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terça-feira, 15 de março de 2011

POR QUE TAUBATÉ NUNCA TEVE PREFEITA?

Esta pergunta me intriga há pelo menos 40 anos, desde que votei pela primeira vez para prefeito de Taubaté, no comecinho dos anos 70. Nunca entendi por que minha cidade, que sempre se gabou de ser universitária, capital cultural do Vale do Paraíba, etc, nunca elegeu uma mulher para dirigir seu destino.


Ver. Maria da Graça (PSB), 24.112 votos (21.390 em Taubaté)
Seriam elas incapacitadas para administrar esta cidade que tem 366 anos de história? Ou nossa cultura conservadora, atrelada à sociedade patriarcal que marcou a formação da nossa sociedade nos séculos XVIII e XIX seria a causa da desconfiança do eleitorado?

De nada vale o progresso intelectual se as práticas conservadoras ainda dominam o cenário político taubateano no início deste século XXI. Nossas mulheres não seriam competentes o bastante para nos tirar do atoleiro político em que nos encontramos há mais de um século?

Ao longo de nossa história de muitos alcaides, somente duas mulheres se aproximaram do Poder Executivo da cidade. A professora Mércia Agostinho, ex-vice-prefeita do hoje vereador Mário Ortiz (DEM), e Vera Saba, que ocupa o posto atualmente.

Vice-prefeita Vera Saba (PT), 16.269 votos (11.909 em Tauaté)
O conservadorismo político e a própria submissão das mulheres até a metade do século passado explicam, em boa parte, a ausência de mulheres nos pleitos municipais, com as exceções de praxe, sempre como candidatas a vereadora, nada mais que isso.

A exceção fica por conta de Marilda Prado (PMDB) e Isabel Camargo (PHS), as únicas mulheres a disputarem as eleições municipais de Taubaté como candidatas a prefeita.

O município mais velho do Vale do Paraíba, que deu origem às demais cidades da região, jamais teve uma prefeita. Privilégio que já tiveram São José dos Campos (Ângela Guadagnin), Lorena (Regina Bartelega), e atualmente São Luís do Paraitinga (Ana Lúcia Bilard) e Cruzeiro (Ana Karin).

Taubaté jamais elegeu uma mulher para deputada estadual, por exemplo. São José dos Campos teve a médica Ângela Guadagnin como deputada federal. Aliás, Guadagnin foi a única mulher a ocupar cargo público relevante com residência no Vale do Paraíba desde a fundação da República.

Na eleição de 2010, a vereadora Graça (PSB) foi a que mais se aproximou de uma cadeira na Câmara Federal. Obteve 24.112 votos (21.390 votos em Taubaté). A vereadora Pollyana Gama (PPS) ficou com 11.753 votos (9.444 em Taubaté). Vera Saba (PT), candidata a deputada estadual, deixou as urnas com 16.269 votos (11.909 em Taubaté).

Ver. Pollyana Gama (PPS), 11.753 votos (9.444 em Taubaté)
Se considerarmos as dificuldades enfrentadas pelas nossas candidatadas – falta de apoio do próprio partido, falta de material de campanha, etc – pode-se dizer que as três tiveram votações expressivas e podem acalentar sonhos mais reais que a de uma simples candidatura, sem qualquer perspectiva.

O Brasil respondeu ao conservadorismo político, à mídia golpista, às forças religiosas e aos adoradores do retrocesso que estamos em outro patamar, elegendo uma mulher para a presidência da República.

Que o sucesso de Dilma Rousseff, que destruiu o paradigma conservador machista da política nacional, sirva de estímulo para que mais mulheres sejam candidatas nas eleições vindouras, a começar pela eleição municipal do ano que vem.

Por que Taubaté nunca teve uma prefeita?