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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

SHAKESPEARE TINHA RAZÃO

Celso Brum, sociólogo

(Publicado originalmente no Diário de Taubaté)

Observando a votação obtida pela candidata da esquerda possível (Dilma Rousseff) e a votação dada ao candidato da direita (Aécio Neves) pude constatar o óbvio: que os meus caros, raros, fiéis e inteligentes leitores são, sobretudo, raros. Mas não fico aborrecido, porque sei que os vanguardistas da civilização são mesmo raros. Aos raros posso dizer: “Não desanimem. Os raros estão em boa companhia. Pois as grandes conquistas da civilização foram alcançadas justamente pelos raros”.

É bem verdade que frequentemente os raros são perseguidos (Galileu Galilei), queimados vivos (Giordano Bruno) ou decapitados (Thomas Morus). Mas quem disse que ser raro é confortável? Quem quer conforto, seja um direitista.

As palavras acima não são de um comunista que não fui, não sou e não serei. Considero o comunismo (e o socialismo) uma utopia, tendo-se em vista a natureza humana, tão egoístas somos. Mas, é interessante ler os Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos 44 e 45, para saber como viviam os primeiros cristãos: “Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um”. Portanto, não foi sem motivo que Jesus foi crucificado e os cristãos jogados para os leões. E, 2.000 anos depois, é interessante ver como pensam, como agem e como sentem os cristãos de hoje. A julgar pelas manifestações de muitos cristãos nestas últimas eleições parece que ainda não deu tempo de serem assimilados os belos princípios do Cristianismo.

Mas feita a necessária introdução, voltemos ao assunto do momento, qual seja o resultado das eleições gerais do Brasil.

Antes, porém, faz-se necessário justificar esta rápida incursão em temas religiosos, linhas acima. É que o direitismo brasileiro assumiu proporções nunca vistas e estão sendo praticadas atitudes de feroz preconceito contra os pobres e contra nossos irmãos nordestinos e nortistas. Algo nojento, que bem retrata o atual estágio do que, conceitualmente, foi, um dia, chamado de cordialidade do povo brasileiro.

Agora, sem mais delongas, as eleições.

Dilma foi a vencedora. Era o esperado. A margem estreita da vitória se explica pelo golpe de última hora, perpetrado pela revista Veja e repercutido pela poderosa emissora de TV, em seu principal telejornal, na véspera das eleições. Dilma perdeu de 3 a 5 pontos por causa disso. Além disso, pode-se ter a certeza que tanto Henrique Alves, como Delcídio Amaral, candidatos ao governo de seus estados, também foram derrotados pelos estratégicos e selecionados vazamentos de uma investigação sob segredo de justiça. E aqui cabe uma pergunta: Por que segredo de justiça? Simplesmente porque, quando instaurado o processo, as pessoas acusadas poderão se defender. E então, as provas, se houverem, terão sido apresentadas. As acusações vazadas ferem o direito das pessoas acusadas, como aconteceu com a ex-ministra Erenice Guerra, em 2010 (também estrategicamente às vésperas das eleições). Lembrando-se que as acusações contra Erenice Guerra eram falsas, como se verificou posteriormente.

As eleições de 2014 dividiram o Brasil? - Não e as alegações dos inefáveis analistas da grande imprensa, como sempre estão erradas. A divisão do Brasil, que existe, antecede as eleições de 2014. A divisão é: a direita contra o povo. E esta divisão é estimulada pela “grande imprensa”, desde 2003, na sua sanha antipetista, movida por ódio dissimulado e preconceitos explícitos.

Não é de agora o ódio de apartheid da direita contra o PT, contra os pobres e contra nossos irmãos do norte-nordeste. É que os pró-fascistas não admitem que o povão seja senhor do seu destino e de sua história. Em tempo: no passado, a divisão era entre casa grande e senzala e era mantida pelo chicote. Os pró- fascistas de hoje sentem saudade desse tempo gentil.

O 2º mandato de Dilma será mais fácil ou mais difícil? Como sempre, será difícil. Não vai ter moleza: Parece que o novo Congresso está mais endireitado. Com a “grande imprensa”, mais os direitistas alucinados, mais os pró-nazistas, mais os pró-fascistas, sob o olhar cândido dos direitosos, a tentativa de 3º turno (golpes e golpetes de toda ordem) será permanentemente buscada.
E que ninguém tenha ilusões: direitistas não estão preocupados com o Brasil e menos ainda com os brasileiros. Eles querem o poder, a qualquer preço. Poder que  eles consideram direito divino. Para eles, o povo no poder é um desaforo inaceitável.

Assim, o exercício do governo, no 2º mandato será difícil para a ex-guerrilheira (presa e torturada pela ditadura) Dilma Rousseff. Será um permanente desafio. Ela precisará, mais do que nunca, cumprir rigorosamente a Lei Máxima da Política: artigo 1º- É proibido errar; artigo 2º- Revogam-se as disposições em contrário.

Para começar, Dilma tem de escolher um Ministro da Fazenda que seja aceito e acalme o chamado Mercado. O chamado  Mercado é asqueroso, mas como o PT , sabiamente, opera no capitalismo, lidar bem com o Mercado é essencial.

Mais: toda a sua equipe de ministros e assessores deve ser, no mínimo, eficiente. Porque as dificuldades (a crise mundial que recrudesceu nesses últimos 3 anos e as armadilhas que serão postas pela direita) não deixarão margem para erros e titubeios.

Porém, o governo do PT enfrentou dificuldades, desde sempre. Agora, “daqui pra frente, nada será diferente. E com todas as dificuldades, o governo do PT foi capaz de extraordinárias conquistas para o Brasil e para o povo brasileiro. Eu creio que o próximo governo será ainda melhor.

Os grandes derrotados nas eleições de 2014 (na ordem de nociva importância):

“Grande Imprensa” ou “Cartel da grande imprensa”- Mais uma vez, a “grande imprensa” (assim, com merecidas aspas) foi derrotada pelo povo brasileiro, representado pelo PT. Eu bem sei que alguns fariseus irão dizer que pouco menos da metade dos votos foi para o candidato da direita. Mas se não fosse a contínua desconstrução (acusações sem provas e essa canalhice de suposições) perpetrada pela “grande imprensa”, além do boicote das notícias sobre as grandes obras do governo, a votação de Dilma Rousseff  seria muito maior.

De qualquer forma, a vitória de Dilma Rousseff é incontestável.

Quanto às acusações sobre corrupção em instâncias governamentais – e que a imprensa tem obrigação de divulgar, com ética e respeito por direitos individuais –civilizadamente nós conheceremos as responsabilidades depois do julgamento. E a grande imprensa não tem o direito de “julgar”, “condenar” e produzir um abominável linchamento moral, antes da soberana manifestação da Justiça.

Enfim, ofereço à “grande imprensa”, os versos do samba “Vou festejar”, de Beth Carvalho: “Chora,/  não vou ligar/Não vou ligar/ Chegou a hora/ Vais me pagar/ Pode chorar/ Pode chorar/Mas chora/(...)Vou festejar/ Vou festejar/ o teu sofrer/O teu penar”.

Direita alucinada- Pró-nazistas, pró-fascistas, direitistas reacionários facinorosos, direitosos enrustidos e envergonhados e instituições que lhes dão abrigo, são o maior perigo e o maior entrave ao projeto de um grande Brasil, de um Brasil socialmente justo e desenvolvido. É uma gente perigosa e que se coloca além da ética e da lei. Foram vencidos mas continuarão articulando o golpe. Eles contam com a complacência da “grande imprensa”, porque formam na frente ampla anti-PT.

Fernando Henrique Cardoso- O chamado príncipe dos sociólogos (não para mim, que o considero sem expressão, como sociólogo) e que foi presidente da República, desde que deixou a presidência, não parou mais de falar contra o governo do PT. Tornou-se o porta-voz da reação. Muitas vezes, refiro-me a ele, chamando-o de Fernando Carlos Lacerda Cardoso. Mas, pensando bem, Fernando Henrique é muito mais entreguista e reacionário que o falecido Carlos Lacerda, que jamais (eu disse jamais e repito jamais) privatizaria a Vale do Rio Doce, ainda mais na “bacia das almas”, como fez o nosso príncipe Fernando, nosso “beau Brummell” tupiniquim. A ele também ofereço a letra do “Vou festejar”.

Madre Marina de Calcutá - .Nossas eleições, ela deixou bem manifesto que aquela imagem de santa, que sempre cultivou, não tinha substância, nem razão de ser. Nem madre muito menos de Calcutá. Ela demonstrou ser apenas uma política comum, que faz acordos e que comunga com a direita, como fez, declarando enfaticamente seu apoio ao candidato da direita, Aécio Neves. Nessas eleições ela perdeu definitivamente o apreço da esquerda e não ganhou o apreço da direita. Que fique muito claro, a direita não aceita Marina Silva, pelo que ela é e pelo que representa. Ela pode até ser usada, porque contra o PT vale tudo. Mas, aceita pela direita nunca, nunca, nunca e nunca. Pode-se dizer que Marina Silva, politicamente, está marginalizada. O que não significa que não poderá insistir, em 2018, em sua aventura presidencial, mesmo na sua condição de pária da política. E, com certeza, jamais alcançará a presidência.

Aécio Neves -  Deixei o Aécio por ultimo, pela sua desimportância. Os votos recebidos por ele são os votos da direita, dos direitosos e dos inocentes úteis (não os “desinformados”, segundo o príncipe Fernando Henrique, mas, os deformados pela “grande imprensa”). Alem dos votos da direita, Aécio teve os votos da última hora, decorrentes da reportagem irresponsável da revista Veja, repercutida, na véspera das eleições, pela poderosa emissora de TV. Não fora esse golpete de última hora, a diferença, entre Dilma e Aécio, seria de, no mínimo, 8 pontos.

Aécio Neves não representa nada, não é e nunca será opção para um Brasil diferente. Ele é oco, vazio, chocho e isso é o mínimo que pode se dizer dele. Votar em Aécio Neves foi uma temeridade. Ele e o seu partido, o PSDB, levariam o Brasil a um retrocesso institucional, com a inestimável perda das extraordinárias conquistas e do extraordinário avanço desses últimos 12 anos. O Aécio nem merece que eu ofereça a ele os versos do “Vou festejar”. Ele vai espernear daqui pra frente, mas o que ele bem merece é o ostracismo. E ele pode “tirar o cavalinho da chuva”, que o candidato (para perder) do PSDB, em 2018, é o Geraldo Alckmim.

Viva o Povo Brasileiro -  Foi difícil, porém, é justificada a esperança. Agora é tempo para aqueles que, de fato, amam o Brasil, se darem as mãos. O Brasil é uma grande nação e, nos últimos 12 anos, tudo ficou muito melhor para o povo brasileiro. Bem entendido, para todo o povo brasileiro, mesmo, para aqueles que são contra o governo do PT.

Viva especialmente o norte (que chamaremos de Raimundo) e o nordeste (que chamaremos de Severino). Viva, portanto, Raimundo, viva Severino. Gente forte e decidida e que, em toda parte (também nos orgulhosos sul e sudeste) ajuda a construir o Brasil. Com suas mãos calejadas e o coração sem fel, nunca perdem a esperança. Raimundos e Severinos não vão deixar o Brasil nunca. Vão sempre acreditar que o amanhã será melhor e olharão, sem mágoas, seus irmãos mais bem situados na vida. Viva Raimundos, viva Severinos, o Brasil lhes deve mais uma. Como Dilma Rousseff, vocês tem o coração valente e a mente aberta. Vocês não estão sozinhos: no centro-oeste, no sul e no sudeste, milhões e milhões os abraçam fraternalmente, porque sabem que é desse abraço que se construirá o edifício da nacionalidade e da civilização.

E viva Lula, viva Dilma Rousseff, viva os meus caros, raros, fiéis e inteligentes leitores e viva eu, que permaneço firme nesta minha trincheira, esperto e duro na queda. Viva, enfim, todo o Povo Brasileiro!

Eu precisava entender e, finalmente, entendi. Contou o jornalista Barbosa Filho: Um negociante, seu amigo, todo o dia desancava o governo, repetia todas aquelas abobrinhas da “grande imprensa”, da direita e do PSDB contra o governo do PT. Até que, um certo dia, para se vangloriar, contou que sua filha estava estudando no exterior, com bolsa do Ciências sem Fronteiras, programa criado por Dilma Rousseff. Foi assim que eu consegui entender os votos dados a Aécio Neves. É preciso dizer mais?!


No mais e com referência ao resultado das eleições, a vitória de Dilma Rousseff e a renovação de nossas melhores esperanças, é como diria o grande William Shakespeare: TUDO E BOM QUANDO ACABA BEM!SHAKESPEARE TINHA RAZÃO

Celso Brum, sociólogo

Observando a votação obtida pela candidata da esquerda possível (Dilma Rousseff) e a votação dada ao candidato da direita (Aécio Neves) pude constatar o óbvio: que os meus caros, raros, fiéis e inteligentes leitores são, sobretudo, raros. Mas não fico aborrecido, porque sei que os vanguardistas da civilização são mesmo raros. Aos raros posso dizer: “Não desanimem. Os raros estão em boa companhia. Pois as grandes conquistas da civilização foram alcançadas justamente pelos raros”.

É bem verdade que frequentemente os raros são perseguidos (Galileu Galilei), queimados vivos (Giordano Bruno) ou decapitados (Thomas Morus). Mas quem disse que ser raro é confortável? Quem quer conforto, seja um direitista.

As palavras acima não são de um comunista que não fui, não sou e não serei. Considero o comunismo (e o socialismo) uma utopia, tendo-se em vista a natureza humana, tão egoístas somos. Mas, é interessante ler os Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos 44 e 45, para saber como viviam os primeiros cristãos: “Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um”. Portanto, não foi sem motivo que Jesus foi crucificado e os cristãos jogados para os leões. E, 2.000 anos depois, é interessante ver como pensam, como agem e como sentem os cristãos de hoje. A julgar pelas manifestações de muitos cristãos nestas últimas eleições parece que ainda não deu tempo de serem assimilados os belos princípios do Cristianismo.

Mas feita a necessária introdução, voltemos ao assunto do momento, qual seja o resultado das eleições gerais do Brasil.

Antes, porém, faz-se necessário justificar esta rápida incursão em temas religiosos, linhas acima. É que o direitismo brasileiro assumiu proporções nunca vistas e estão sendo praticadas atitudes de feroz preconceito contra os pobres e contra nossos irmãos nordestinos e nortistas. Algo nojento, que bem retrata o atual estágio do que, conceitualmente, foi, um dia, chamado de cordialidade do povo brasileiro.

Agora, sem mais delongas, as eleições.

Dilma foi a vencedora. Era o esperado. A margem estreita da vitória se explica pelo golpe de última hora, perpetrado pela revista Veja e repercutido pela poderosa emissora de TV, em seu principal telejornal, na véspera das eleições. Dilma perdeu de 3 a 5 pontos por causa disso. Além disso, pode-se ter a certeza que tanto Henrique Alves, como Delcídio Amaral, candidatos ao governo de seus estados, também foram derrotados pelos estratégicos e selecionados vazamentos de uma investigação sob segredo de justiça. E aqui cabe uma pergunta: Por que segredo de justiça? Simplesmente porque, quando instaurado o processo, as pessoas acusadas poderão se defender. E então, as provas, se houverem, terão sido apresentadas. As acusações vazadas ferem o direito das pessoas acusadas, como aconteceu com a ex-ministra Erenice Guerra, em 2010 (também estrategicamente às vésperas das eleições). Lembrando-se que as acusações contra Erenice Guerra eram falsas, como se verificou posteriormente.

As eleições de 2014 dividiram o Brasil? - Não e as alegações dos inefáveis analistas da grande imprensa, como sempre estão erradas. A divisão do Brasil, que existe, antecede as eleições de 2014. A divisão é: a direita contra o povo. E esta divisão é estimulada pela “grande imprensa”, desde 2003, na sua sanha antipetista, movida por ódio dissimulado e preconceitos explícitos.

Não é de agora o ódio de apartheid da direita contra o PT, contra os pobres e contra nossos irmãos do norte-nordeste. É que os pró-fascistas não admitem que o povão seja senhor do seu destino e de sua história. Em tempo: no passado, a divisão era entre casa grande e senzala e era mantida pelo chicote. Os pró- fascistas de hoje sentem saudade desse tempo gentil.

O 2º mandato de Dilma será mais fácil ou mais difícil? Como sempre, será difícil. Não vai ter moleza: Parece que o novo Congresso está mais endireitado. Com a “grande imprensa”, mais os direitistas alucinados, mais os pró-nazistas, mais os pró-fascistas, sob o olhar cândido dos direitosos, a tentativa de 3º turno (golpes e golpetes de toda ordem) será permanentemente buscada.
E que ninguém tenha ilusões: direitistas não estão preocupados com o Brasil e menos ainda com os brasileiros. Eles querem o poder, a qualquer preço. Poder que  eles consideram direito divino. Para eles, o povo no poder é um desaforo inaceitável.

Assim, o exercício do governo, no 2º mandato será difícil para a ex-guerrilheira (presa e torturada pela ditadura) Dilma Rousseff. Será um permanente desafio. Ela precisará, mais do que nunca, cumprir rigorosamente a Lei Máxima da Política: artigo 1º- É proibido errar; artigo 2º- Revogam-se as disposições em contrário.

Para começar, Dilma tem de escolher um Ministro da Fazenda que seja aceito e acalme o chamado Mercado. O chamado  Mercado é asqueroso, mas como o PT , sabiamente, opera no capitalismo, lidar bem com o Mercado é essencial.

Mais: toda a sua equipe de ministros e assessores deve ser, no mínimo, eficiente. Porque as dificuldades (a crise mundial que recrudesceu nesses últimos 3 anos e as armadilhas que serão postas pela direita) não deixarão margem para erros e titubeios.

Porém, o governo do PT enfrentou dificuldades, desde sempre. Agora, “daqui pra frente, nada será diferente. E com todas as dificuldades, o governo do PT foi capaz de extraordinárias conquistas para o Brasil e para o povo brasileiro. Eu creio que o próximo governo será ainda melhor.

Os grandes derrotados nas eleições de 2014 (na ordem de nociva importância):

“Grande Imprensa” ou “Cartel da grande imprensa”- Mais uma vez, a “grande imprensa” (assim, com merecidas aspas) foi derrotada pelo povo brasileiro, representado pelo PT. Eu bem sei que alguns fariseus irão dizer que pouco menos da metade dos votos foi para o candidato da direita. Mas se não fosse a contínua desconstrução (acusações sem provas e essa canalhice de suposições) perpetrada pela “grande imprensa”, além do boicote das notícias sobre as grandes obras do governo, a votação de Dilma Rousseff  seria muito maior.

De qualquer forma, a vitória de Dilma Rousseff é incontestável.

Quanto às acusações sobre corrupção em instâncias governamentais – e que a imprensa tem obrigação de divulgar, com ética e respeito por direitos individuais –civilizadamente nós conheceremos as responsabilidades depois do julgamento. E a grande imprensa não tem o direito de “julgar”, “condenar” e produzir um abominável linchamento moral, antes da soberana manifestação da Justiça.

Enfim, ofereço à “grande imprensa”, os versos do samba “Vou festejar”, de Beth Carvalho: “Chora,/  não vou ligar/Não vou ligar/ Chegou a hora/ Vais me pagar/ Pode chorar/ Pode chorar/Mas chora/(...)Vou festejar/ Vou festejar/ o teu sofrer/O teu penar”.

Direita alucinada- Pró-nazistas, pró-fascistas, direitistas reacionários facinorosos, direitosos enrustidos e envergonhados e instituições que lhes dão abrigo, são o maior perigo e o maior entrave ao projeto de um grande Brasil, de um Brasil socialmente justo e desenvolvido. É uma gente perigosa e que se coloca além da ética e da lei. Foram vencidos mas continuarão articulando o golpe. Eles contam com a complacência da “grande imprensa”, porque formam na frente ampla anti-PT.

Fernando Henrique Cardoso- O chamado príncipe dos sociólogos (não para mim, que o considero sem expressão, como sociólogo) e que foi presidente da República, desde que deixou a presidência, não parou mais de falar contra o governo do PT. Tornou-se o porta-voz da reação. Muitas vezes, refiro-me a ele, chamando-o de Fernando Carlos Lacerda Cardoso. Mas, pensando bem, Fernando Henrique é muito mais entreguista e reacionário que o falecido Carlos Lacerda, que jamais (eu disse jamais e repito jamais) privatizaria a Vale do Rio Doce, ainda mais na “bacia das almas”, como fez o nosso príncipe Fernando, nosso “beau Brummell” tupiniquim. A ele também ofereço a letra do “Vou festejar”.

Madre Marina de Calcutá - .Nossas eleições, ela deixou bem manifesto que aquela imagem de santa, que sempre cultivou, não tinha substância, nem razão de ser. Nem madre muito menos de Calcutá. Ela demonstrou ser apenas uma política comum, que faz acordos e que comunga com a direita, como fez, declarando enfaticamente seu apoio ao candidato da direita, Aécio Neves. Nessas eleições ela perdeu definitivamente o apreço da esquerda e não ganhou o apreço da direita. Que fique muito claro, a direita não aceita Marina Silva, pelo que ela é e pelo que representa. Ela pode até ser usada, porque contra o PT vale tudo. Mas, aceita pela direita nunca, nunca, nunca e nunca. Pode-se dizer que Marina Silva, politicamente, está marginalizada. O que não significa que não poderá insistir, em 2018, em sua aventura presidencial, mesmo na sua condição de pária da política. E, com certeza, jamais alcançará a presidência.

Aécio Neves -  Deixei o Aécio por ultimo, pela sua desimportância. Os votos recebidos por ele são os votos da direita, dos direitosos e dos inocentes úteis (não os “desinformados”, segundo o príncipe Fernando Henrique, mas, os deformados pela “grande imprensa”). Alem dos votos da direita, Aécio teve os votos da última hora, decorrentes da reportagem irresponsável da revista Veja, repercutida, na véspera das eleições, pela poderosa emissora de TV. Não fora esse golpete de última hora, a diferença, entre Dilma e Aécio, seria de, no mínimo, 8 pontos.

Aécio Neves não representa nada, não é e nunca será opção para um Brasil diferente. Ele é oco, vazio, chocho e isso é o mínimo que pode se dizer dele. Votar em Aécio Neves foi uma temeridade. Ele e o seu partido, o PSDB, levariam o Brasil a um retrocesso institucional, com a inestimável perda das extraordinárias conquistas e do extraordinário avanço desses últimos 12 anos. O Aécio nem merece que eu ofereça a ele os versos do “Vou festejar”. Ele vai espernear daqui pra frente, mas o que ele bem merece é o ostracismo. E ele pode “tirar o cavalinho da chuva”, que o candidato (para perder) do PSDB, em 2018, é o Geraldo Alckmim.

Viva o Povo Brasileiro -  Foi difícil, porém, é justificada a esperança. Agora é tempo para aqueles que, de fato, amam o Brasil, se darem as mãos. O Brasil é uma grande nação e, nos últimos 12 anos, tudo ficou muito melhor para o povo brasileiro. Bem entendido, para todo o povo brasileiro, mesmo, para aqueles que são contra o governo do PT.

Viva especialmente o norte (que chamaremos de Raimundo) e o nordeste (que chamaremos de Severino). Viva, portanto, Raimundo, viva Severino. Gente forte e decidida e que, em toda parte (também nos orgulhosos sul e sudeste) ajuda a construir o Brasil. Com suas mãos calejadas e o coração sem fel, nunca perdem a esperança. Raimundos e Severinos não vão deixar o Brasil nunca. Vão sempre acreditar que o amanhã será melhor e olharão, sem mágoas, seus irmãos mais bem situados na vida. Viva Raimundos, viva Severinos, o Brasil lhes deve mais uma. Como Dilma Rousseff, vocês tem o coração valente e a mente aberta. Vocês não estão sozinhos: no centro-oeste, no sul e no sudeste, milhões e milhões os abraçam fraternalmente, porque sabem que é desse abraço que se construirá o edifício da nacionalidade e da civilização.

E viva Lula, viva Dilma Rousseff, viva os meus caros, raros, fiéis e inteligentes leitores e viva eu, que permaneço firme nesta minha trincheira, esperto e duro na queda. Viva, enfim, todo o Povo Brasileiro!

Eu precisava entender e, finalmente, entendi. Contou o jornalista Barbosa Filho: Um negociante, seu amigo, todo o dia desancava o governo, repetia todas aquelas abobrinhas da “grande imprensa”, da direita e do PSDB contra o governo do PT. Até que, um certo dia, para se vangloriar, contou que sua filha estava estudando no exterior, com bolsa do Ciências sem Fronteiras, programa criado por Dilma Rousseff. Foi assim que eu consegui entender os votos dados a Aécio Neves. É preciso dizer mais?!

No mais e com referência ao resultado das eleições, a vitória de Dilma Rousseff e a renovação de nossas melhores esperanças, é como diria o grande William Shakespeare: TUDO E BOM QUANDO ACABA BEM!

BLOG DO CATALDI

 




SEXTA-FEIRA, 31 DE OUTUBRO DE 2014

O DIA NA HISTÓRIA

Sexta-feira, 31 de outubro. Faltam 61dias para o fim do ano.114 para o fim do horário brasileiro de verão. O folclore anglo-saxão festeja o Dia das Bruxas. Seria aniversário de Meu Amigo, El Brujo José Antonio de Oliveira. É dia da Dona de Casa, da Normalista, da Poupança e do Repórter Policial. Num dia como hoje foi instituída a vacinação obrigatória (1904). Morria Charles Taze, fundador das Testemunhas de Jeová (1916). Orson Welles causava pânico, transmitindo, pelo Rádio, uma fictícia invasão marciana (1938). Assassinato de Indira Gandhi, primeira-ministra da India (1984). Morte também do cineasta Federico Fellini (1993).

Sábado, 1º de novembro. Dia de “São Nunca”, porque a Igreja Católica dedica a data a todos os santos. Em dia como hoje, Varnhagen iniciava em Sorocaba, São Paulo, a fundição de ferro em escala industrial no Brasil (1818). Foi registrada a patente do Sutiã (1914). Morria o escritor e jornalista Lima Barreto (1922). É aniversário do novelista Gilberto Braga (1945).

Domingo, 2 de novembro. Dia de finados. Data da inauguração da primeira emissora de Rádio do mundo, nos Estados Unidos (1920). Morte do escritor, crítico e dramaturgo irlandês Bernard Shaw (1950); também do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini (1975) e da cantora Jovelina Farias Belfort, a Jovelina Pérola Negra (1998). Assassinato do banqueiro Edmond Safra, em Mônaco (1999).

PRO VALE

SAUDADE – Meu saudoso amigo José Antonio de Oliveira faria 60 anos nesta sexta-feira. Figura muito badalada na Cidade, ‘Zé do Jornal’ não era homem de meias palavras. Amado ou odiado! Não tinha meio termo... Coração valente e generoso. Vou revelar um detalhe: fui a última pessoa a falar com ele. Fez verdadeiro testamento verbal ao telefone, o qual fui impedido de cumprir. Queria que na falta de sucessores eu tocasse o jornal. Vendesse seus bens pessoais e pagasse todas as obrigações trabalhistas... Depois deu um grito de dor e nunca mais falou nada. Fui impedido de manter o Jornal da Cidade por alguém que disse que tocaria “com as próprias pernas”. Deu no que deu... Não sobrou nem a rotativa, da qual tanto meu querido e saudoso José se orgulhava. Que Pena!

NOTA DO BLOG: Trabalhei muitos anos, em vários períodos, com o Zé do Jornal, o “Gravatão”, como era chamado. Sempre nos respeitamos. Desafetos ele tinha aos montes. Amigos fieis também, entre os quais me incluo.

JUSTA HOMENAGEM – Está ficando muito bonito o Parque da Cidade. Tomara que não esqueçam que, em sessão solene, o Vereador Ricardo Piorino anunciou que dava a área o nome de Parque José Antonio de Oliveira. Lembrarei sempre!

CIDADE QUE INVESTE - Taubaté usa atletas de seleção como modelos para estimular o crescimento do vôlei local. Prova está que, depois da conquista do campeonato paulista, o time reserva, com prata da casa; já venceu o primeiro jogo contra o Minas. Atenção Pinda: chama-se a isso investimento e visão de futuro.

NOTA DO BLOG 2Peço licença ao meu amigo José Carlos Cataldi para explicar o seguinte: “Taubaté investe em esporte de alto rendimento com 30 anos de atraso em relação a Pindamonhangaba. Isto prova que João Bosco Nogueira não era um prefeito visionário e sonhador: ele dizia, em 1985, que precisava de atletas profissionais na cidade para estimular os jovens a praticar esporte e não precisar construir cadeia no futuro. A proliferação de cadeias no Vale do Paraíba prova que Boco estava certo. O velocista Ambrósio, que nasceu esportivamente nas pistas do “João do Pulo”, foi um dos garotos que se profissionalizou graças à visão de João Bosco. Preciso falar alguma coisa sobre Luiza Gustavo, jogador da seleção brasileira de futebol que começou jogando na Terra dos Ypes? Taubaté está um passo atrás, como sempre.”

A BEM DA VERDADE – O governador Geraldo Alckmin, ao rediscutir o problema da falta de água, prova desconhecimento do destino final do manancial do Paraíba do Sul. Diz que a agência reguladora prioriza a geração de energia da Light em Piraí/RJ, em detrimento da sede do Povo de São Paulo. Além da falta de planejamento da SABESP, tenta sublimar o fato de que a água do Paraíba, bombeada em Barra do Piraí, depois de gerar energia; forma à calha do sistema adutor de Guandú, responsável pelo abastecimento d’água a toda a capital do Rio de Janeiro e baixada Fluminense. Antes, mantém as torneiras de boa parte do interior paulista, inclusive Pindamonhangaba. Afora isso, a vazão reduzida do rio na foz, permite a invasão do mar ao Pontal de Atafona, em Campos dos Goitacazes, no norte do Estado do Rio. Como o governador Geraldo não é dado a mentiras, creio que lhe falta apenas um pouco mais de conhecimento.

VAMOS PAGAR PELA AVENIDA – Quem pensa que foi de graça a duplicação da Avenida Nossa Senhora de Bonsucesso se engana. Não podendo cobrar pedágio, porque seria um escândalo, o Governo já instalou radares nos dois sentidos da via. Pagaremos a melhoria através da multagem eletrônica, por pardais posicionados sem a menor justificativa. A não ser a travessia de minhocas entre um pasto e um projeto de loteamento ainda inabitado. Diante da Faculdade Anhanguera não puseram. Engraçado, não? Quem mandou votar no homem...

ALIÁS, ATENÇÃO MOTORISTAS – Fiquem espertos, amigos! Entram em vigor neste primeiro de novembro as alterações no Código Brasileiro de Trânsito que majoram o valor de todas as multas por infrações de trânsito. Cachaceiros, principalmente, que se cuidem!!!

ANTEVI – A Coluna publicou em 03.10.14: “SORTE LANÇADA – Dificilmente alguém tira a reeleição de Dilma Roussef. A direita brasileira é incompetente quando faz oposição. Aécio NEVER cometeu o pecado da gula e foi castigado. Tirou o pão da boca de Marina e não conquistou os pontos para si. O desgaste da Seringueira já pode ser visto até num eventual segundo turno. É tudo o que conseguiu o netinho de Tancredo...”. Sou ou não um tremendo bidu!

BOM DE PREVISÕES – Acertei na eleição presidencial. Previ a prescrição do processo de “The Swimmer”, nosso Grande Nadador; quando muitos diziam que não haveria prescrição... Apostei na vitória de meu amigo Pezão contra Garotinho, e, em face do também amigo Crivella... Sou capaz de apostar que Ortiz Junior governa até o fim do mandato... Afirmei da inconstitucionalidade da tentativa de fechamento do Lessa. E não deu outra... O Ministério Público interveio na questão e pediu a revogação da lei, levando os interessados em murar o bairro a pedir na Câmara que o prefeito mostre documentos ou derrube os muros de condomínios que já nasceram como tais: Village Paineiras, Colonial Village e Real Ville, entre outros... Acham que pressionando outros coletivos, onde moram promotores e juízes, terão gás para submeter o Tribunal de Justiça, a Prefeitura e a Câmara em sua quimera particular.

NÃO QUERIA ESTAR NA PELE. – O vereador Professor Eric está em situação muito delicada. As ex-funcionárias Daniela Bairros e Cristina confirmaram todas as acusações de partilha de salários e distribuição gratuita do jornal Tribuna do Norte que, a rigor, deve ser vendido a 1 real. Cristina disse também que foi exonerada pelo vereador em plena licença médica e que vai cobrar da Câmara horas extras por dedicação integral 24 horas ao professor Eric que, volta e meia, interrompia seu sono com novas missões. Fui informado de que a CEI da Câmara troca informes com o inquérito que segue no Ministério Público. Os demais processos em face de políticos pindenses estão nas mesmas da edição passada.

EM BUSCA DA ARCA PERDIDA – Não se trata de Indiana Jones, mas o deputado João Dado e seu fiel escudeiro César Haiachi estão pretendendo excursionar a Pinda numa grande cruzada de rastreamento dos votos que deixaram de ter nas eleições. Dizem que tem “45 mil motivos” para cobrar “Solidariedade” dos que fizeram sua mal sucedida campanha, de resposta desproporcional ao que foi empenhado.

SABEDORIA DO BOSQUE – “Não existe remédio para batom na cueca.”

José Carlos Cataldi é jornalista, radialista e advogado. Foi fundador da CBN e consultor jurídico da Rádio Justiça do Supremo Tribunal Federal. É detentor da Ordem do Mérito Judiciário – grau de comendador; Atuou nas Empresas Globo, Radiobrás (Presidência da República); TV Rio/Record; Redes Manchete e Brasil de Televisão; foi 4 vezes Conselheiro Federal e Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB. email: josecarloscataldi@hotmail.coBlog:http://pensandovoce.blogspot.com

NADA DE CONCILIAÇÃO!

Silvio Prado, professor

Nada de conciliação e acertos pós eleitorais. Queremos o avanço da democracia e o fim dos privilégios da minoria abastada. Que ricos paguem impostos conforme o tamanho de suas fortunas e que banco algum, com suas taxas escorchantes, determine o humor e a falta de sono do cidadão comum.

Não queremos conciliação com racistas, homofóbicos, fundamentalistas e todo aquele que aposta no atraso social. Não queremos nem conversa. Queremos o cumprimento integral e a regulamentação das muitas leis ainda ignoradas da Constituição de 1988.

Não podemos ter acertos com aqueles que apostam no ódio e na divisão geográfica do Brasil. Estes, por conveniência, fazem de conta que o país não está socialmente dividido entre pouquíssimos ricos e uma multidão de pobres e miseráveis. Divididos entre os que cuidam da saúde nos melhores hospitais privados, e os que aguardam meses para simples procedimentos médicos na saúde pública.

O país, há séculos, está dividido entre quem paga salários de fome e aqueles que, para não morrer de fome, se viram fazendo bico sonhando um mísero pedaço de pão a mais sobre a mesa.

A divisão já existe: alguns habitam casarões de cômodos imensos em bairros de estrutura privilegiada. Outros, multidões incríveis, humilhadas, se espremem nos cubículos das Coabs e Cecaps da vida.

A qualquer hora do dia, pouquíssimos curtem o calor nas delicias de piscinas paradisíacas. No outro lado, pelo menos oito milhões, diante da seca da Cantareira não sabe se terá o banho da noite garantido.

A divisão existe desde o momento em que se ergueu a primeira casa-grande e, nos fundos, uma arquitetura sofrível, prisão noturna chamada senzala.

Desde que o primeiro branco, ainda na África, acorrentou o primeiro negro e o arrastou mar adentro para, aqui, neste inferno tropical, ser máquina de carne e osso produzindo riquezas para poucos, a escandalosa divisão se fez.

Quando Cabral fincou a primeira cruz e o latim da primeira missa soou desafinado ante o canto de tantos pássaros, a divisão foi proclamada e, depois, se aprofundou com o primeiro metro de terra indígena cuspindo cana sob mão de obra escravizada.

Quando, na farsa da Abolição, a mão de obra negra virou dejeto e a mão de obra europeia virou preciosidade patrocinada pelo Estado para eugenizar o país, como não enxergar tal divisão?

Estamos divididos e não queremos conciliação e nem acertos vindos do submundo dos bastidores. Queremos democracia. Ela, sim, quando verdadeira, coloca cada coisa no seu devido lugar e todo mundo no mesmo patamar.

Foi para isso que apostamos num segundo mandato para Dilma. Queremos uma democracia que vire a mesa farta onde pouquíssimos se locupletam e o restante, quer dizer, a maioria, vive de migalhas.

Temos longa tarefa a percorrer e queremos percorrê-la vendo, o mais rápido possível, os criminosos da Veja respondendo por tantos crimes jornalísticos. Queremos contar, centavo por centavo, dos bilhões que gente poderosa deve ao povo brasileiro. Que a Globo, quadrilha dos Marinhos, devolva os 600 milhões à Receita e toda a grana que vier de outros tantos processos de sonegação. Que o Itaú, sem nenhum acordo, devolva os 18 bilhões abocanhados ilegalmente das necessidades fundamentais do povo brasileiro.

Não queremos acordo, pois sonhamos ver na cadeia todos os tucanos do Trensalão, Banestado, mensalão mineiro. Não temos acordo com os protegidos do Joaquim Barbosa e nem com o próprio.

Nenhum acerto pós eleitoral vai nos dar a escola de qualidade que precisamos, nem ampliar vagas nas universidades ou garantir atendimento digno nos hospitais ou fazer reforma agrária. Nenhum acordo vai desmilitarizar polícias, espécie de capitães do mato especializados na tortura e morte de pobres e negros.

No domingo, quando votamos, pensamos no aprofundamento da democracia e na justiça protelada há quinhentos anos. Por isso, enfrentamos corajosamente racistas, homofóbicos, fundamentalistas de todo tipo, senhores escravistas do agronegócio, quadrilha de banqueiros, grande imprensa mafiosa, milicos doidos por um golpe, empresários antinacionais.

Votamos, num domingo histórico, contra o retrocesso e vencemos. Agora, precisamos, urgentemente, consolidar a vitória aprofundando a democracia pela qual lutamos!

ÁGUA NA BICA

Silvio Prado, professor
Como sempre para o povo
Geraldo Alckmin complica
Pois de besteira em besteira
No governo o homem fica
Obrigando como agora
Gente de terra tão rica
A pegar dúzias de baldes
E buscar água na bica.
A incompetência tucana
Parece até brincadeira
Pois somada ao abuso 
Da estratégia eleitoreira
Obrigou alguns milhões 
De uma região inteira
A pensar que água havia 
No complexo Cantareira.
Por isso urgentemente
Antes que esvaziem o fato
Instaurem uma CPI
Constando em seu relato
Que para não perder votos
Ele sem nenhum recato
Em termos de eleição 
Cometeu estelionato.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

PLEBISCITO OU REFERENDO? PELO FIM
DAS ABERRAÇÕES DO SISTEMA POLÍTICO

Luiz Flávio Gomes, jurista*

01. Mesmo antes do "juízo final" (26/10) já se sabia que o terceiro turno viria com a reforma política, onde será travada uma longa batalha entre uma vigorosa e pujante parcela da sociedade civil (que não suporta mais o patrimonialismo, o clientelismo, o fisiologismo e os privilégios dos "políticos profissionais") e o poder político instalado, totalmente deslegitimado, a começar pelos partidos que são corruptos ou muito corruptos para 81% dos entrevistados Ibope; o poder político também no nosso País se converteu no centro fulcral de um nefasto crime organizado que se formou entre os políticos e outros agentes públicos + agentes econômicos + agentes financeiros (que formaram uma troika maligna que representa os interesses das oligarquias inescrupulosas que se apoderaram de uma grande parcela das receitas do Brasil, sendo sintomas disso a Petrobrás, as licitações do metrô de SP, os mensalões do PT e do PSDB, o fisiologismo do PMDB etc.).

02. De que maneira vamos promover a reforma política? Desde logo, aprovando, sem perda de tempo, por lei e/ou por emenda constitucional, tudo que retrata um consolidado e majoritário consenso. É imenso aqui o espaço que se abre para a DDD (democracia direta digital), que colheria as manifestações da população em um Fórum Cidadão (do qual seria excluído liminar e peremptoriamente todas as baixarias de que os brasileiros somos capazes de expressar). Com a DDD ou sem ela, naquilo em que não houver esse consenso, abrem-se os caminhos do referendo e do plebiscito. Qual a diferença entre eles? A seguinte: pelo referendo o povo é consultado sobre uma lei já editada. Consoante o plebiscito o povo é consultado sobre algo ainda não votado pelo Parlamento.

03. Dentre tantas outras, Gaudêncio Torquato (Estado 19/10/14: A2) sintetizou algumas das aberrações do sistema político que deveriam ser desde logo eliminadas:

Reeleição. "Em democracias consolidadas a reeleição pode ser um eixo de aperfeiçoamento democrático, no entendimento de que o mandato de quatro anos seria insuficiente para um partido no poder concluir sua obra. Em países de instituições políticas e sociais em processo de consolidação, como é o caso do nosso, a reeleição bafeja os governantes, visto que, sem se afastarem do posto, eles usufruem o simbolismo e a força inerentes ao cargo. Essa alavancagem contribui para entortar a régua da igualdade entre disputantes. Um mandato de cinco anos sem reeleição cairia melhor na moldura de nossa democracia, pois propiciaria a renovação de mandatários e a oxigenação das estruturas governativas" (G. Torquato, citado). Nosso movimento popular (veja fimdareeleição.com.br) vai mais longe: somos pelo fim da reeleição em todos os cargos (executivo e legislativo). Com isso evitamos o pecaminoso e danoso político profissional, que é o que se perpetua na política corrupta, como se essa malignidade fosse o destino cruel e inevitável do Brasil;

Coligações nas eleições proporcionais (deputados e vereadores). Dos 513 deputados federais eleitos no último pleito, apenas 35 (6,8%) receberam votos suficientes para se elegerem sozinhos, sem as coligações ou quociente de legenda. Em 2006, 32 tiveram votação suficiente; em 2010, 35 seriam eleitos sozinhos. Não cumprimos no Brasil nem sequer a regra elementar do sistema representativo: eleição dos mais votados. Não é isso o que ocorre. As coligações nas eleições proporcionais tornam eleitos parlamentares por força de votos alheios. Continua em alta o "puxador de voto" (tipo Tiririca, Russomano, Maluf etc.). A representação democrática se enfraquece (fica deturpada). Veja o absurdo: Mendes Thame em SP recebeu 106 mil votos e não foi eleito (pelo PSDB); Fausto Pinato (PRB-SP, partido de Russomano) com 22 mil foi eleito;

Sociedade do espetáculo. É grotesco o espetáculo televisivo promovido pelos marqueteiros durante as campanhas, com desfile de caras, bocas e caretas sem nenhum significado institucional. Cada um se julga mocinho, herói, salvador da pátria, solucionador simplista dos problemas nacionais, benfeitor; diabo é o outro, o destruidor, o perverso, o corrupto; tudo isso tem que acabar prontamente;

Excesso de partidos políticos. A Câmara dos Deputados passa a ter 28 partidos a partir de fevereiro/15. A cláusula de barreira aprovada pelo parlamento caiu no STF (que acabou dando sua contribuição para a barafunda que avilta nossos olhos). O tempo de TV virou balcão de negócios (algo costumeiro nos partidos políticos pátrios). O Diap informou: com a cláusula de desempenho (de barreira) de 5% dos votos nacionais apenas 7 partidos sobreviveriam: PT, PMDB, PSDB, PSD, PP, PR e PSB (Ilimar Franco Globo 19/10/14: 2);

Senadores suplentes (os sem votos). Não só os menos votados são eleitos (por força das coligações): também estão no parlamento senadores sem votos. São os excrescentes suplentes (18 estão em exercício e mais 10 podem assumir a partir de fevereiro). Quase um terço do senado será composto por quem nunca recebeu nenhum voto (democracia representativa sem voto). São financiadores de campanhas, parentes ou apaniguados;

"Recall" (deseleição). Com urgência temos que aprovar a possibilidade de destituição do político do seu cargo quando se mostra incompetente ou desonesto. O escândalo da Petrobrás vai agora entrar em sua segunda fase. Vamos saber os nomes de todos os políticos envolvidos nas falcatruas (pelo que dizem, são muitos). O povo tem que ter o poder de deseleger os corruptos (ou seja: de decretar o "impeachment" do eleito).

04. Os mais conformados com nosso viciado sistema político objetam as profundas reformas que apoiamos afirmando que somos implacáveis adversários do sistema eleitoral, das eleições democráticas, do voto universal ou mesmo da vida institucional do País. Nada mais inverídico e falacioso, porque na verdade o que se vê é a verdade oprimida e o triunfo do vício, do escamoteamento, da pilantragem e da pilhagem. O mal tomou conta da política brasileira desde o momento em que esta passou a ser puro instrumento "democrático" das oligarquias decadentes (primeiro as rurais, hoje as urbanas e empresariais) que nunca (nem mesmo nas ditaduras) perderam as rédeas dos destinos da nação (apoiando-as no primeiro momento, para em seguida se enriquecerem mais de forma ilícita). Elas se julgam classes privilegiadas e, na prática, realmente contam com muitas vantagens fundadas nas desigualdades, incluindo-se a da impunidade. Se também esse mal acomete a vida política do Brasil, faz-se mister combatê-lo onde quer que se manifeste. Como dizia Timon (personagem de João Francisco Lisboa, Jornal de Timon), "se atarmos os braços a vãos receios e esperanças, deixando-nos atoar ao sabor dos acontecimentos, e aguardando que venha um novo Moisés com a mágica varinha abrandar o rochedo, e operar o milagre da regeneração, ficaremos para todo sempre transviados no deserto, sem jamais por os pés na cobiçada terra da promissão".

*Confira todos os artigos do professor Luiz Flávio Gomes no institutoavantebrasil.com.br