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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PARABÉNS! SÃO PAULO


Fui apresentado à cidade de São Paulo em 1957. Não existiam as marginais, mas São Paulo já tinha cerca de três milhões de habitantes. A metrópole se concentrava nas praças Clóvis Bevilácqua e Sé, fundidas nos anos 70 para dar lugar ao Metrô.
Minha primeira moradia em São Paulo foi na Água Rasa. Na minha meninice, com sete anos de idade, cria que o Belém ficava a uma distância descomunal de meu bairro, que ficava no início da avenida Regente Feijó. Na verdade, estava a menos de dois quilômetros do cemitério da Quarta Parada, na avenida Álvaro Ramos.
Em 1962 voltamos para Taubaté. Em 1965 estava novamente em São Paulo, desta vez para morar num bairro periférico, a Vila Invernada. Não sei quantas vezes fui de bicicleta da Vila Invernada, que fica pertinho da Vila Paulina, até os confins do bairro Sapopemba, passando pelos desertos da Vila Diva e do Parque São Rafael.
Eram tempos inocentes para meninos de 12, 13, 15 anos, que ignoravam o regime militar e só queriam jogar bola em ruas sem asfalto e com o esgoto a céu aberto, que percorriam córregos imundos em busca de alumínio, latas de óleo e cobre que pudessem ser recolhidos e vendidos no ferro velho
Num domingo qualquer de 1965, meu pai me levou, num ônibus da CMTC para conhecer o centro da cidade. Fiquei maravilhado ao ver aquela marafunda de gente de todos os tipos. Naquela época o ônibus fazia ponto final na praça Clóvis Bevilácqua. Era só percorrer os cem metros da rua Santa Tereza, que não existe mais, para chegar na praça da Sé.
Atravessei a cidade com meu pai. Entramos pela rua Direita, passamos pela Boa Vista, São Bento, praça do Patriarca, ganhamos o viaduto do Chá e nos dirigimos para a Barão de Itapetininga até chegar à praça da República.
No ano seguinte, consegui meu primeiro emprego com carteira assinada, num estúdio fotográfico na rua Conselheiro Crispiniano.
Era frequentador da rua Sete de Abril. Gostava de ficar olhando para o prédio dos Diários Associados e imaginando como era ser jornalista. Virei leitor do Diário da Noite.
Nessa época, meu prazer era atravessar a avenida São João correndo e me desviando, em meio ao seu trânsito louco, dos Fuscas, Vemaguetes, Dauphines, Gordinis, ônibus e caminhões que transitavam por ela a toda velocidade.
A travessia era do largo do Paiçandu até o outro lado da avenida, bem em frente ao cine Belas Artes, se minha memória não falha. Parava ali por alguns instantes para ver os cartazes do filmes que seriam exibidos nos dias seguintes.
Na verdade, eu queria mesmo era ver os cartazes dos filmes do Mazzaropi anunciando a “avant premiere” com as presenças de Celly e Tony Campello. Aquilo me dava um orgulho danado de ter nascido em Taubaté.
Voltava para o trabalho feliz da vida depois de ouvir as pessoas que paravam para ver os mesmos cartazes que eu, dizerem que eram fãs da Celly, do Tony e do Mazzaropi. Que bom era ser um taubateano em São Paulo.