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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

QUEM É TERRORISTA?

Ainda está vivo em minha memória o depoimento da atriz Regina Duarte, excelente profissional, em um programa eleitoral de José Serra (PSDB), em 2002, quando este disputava com Lula (PT) o direito de suceder Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na presidência da República.
Interpretando alguém com medo de alguma coisa que não tinha certeza se aconteceria, ela afirmava, com todas as letras, que temia a eleição de Lula, que concorria ao cargo pela quarta vez.
Lula venceu em 2002, tornou a derrotar o PSDB em 2006, representando por Geraldo Alckmin, e pode eleger Dilma Rousseff no primeiro turno nas eleições desse domingo, se as pesquisas eleitorais estiverem certas.
As manifestações contra ou a favor de uma candidatura são perfeitamente normais em um regime democrático, como gostam de dizer nossos pensadores políticos, desde que prevaleçam as “verdades” que eles pregam.
A essa gente não interessa o debate de idéias. Eles tentam desconstruir a candidatura de Dilma Rousseff da maneira mais sórdida que pode existir. A petista foi acusada de tudo, desde que sua candidatura se cristalizou. Ela vinha sendo atacada antes, mas as críticas eram mais amenas.
No começo da campanha no rádio e na TV, Serra tentou, sem sucesso, demonstrar que deveria ser o presidente do Brasil, pois fora ministro, senador, governador e prefeito de São Paulo, ou seja, tinha experiência política, tinha mais currículo para nos governar.
Dilma era pintada como inexperiente. Afinal, ela só foi secretária de Ciência e Tecnologia do governo do Rio Grande do Sul e, depois, ministra de Minas e Energia e ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula. Não fora experimentada nas urnas.
Enquanto isso, a internet era inundada por emails preconceituosos contra a petista. Uns a tratavam simplesmente como terrorista, assaltante de banco, sequestradora, isso e aquilo.
Quando Dilma lutava na clandestinidade pela redemocratização do país, os vetustos senhores que hoje a criticam lambiam as botas dos militares que se encastelaram no poder em 1964.
A primeira tentativa de desconstruir a candidatura da petista foi um fiasco. O segundo round, risível, foi a tentativa de Serra de “colar” sua imagem a de  Lula. O povo, que não é bobo, começou a decidir seu voto naquele momento.
Ficou engavetada mais de um ano a bisbilhotagem que funcionários da Receita Federal fizeram na declaração da filha do tucano. A bem da verdade, milhares de brasileiros tiveram suas contas bisbilhotadas na Receita.
Na rua 25 de Março, em São Paulo, é possível comprar CD com o CPF de milhares de contribuintes. A imprensa não deu destaque a isso e “vendeu” a notícia como se ela tivesse acabado de sair do forno.
Tem também o episódio de uma pequena loja que Dilma teve com seus parentes e que fechou, em Porto Alegre. A matéria serviria para mostrar a “incompetência” da candidata petista.
Como nada dava certo, o tucano mudou o discurso. Disse que vai elevar o mínimo para R$ 600,00. Ora, se o PSDB é um crítico feroz dos reajustes salariais dados pelo presidente Lula, por que a mudança repentina? O povo deu de ombros à proposta, pois sente que ela carece de sinceridade.
A penúltima tentativa fez algum estrago na campanha de Dilma. As acusações contra a ex-ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, beneficiou Marina Silva, candidata do PV à presidência da República. Serra ficou estático nos seus 28 pontos e Marina foi a 14, segundo os institutos de pesquisa. Dilma oscilou de 51 para 46.
A última e desesperada tentativa tucana é requentar na internet uma entrevista dada pelo jurista Ivez Gandra Martins à TV Band, há muitos meses, como se  fosse atual. Dilma é apresentada pelos internautas como terrorista e seqüestradora.
Ah! Tem uma da “vidente”, Neila Alckmin, segundo a qual uma mulher será a responsável por colocar o Brasil no buraco porque não tem boa saúde e governará só até o Carnaval, numa clara alusão ao tratamento de câncer linfático a que se submete a petista.
Neila se notabilizou quando “previu” que o Brasil seria governador por um político jovem, dinâmico e líder. Ela “vendia” o candidato Guilherme Afif Domingues. A vidente não “previu” a ascensão de Color, eleito em 1990.
Os terroristas estão à solta, mas são as viúvas do obscurantismo.