamentalista e radical de Marina é que é o ideal, aconteça o que acontecer.

Mas, como disse linhas acima, é preciso enxergar os sinais. A “grande imprensa” deu destaque (e quase me surpreendeu) que o Datafolha, em sua pesquisa, anotou o aumento de seis pontos na aprovação do governo e a diminuição de um ponto na rejeição de Dilma Rousseff. A “grande imprensa” destacou também que foram criados 1.490.000 novos empregos em 2013, com carteira assinada. É possível interpretar que a sintomática turma da direita, que não tem o hábito de queimar dinheiro, tenha autorizado seus costumeiros  corifeus da “grande imprensa” a “amaciar” com a Dilma e o governo: pode ser que seja o “efeito Marina”.

Na parte da tarde, vi o programa eleitoral e fiquei impressionado com o rol de obras do governo Dilma. Eu sabia que a “grande imprensa” não noticiava o que acontecia de bom no Brasil, por conta das obras do governo. O que eu não sabia era o extraordinário volume de obras do governo Dilma, que a “grande imprensa” deixou de divulgar, porque não queria “favorecer” o governo. Que tipo de jornalismo é esse que decide não noticiar fatos tão relevantes para a vida do país?

O PSB tem apenas um minuto e meio de programa, o que, por paradoxal que pareça, acaba sendo uma vantagem para Marina Silva. Ela poderá continuar falando generalidades e platitudes e argumentando que não pode aprofundar-se pela falta de tempo. É certo, portanto, que o tempo exíguo não a prejudicará e ela continuará tendo a perspectiva de poder.

Sinceramente, eu continuo acreditando que Dilma Rousseff vai ganhar, embora num provável 2º turno, seja contra Aécio ou contra Marina. Mas, é preciso reconhecer que Marina tem, hoje, uma perspectiva de poder.

No caso de alcançar o poder, ela iria governar com quem? Ela iria governar com o PSDB ou com o PT, ou seja, com as forças da direita ou da esquerda?  Ou iria para o confronto com o Congresso, coisa que foi tentada por Jânio Quadros e Fernando Collor, com as consequências sabidas?

Até anteontem , a “grande imprensa” anabolizava a candidatura de Eduardo Campos/Marina Silva, porque acreditava que essa candidatura apenas traria votos para levar o Aécioporto para o 2º turno. Como vai reagir a “grande imprensa” diante da perspectiva de poder de Marina Silva?

Por outro lado, como deveria reagir o PT, diante dessa perspectiva: permitir que Marina fosse cooptada pela direita ou que Marina caminhasse para o confronto com o Congresso, ou seja, para o caos institucional, para a crise e, consequentemente, para ensejar o golpe, como reza a teoria da conspiração.

Afinal de contas, as grandes conquistas para o Brasil, conseguidas pelo PT, nesses últimos 12 anos, não podem e não devem correr riscos, os riscos a que estariam sujeitas essas grandes conquistas, caso a direita, de uma forma ou de outra, alcançasse o poder.

Assim, não restaria ao PT outra atitude senão a de proteger Marina, superando-se possíveis e justas mágoas. Marina é criatura da Igreja Católica e do PT. Deixou o catolicismo e tornou-se evangélica. Deixou o PT e tornou-se fundamentalista política, seja lá o que isto signifique. Mas ela é, sobretudo, costela do PT. Não ignorando os seus méritos, sem o PT ela não seria o que é. E caberá ao PT, se for o caso, protegê-la, para o bem do Brasil.

Mas como diria o inefável Fernando Carlos Lacerda Cardoso, esqueçam o que eu escrevi acima, sobre a possibilidade de uma vitória de Marina Silva – tremenda esfinge- que não vai acontecer. Dilma Rousseff, em quem vou votar, ganhará a eleição. E o Brasil vai continuar a crescer. Quem viver, verá!.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

ALCKMIN DISSE QUE VAI APURAR

Professor Silvio Prado

(Descobri o texto abaixo perdido num canto da memória do computador. Escrito no ano passado, resolvi publicá-lo agora. É mais um relato indignado sobre a corrupção no Metrô de São Paulo, encontrado exatamente na semana em que Robson Marinho, tucano que presidia o Tribunal de Contas do Estado, recebeu da justiça um merecido ponta pé no traseiro por envolvimento em mutretas e propinas que empresas como a Alston e Siemens fizeram e pagaram para vencer licitações tucanas no sistema de trilhos paulista. Devido ao acobertamento pela grande imprensa, e também pela morosidade da justiça, o tema permanece atual.)

Alckmin está fazendo malabarismos buscando convencer a opinião pública de que o escândalo da Siemens é mais uma mutreta petista produzida contra ele. No seu malabarismo não faltaram poses de extrema seriedade e a frase habitual: tudo será rigorosamente investigado.

Quem acompanha a vida política do governador já perdeu a conta de quantas vezes frase semelhante foi pronunciada, mas não se lembra de nenhum resultado das investigações prometidas.

Alckmin sabe muito do poder explosivo do escândalo da Siemens e o quanto de revelações comprometedoras poderão surgir nas investigações do Ministério Público ou mesmo de uma CPI.

Dizer que ignora essa teia de relações promíscuas debaixo de seu proeminente nariz é chamar a população de boba ou se mostrar administrativamente incompetente. Como pode um lesivo cartel de multinacionais funcionar a todo vapor durante quase vinte anos e não ser percebido por gestor que se diz tão competente, integro, preocupadíssimo e zeloso com os bens do Estado? Não é com essa imagem que Alckmin se apresenta?

Como pode carretas de dinheiro saindo durante anos do cofre público e nada ser notado?

Mesmo que a grande imprensa não tenha se empenhado em aprofundar denúncias feitas desde 2008, inúmeras vezes gente tucana foi flagrada numa relação de envolvimento suspeito com empresas participantes de licitações e obras do Metrô, como provam documentos do MP.

É o caso de Robson Marinho, político valeparaibano (ex-deputado federal tucano, ex-chefe da Casa Civil do governo Covas, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado) que, segundo a imprensa, na relação com o cartel multinacional já ocupou a função de distribuir entre os contemplados a grana que facilitou a vitória das multis em licitações do Metrô.

Mesmo que alguns setores da grande mídia já não consigam esconder o escândalo, o tratamento dado ao assunto continua ameno e pouco contundente. Se entre os envolvidos estivesse alguém do PT ou de qualquer “sigla vermelha”, todos os participantes do esquema seriam quadrilheiros, bandidos, e o Jornal Nacional seria aberto com revelações surpreendentes ou impossíveis de ser provadas. A decadente Veja produziria capas impossíveis. A Folha combinaria com o Estadão uma manchete única para os dois jornais, e a Joven Pan, com a voz de cemitério de seus locutores, completaria o linchamento.

Enfim, como somos cidadãos de boa fé e acreditamos em gnomo, Papai Noel, Saci Pererê e até na Rede Globo, vamos aguardar (devidamente sentados) as apurações rigorosas prometidas por Geraldo Alckmin.

ABDELMASSIH "MORARÁ" EM TREMEMBÉ

O médico-estuprador Roger Abdelmassih, capturado nesta terça-feira (19/08) pela Polícia Federal no Paraguai, já está no Brasil e deverá ser transferido para a P-2 da vizinha Tremembé.

Extraído do portal 247

Policiais conduzem Abdelmassih, que será transferido para Tremembé
247, com Agência Brasil - Sob custódia da Polícia Federal, o médico Roger Abdelmassih, deve chegar ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul da cidade de São Paulo, entre as 13h e as 14h, vindo de Foz do Iguaçu, no Paraná. Assim que desembarcar, ele deverá ser entregue à Polícia Civil de São Paulo e encaminhado à Penitenciária 2 do Tremembé, no Vale do Paraíba.

O especialista em reprodução humana, Abdelmassih foi preso ontem (19), em Assunção, no Paraguai, por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas paraguaia e da PF brasileira. Ele foi condenado, em 2010, a cumprir 278 anos de prisão por 56 estupros, crimes cometidos contra as próprias pacientes, entre 1995 e 2008. O médico teve o registro profissional cassado em agosto de 2009.

No entanto, o médico continuou em liberdade, na época, por ter obtido habeas corpus concedido pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. O benefício foi cassado pelo próprio STF, em fevereiro de 2011. Desde então, Abdelmassih estava foragido. O nome dele constava na lista dos mais procurados pela polícia internacional (Interpol).

O paradeiro de Abdelmassih foi descoberto, após investigações feitas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaedo) - Núcleo Bauru, do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

Em nota, os advogados de Abdelmassih, Márcio Thomaz Bastos e José Luis Oliveira Lima, informaram que aguardam "o julgamento da apelação interposta perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo contra a decisão que o condenou, portanto, a decisão não transitou em julgado, bem como do habeas corpus em trâmite perante o Supremo Tribunal Federal". Os criminalistas não quiseram comentar a prisão.

Segundo o MP-SP, as pistas surgiram durante a apuração de novos crimes praticados pelo ex-médico e por terceiros, tais como favorecimento pessoal, falsidade ideológica e falsidade material, em cidades do interior paulista, entre elas, a de Avaré. Durante buscas em uma propriedade rural, foram encontrados indícios de que ele estaria no país vizinho. As informações foram então compartilhadas com a PF.

PREFEITURA, UNIMED E SINDICATO
ATROPELAM SERVIDOR EM TAUBATÉ

Não se trata de atropelamento no caótico trânsito desta urbe quase quatrocentona. Refiro-me à triangulação Prefeitura-Unimed-Sindicato, unidos para tirar a responsabilidade de um e oferecer lucro fácil a outro.

Vendido” como um bálsamo capaz de resolver todos os problemas relativos à saúde dos servidores municipais e de seus dependentes, o convênio assinado pelo prefeito Ortiz Junior com a Unimed esconde uma maldade com os trabalhadores: agora o funcionário paga por um atendimento que tinha de graça com a Fust (Fundação Universitária de Saúde de Taubaté).

Matéria publicada pelo jornal O Vale em abril do ano passado (leia aqui) mostrava os “benefícios” que seriam obtidos pelos trabalhadores com a nova modalidade de assistência médica.

Um ano e meio depois, o servidor público municipal começa a perceber que, além da Unimed, o grande beneficiado com a alteração foi o Sindicato dos Servidores, que não defende os servidores.

A medida fazia parte do desmanche que Ortiz Junior pretendia com a terceirização da saúde de Taubaté, que seria administrada por OS (Organizações Sociais). Foi impedido pela Câmara Municipal, como pode ser comprovado aqui.

O convênio entre a Prefeitura e a Fust foi cancelado porque a entidade deixou de ser a administradora do HU (Hospital Universitário).

Os R$ 600 mil mensais que a Prefeitura desembolsava para pagar a Fust, sem intermediário, em março de 2013, passou a R$ 700.700,00 mensais.

Eis o pulo do gato: a Prefeitura repassa o valor para o Sindicato dos Servidores, que paga a Unimed a título de subsídio.

Mas isto não é tudo!

Para usufruir dos benefícios “proporcionados” pela Unimed, o servidor necessariamente há que se filiar ao Sindicato.

Se o servidor pagava R$ 20 de mensalidade sindical, agora paga R$ 25, reajuste de 25%, acima da inflação que tem girado em torno de 5 a 6% ao ano.

DESFAÇATEZ SINDICAL

Os servidores municipais foram surpreendidos esta semana com o anúncio do reajuste na tabela de taxas cobradas pela Unimed.

Um cartaz, com as letras verdes da Unimed, sem o logotipo da empresa ou do Sindicato, comunica aos servidores que os novos valores a serem cobrados já estão em vigor e serão descontados no pagamento deste mês.

A desfaçatez é tanta que Sindicato e Unimed escondem dos servidores a real intenção do acordo feito sem o conhecimento dos servidores, sem a realização de assembleia, num total desrespeito ao trabalhador.

Sob o título “Plano de Saúde da Unimed Permanece Ativo”, o cartaz sem logotipo permite dizer que trata-se de documento apócrifo.

O texto é um primor de desfaçatez:

“Informamos (quem informa? – grifo meu) que o Plano de Saúde da Unimed permanece ativo, sem nenhum tipo de alteração no atendimento para os servidores municipais.

Informamos (quem informa? – grifo meu), ainda, que a Unimed, a partir do mês de agosto de 2014, reajustou o plano de saúde que atende os servidores. Esse reajuste corresponde a um acréscimo de R$ 33,20 na mensalidade do plano de enfermaria”

Façam as contas:

Quando o convênio com a Unimed foi assinado, há um ano e meio, a Prefeitura anunciou com pompa que servidores com salário até R$ 1.499,00 nada pagariam pelo convênio.

A partir de agora pagarão R$ 33,20, ou seja, mais de 3.000% de reajuste.

O reajuste linear de R$ 33,20, para todas as faixas salariais, significa reajustes acima dos 9,65% autorizados pela ANS (Agência Nacional de Saúde), que já está acima da inflação.

Por exemplo; quem ganhava entre R$ 1.500,00 e R$ 2.999,00 pagava R$ 49,80 pelo convênio com a Unimed. Passará a pagar R$ 83,00. Reajuste de 66,6%, muito acima da inflação.

Para a faixa salarial de R$ 3.000,00 a R$ 4.999,00, o desconto, que era de R$ 83,00, passa a ser de R$ 116,20. Reajuste de 40%.

Na última faixa salarial, para os que ganham acima de R$ 5.000,00, o desconto passa de R$ 166,00 para R$ 199.20. Reajuste de 20%.

Mais de 70% dos servidores municipais estão na faixa salarial mais baixa (os que ganham até R$ 2.999,00) e caberá a eles pagar a conta pelo desmanche da saúde pública municipal, se quiserem um atendimento teoricamente melhor.

O que faz o Sindicato dos Servidores? Nada!

Por que nada faz? Incompetência? Por que comunicar as novas tarifas com um cartaz apócrifo? Medo de quê? Medo de quem?

REAJUSTE SALARIAL

O Sindicato dos Servidores não mobilizou a categoria quando o prefeito Ortiz Junior sonegou o reajuste salarial aos funcionários em 2013.

O mesmo sindicato ficou praticamente calado diante do reajuste de 10% oferecido aos servidores em fevereiro deste ano, que não repôs as perdas salariais acumuladas de anos anteriores.

Imagine um servidor com salário de R$ 2.999,00 mensais e três dependentes. Para manter o convênio com a Unimed ele terá que desembolsar R$ 25,00 de mensalidade sindical mais R$ 83,00 para cada dependente.

O total chega à exorbitância de R$ 357,00, ou seja, 11,9% de seu salário bruto.

Que tal o Sindicato dos Servidores passar a defender os servidores?