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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

EM NOME DE DEUS


O primeiro turno da eleição presidencial terminou. Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) vão para o segundo turno, que deve ser disputado dia 31 de outubro.
A surpresa ficou por conta de Marina Silva (PV), que obteve votação acima do previsto pelos institutos de pesquisa, que saem chamuscados pela imprevisibilidade.
A disseminação do medo foi a arma dos conservadores. O resultado do primeiro turno é sabido por todos. Serra deve agradecer a imprensa e a boa parte da igreja.
As caixas de email foram soterradas com “denúncias” e afirmações falsas contra a petista. Padres e pastores se valeram da homilia para pregar contra Dilma.
Em nome de Deus afirmaram, sem o menor pejo, que ela defende o aborto, que ela é a favor do casamento gay e que teria dito que nem Cristo a faria perder o primeiro turno.
Não apresentaram prova porque ela não existe.
Apostaram, e venceram a aposta, que os fiéis acreditariam em suas pregações. Usaram o nome de Deus para ameaçar. A eleição da petista seria castigada por Deus.
Pergunto: que Deus é esse? Deus tem partido político? Deus tem preferência eleitoral? Deus vota no Brasil? Quem é Deus? Ele castigaria o planeta Terra caso Dilma fosse eleita?
Se padres e pastores pregam que Deus é um ser supremo, criador do Céu e da Terra, que olha a todos com os olhos da bondade, como ele poderia nos castigar por uma simples eleição no Brasil?
Em nome de Deus, as Cruzadas invadiram o Oriente na Idade Média para retomar a Palestina dos turcos. Em nome de Deus, milhões de vidas foram ceifadas, terras invadidas e guerras proclamadas.
Em nome de Deus, até hoje os homens se matam. Em nome Dele, padres e pastores servem os conservadores, anestesiando seus seguidores com ameaças religiosas.
Deus é um mito criado por clérigos. Se Deus existe, suas preocupações são outras, não uma eleição presidencial no Brasil.