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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

DOMINÓ PINDENSE

A primeira peça do dominó pindense caiu. Silvio Serrano, o ex-todo-poderoso secretário de Finanças da Prefeitura de Pindamonhangaba foi demitido sob a acusação de corrupção, que está sendo investigada pelo Ministério Público. Ele recebeu esta semana em sua casa a visita indigesta de membros do Gaeco.
Os integrantes da força-tarefa do Ministério Público paulista passaram cerca de quatro horas em busca de documentos e de provas contra Serrano, acusado de fraudar licitação em benefício da Verdurama, empresa que fornece merenda escolar na cidade por módicos R$ 5 milhões anuais.

Não se tem notícia se os integrantes do Gaeco assistiram ao capítulo de segunda-feira (27) de Passione, enquanto processavam as buscas. O que se sabe está na edição de quarta-feira (29) do jornal O Vale. O ex-diretor da Verdurama, Genivaldo Marques dos Santos, “entregou o ouro”: a empresa pagava a Silvio Serrano, algo em torno de R$ 44,5 mil por mês, além de ter bancado a campanha de João Ribeiro (PPS) nas eleições de 2004, quando foi candidato pela primeira vez, e na campanha da reeleição de 2008.

João Ribeiro não declarou as doações da Verdurama às suas campanhas na prestação de contas obrigatória ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Coincidência ou não, a contabilidade das campanhas foi feita por Silvio Serrano. Tardiamente, o prefeito João Ribeiro “resolveu” cancelar o contrato com a Verdurama, ou seja, colocou fechadura na porta depois que o ladrão roubou tudo.


Depois de Serrano, caíram José Antenor, secretário de Obras, e Misael Cesarino Junior – Tayoba, secretário de Esportes. Ambos pediram demissão, mas também precisam ser investigados pelo Ministério Público. Eles têm muito a contar e o Ministério Público tem muito a saber, para punir os culpados.

As investigações do Gaeco em Pindamonhangaba puseram a nu o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), pois seu cunhado, Paulo Ribeiro, irmão de Lu Alckmin (esposa do governador), está envolvido com as denúncias de corrupção em sua cidade natal.


De fato, Paulo Ribeiro, que não tem o menor parentesco com o prefeito João Ribeiro, foi o principal mentor da campanha deste em 2004. Paulo Ribeiro e João Ribeiro se reuniam diariamente, a portas fechadas, na casa deste último, durante a campanha eleitoral, principalmente nos dois meses que antecederam as eleições.


O então vice-prefeito João Bosco Nogueira (PMDB) sempre se opôs a Silvio Serrano na Prefeitura e alertava João Ribeiro (PPS) sobre o propinoduto que estava montado por seu secretário de Finanças, sob as ordens de Paulo Ribeiro. João Bosco não foi ouvido e acabou demitido do cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico de Pindamonhangaba em dezembro de 2007, quando a promessa de João Ribeiro era demitir Silvio Serrano para estancar a corrupção.


Foi João Bosco quem impediu a Home Care de se instalar em Pinda para comprar remédios em nome da Prefeitura, bem como evitou que o serviço de água da cidade, explorado pela Sabesp há mais de trinta anos, fosse parar nas mãos de uma empresa do Mato Grosso do Sul.


Serrano foi mestre em sabotar a Secretaria de Saúde de Pindamonhangaba. Negava verba e dificultava a compra de remédios necessários para o bom atendimento da população, a ponto da secretária de Saúde, Ana Figueiredo, por sinal, cunhada de João Ribeiro, pedir demissão e seu cargo. Ética, Ana Figueiredo jamais comentou por que saiu da Prefeitura.

O prefeito João Ribeiro jamais agiu. Tomou uma medida paliativa (a demissão de Serrano quase seis anos depois de ter tomado conhecimento do caso), e recusa-se a comentar publicamente os fatos graves que maculam sua administração.


Ele tem que se desculpar com João Bosco por não tê-lo ouvido quando havia tempo e, de joelhos, se desculpar com a população de Pindamonhangaba, pois não cumpriu um preceito básico para um administrador público, eleito para zelar pelo patrimônio da cidade


A Home Care não foi contratada pela Prefeitura de Taubaté? A Câmara não apurou uma série de irregularidades? Que providências foram tomadas? Quem é o fornecedor da merenda escolar em Taubaté? A que custo?


O braço de Paulo Ribeiro é longo e abraça a Home Care, que só não entrou em Pinda graças a atuação de João Bosco Nogueira.


As primeiras peças do dominó pindense cairam. Dois outros secretários pediram demissão. Não demora muito, as peças começam a cair em Taubaté.


Quero assistir de camarote.