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domingo, 20 de fevereiro de 2011

TAUBATÉ, MEU AMOR

Ainda tenho vivo na memória o orgulho que sentia ao abrir o livro de geografia em meu terceiro ano de grupo escolar, que fazia em São Paulo, para estudar os traçados da recém-inaugurada via Dutra e da Estrada de Ferro Central do Brasil. Lá se vão mais de 50 anos.
A localização de Taubaté no mapa era destacada com um círculo em torno do pontinho preto que mostrava a posição da cidade no Vale do Paraíba. Terminei o grupo escolar em 1961 e tornei a Taubaté, com a família.
Nos meus 15 anos estava novamente em São Paulo. Meu orgulho de ser taubateano aumentava quanto mais sucesso faziam Cely Campello, Tony Campello, Hebe Camargo e os filmes de Mazzaropi, que lotavam as salas de cinema da capital.
Certa vez, no ônibus que tomava diariamente para ir ao trabalho, no centro da cidade, ouvi uma rapaz dizendo que havia feito o exame de madureza ginasial em Taubaté, “no Diocesano”. Ele gozava nossa forma caipira de falar. Fiquei irritado e pensei em tirar satisfação. Resolvi me calar. Sem sabe, o gajo deixou-me orgulhoso ser taubateano.
Comecei minha carreira jornalística no Diário de Taubaté, em 1979. Três anos depois era colunista político do ValeParaibano, quando passei a acompanhar a política regional. Naquela época, o jornal tinha esse poder. Não havia televisão regional, como hoje, nem tantas emissoras de rádio.
Meu interesse pela política taubateana vem desta época. Minha decepção com os prefeitos que administraram a cidade desde então, também.
A maior decepção foi José Bernardo Ortiz (PSDB), no qual jamais votei. Ele sufocou o surgimento de novas lideranças políticas na cidade. Não permitiu que o progressista Salvador Khuriyeh e o moderado Mário Ortiz se livrassem de seu jugo e se tonassem líderes de fato na política taubateana.
Os eleitores, inebriados sob a administração Ortiz, não percebiam que a cidade estava estagnada. Ortiz tratou Taubaté como um feudo. Como um déspota, exerceu sua suserania por longos quatorze anos. O prefeito Bernardo Ortiz não tinha auxiliares em sua administração. Tinha vassalos.
Aliou-se a Roberto Peixoto (PMDB) na eleição de 2000. Foi eleito pela terceira vez prefeito de Taubaté e ajudou a eleger Peixoto em 2004. 
A marca da passagem de Ortiz pela Prefeitura são os desmandos administrativos cometidos, num dos quais foi condenado em segunda instância pelo Tribunal de Justiça, e a péssima qualidade das suas obras.
Ortiz foi um prefeito tirano, principalmente com os professores, aos quais ameaçou de desemprego se não aceitassem trabalhar quarenta horas semanais e pagar aposentadoria por apenas vinte horas semanais.
Na ribalta, Ortiz costura a candidatura do filho Junior a prefeito de Taubaté no ano que vem. Tem o apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Condenado pela Justiça, não pode ser candidato nem a inspetor de quarteirão.
O decepcionante e frágil Roberto Peixoto (PMB) não será candidato e está tão enfraquecido que o candidato que se apresentar com o seu apoio não chegará ao segundo turno.
Está na hora de o eleitor taubateano eleger um prefeito que enxergue além de nossas divisas. Chegou a hora de escorraçarmos as velhas raposas da arena política taubateana.
Taubaté, você continua sendo a minha cidade querida, da Vila São Geraldo sem asfalto, do campo do bosque, onde, menino ainda, alguém me levava para ver jogos do EC Taubaté, do “Notícias do Dia” do Silva Neto, do mercado municipal onde trabalhava como carregador de cesta nos meus treze anos de idade.
É preciso mudar. Taubaté precisa de políticos jovens. O ranço tomou conta dos políticos de sempre. Taubaté precisa de sangue novo na política para acabar com o marasmo que toma conta desta cidade há pelo menos quarenta anos.
Mas não se preocupe Taubaté. Nós, o povo desta terra, nos orgulhamos de você.