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domingo, 16 de janeiro de 2011

A CASA CAIU


No jargão policial, quando um bandido, ou uma quadrilha, vai em cana, costuma-se dizer que “a casa caiu”, porque seus crimes foram descobertos.

Por analogia, pode-se dizer que para alguns ex-funcionários da Prefeitura de Pindamonhangaba a casa caiu, se bem que uma ou outra parede insista em permanecer em pé. Basta um pequeno empurrão para ela ir ao chão. A parede está fragilizada.

Quando uma quadrilha é surpreendida pela polícia, alguns bandidos costumam delatar os demais, sem o menos constrangimento, mas a polícia sabe que suas confissões buscam tumultuar a investigação em andamento e livrar-se tanto quanto possível da culpa pelo(s) crime(s) cometido(s).

Os “chefes” da quadrilha sempre negam envolvimento com os crimes apontados. Negam inclusive que se conhecem os integrantes do bando, mas geralmente são parte dele.

A tática mais usada é a de desqualificar os denunciantes e desqualificar a própria investigação em curso e seus autores. Fogem da imprensa, negam-se a dar esclarecimentos públicos, sob a alegação de que as investigações correm sob segredo e justiça.

Quando fui policial, essa situação ocorria todo dia. Na frente da polícia, todo bandido vira anjo e nunca é culpado de nada. A diferença é que bandido pobre vai rapidinho pra cadeia. Já os bandidos de colarinho branco demoram um mais, porque podem contratar grandes advogados e ir adiando a sentença sobre seus atos ilícitos.

Os jornais dessa semana, diga-se, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, gastaram páginas e mais páginas na divulgação do “caso Verdurama”, que ganhou espaço no noticiário pela gravidade dos fatos, que vem sendo investigado pelo Ministério Público de Pindamonhangaba desde 2006, como por envolver o cunhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo César Ribeiro.

A demissão de Silvio Serrano em outubro de 2010, o outrora poderoso secretário de Finanças da Prefeitura de Pindamonhangaba, foi o estopim de uma crise anunciada em 2006 pelo ex-vice-prefeito João Bosco Nogueira (PMDB), que relatou não apenas ao prefeito João Ribeiro (PPS) o que ocorria nos subterrâneos da Prefeitura, que na época ocupava o Palacete 10 e Julhos, cujos subterrâneos serviam de moradia a escravos quando foi construído, em fins do século XIX, como não se furtou de depor na Comissão Especial de Inquérito (CEI) instalada na Câmara Municipal e nem no Ministério Público, para onde tudo foi encaminhado a pedido do prefeito João Ribeiro (PPS).

Talvez o prefeito tenha imaginado que assim se livraria do problema. Só não imaginou que a documentação com a apuração das fraudes foi parar num órgão técnico, sem cor partidária e com a incumbência constitucional de zelar pela moral e a boa administração pública.

Sem fazer alarde, com a seriedade e a competência que convém, o Ministério Público debruçou-se sobre a documentação que lhe fora oferecida pela Câmara Municipal, tomou depoimentos, inclusive do ex-vice-prefeito João Boco Nogueira , de Silvio Serrano e de um ex-diretor da Verdurama. O mosaico estava montado. O quebra-caça, porém, não está pronto. Ainda faltam algumas investigações a serem feitas pelo Ministério Público

Junto com Serrano, foi demitido Marcelos dos Santos, que de bobo só tem a cara. Ele era o diretor de licitações e compra da Prefeitura. Indiretamente pode-se dizer que foi nomeado por Paulo Ribeiro, responsável pela nomeação de Silvio Serrano. O prefeito João Ribeiro (PPS) sempre soube de tudo. Não eu ouvidos a João Bosco Nogueira e, candidamente, declarou ao jornal O Vale que Bosco esteve três anos meio na prefeitura e não falou nada.

Faz parte do jogo. O prefeito de Pindamonhangaba, que tinha a obrigação de apurar as denúncias feitas pelo seu ex-vice-prefeito, inclusive nas reuniões de secretários, tinha ciência do que acontecia. Ainda em que os documentos foram  parar nas mãos do Ministério Público. Se eles permanecessem na Câmara, por certo estariam no fundo de alguma gaveta, esquecidos.