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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

TIROTEIO PINDENSE

Depois da entrevista dada à TV Vanguarda, na qual revelou a participação de Arthur Ferreira dos Santos, secretário de Governo do prefeito João Ribeiro (PPS), no esquema de propina da Verdurama, que está sob investigação no Ministério Público de Pindamonhangaba, Silvio Serrano dá mais uma contribuição para fechar o cerco sobre o secretário do prefeito João Ribeiro.

Serrano, que foi secretário de Finanças de Pindamonhangaba entre 1° de janeiro de 2005 e outubro de 2010, quando foi demitido pelo prefeito João Ribeiro por conta das investigações que estão sendo feitas pelo Ministério Público, resolveu colaborar com as investigações, para livrar a própria cara das acusações que lhe são imputadas.

O ex-secretário de Finanças de Pindamonhangaba entregou à Câmara Municipal, que está conduzindo uma investigação própria, vários documentos que comprovariam a participação da Arthur Ferreira dos Santos como um dos beneficiários do esquema de propina montado pela Verdurama.

Antes, Arthur e Serrano jogavam no mesmo time. O que era amizade com interesses que somente as poltronas dos gabinetes de Arthur e Serrano testemunharam, agora virou um tiroteio cego. Todo mundo atira em todo mundo. Serrano acusa Arthur de corrupção e Arthur diz que vai processar Serrano por calúnia e difamação.

Quero ver Arthur provar na Justiça que o bilhete escrito por ele, de próprio punho, pedindo R$ 20 mil, não é dele. Quero ver Arthur provar que a conta em seu nome, no Bradesco, onde era depositada a propina, não é dele.


Quero ouvir uma explicação convincente do prefeito João Ribeiro (PPS) sobre a contratação de Arthur, em 2007, sabendo que este era empregado de Djalma dos Santos, ligado à Verdurama. Hoje, sabe-se que Djalma foi diretor dessa empresa, que tinha como “lobista” o cunhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo Ribeiro.


O prefeito de Pindamonhangaba deve uma explicação à população da cidade sobre sua amizade, cada vez mais suspeita, com Paulo Ribeiro, assíduo freqüentador de sua casa durante a campanha eleitoral de 2004, quando foi eleito para seu primeiro mandato.


João Ribeiro precisa explicar também quem o apresentou a Silvio Serrano, que foi seu secretário de Finanças por quase seis anos, que o ajudou a preparar as contas da campanha para a Justiça Eleitoral naquele ano. Serrano foi visto por mim no consultório de João Ribeiro dois ou três domingos antes do dia da eleição municipal de 2004. O próprio candidato afirmou que estavam (ele e Serrano) preparando as planilhas para prestar contas à Justiça Eleitoral.

Manoel Cesar Ribeiro Filho, irmão do prefeito de Pindamonhangaba, é outro que deve explicações à cidade. Por exemplo: que função ele exercia na empreiteira que cuidou da reforma de uma casa modesta adquirida por Djalma dos Santos para servir de sede para a rádio 94 FM, que ele acabara de adquirir.


Nessa época (2007), Manezinho Ribeiro, como é conhecido, não era mais funcionário na Prefeitura. Ele fora demitido da função de Diretor de Habitação a pedido do Ministério Público, que entendia que a sua manutenção no cargo era nepotismo que João Ribeiro, o prefeito, estava praticando.


O prefeito João Ribeiro deu entrevista exclusiva ao jornal O Vale, onde afirma que o processo a que está sendo submetido na Câmara Municipal é político e que sua possível cassação interessa ao vereador Ricardo Piorino (PPS), que assumiria a prefeitura. Piorino é o atual presidente da Câmara de Vereadores de Pindamonhangaba.


Não sei se Piorino tem algum apelido que carrega dos tempos de garoto. O fato é que o prefeito João Ribeiro sugeriu, na entrevista exclusiva, que ele tem uma caveira sobre sua mesa de trabalho na Câmara. Nos meus tempos de moleque, havia um herói nos quadrinhos chamado “Fantasma”, cujo símbolo era um anel com caveira.


O mesmo tipo de anel seria usado por Piorino. “Caveira” foi o tratamento dado a Ricardo Piorino em matéria publicada no início deste ano no portal MSN, onde foi publicado que Paulo Ribeiro, generosamente, deu uma caminhonete para um coveiro, que nem habilitação tem, seu empregado no cemitério Memorial da Paz, de sua propriedade.


Aliás, um carro funerário do cemitério era usado para transportar a merenda escolar para os alunos da rede pública da cidade, mas essa é outra história que está sendo apurada pelo Ministério Público.


O prefeito João Ribeiro precisa explicar à população de Pindamonhangaba como a Giss Online ganhou uma concorrência para informatizar a Prefeitura e, tempos depois, uma filha de Silvio Serrano (ex-secretário de Finanças de Pindamonhangaba) passou a trabalhar na empresa em questão. Aliás, uma amiga me disse textualmente que a Giss Online ganharia a concorrência em Pinda, caso a Prefeitura resolvesse se informatizar. E ganhou.


Alguém precisa contestar a denúncia feita pelo vereador José Carlos Gomes – Cal, durante acalorado debate na rádio Princesa FM na manhã de segunda-feira, 31 de janeiro. Vai ser difícil contestar. Nem o próprio Serrano tem como negar que sua filha prestou serviço à Giss Online.


O prefeito de todos os pindamonhangabenses tem que explica as nomeações de Santo Logato para o Setor de Arrecadação da Prefeitura e a de Marcelo dos Santos para o Setor de Licitação e Compras da Prefeitura, ambos por indicação de Silvio Serrano


Serrano, como se sabe, foi demitido em outubro de 2010, juntamente com Marcelo dos Santos e Santo Lorra... digo, Logato, que é acusado de receber dinheiro em espécie para pagamento do IPTU e o dinheiro desaparecia, sem chegar ao cofre municipal.


Por que Giss Online para controlar a arrecadação municipal se, pelo visto, não havia controle nenhum?


Falta uma explicação: por que Mário Garello, que foi trabalhar “de graça” na Prefeitura de Pindamonhangaba, igualmente indicado por Serrano/Paulo Ribeiro, quando ainda era funcionário da Prefeitura de Taubaté, só foi afastado do cargo que ocupava sem nomeação oficial após ataques furiosos do dono do Jornal da Cidade, José Antonio de Oliveira?


O prefeito João Ribeiro tem muito a explicar. Se vai convencer é outra história.