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sexta-feira, 1 de abril de 2011

MOBILIZAÇÃO POPULAR

Diante de tantas denúncias contra a administração municipal de Taubaté, o que era para ser uma manifestação de professores descontentes com os salários e a falta de um plano de carreira decente, deve se transformar numa grande manifestação popular contra a (in)administração do prefeito Roberto Peixoto (PMDB).

Os manifestantes vão se reunir na Praça Santa Terezinha a partir das 8h30, para demonstrar sua indignação contra a administração municipal, farão discursos de protesto e depois seguirão, em passeata, até à Praça Dom Epaminondas, no coração desta cidade quase quatrocentona.

O que era previsto pela vereadora Pollyana Gama (PPS), quando Peixoto conseguiu aprovar o banco de horas e reajustar os salários dos servidores municipais com horas extras, já está acontecendo.

Os motoristas “descobriram” que as horas extras que estão fazendo acima das 60 estipuladas pela administração,não se transformam em dinheiro. O descontentamento dos nossos “pilotos” está apenas começando. Mais um mês sem receber pelas horas trabalhadas e o fuá estará pronto. Esta pedra já estava cantada, mas Peixoto pagou para ver.

Os organizadores do Dia de Manifestação contra o aos em que se transformou a administração municipal esperam o comparecimento de um grande público.

Na pauta das manifestações estão os salários dos servidores municipais e dos professores da rede pública municipal, a dengue, o descaso com a limpeza da cidade, a frota municipal sucateada, os R$ 6,5 milhões de adiantamento dados a uns poucos funcionários, a renovação do contrato com a Sabesp, o abandono do patrimônio histórico municipal e as investigações em andamento no Ministério Público sobre a merenda escolar e a EB.

Motivo para protestar não falta. Abaixo, reproduzo email enviado pelo professor Silvio Prado acerca dos últimos acontecimento taubateanos.

Os 1800 professores da rede municipal de ensino estão de olho na movimentação que nesses dias ocorre entre a câmara municipal e a prefeitura.

Excluídos da proposta salarial feita pelo prefeito Roberto Peixoto, na base da pressão eles conseguiram colocar uma emenda no projeto aprovado pelos vereadores na ultima sessão da câmara, na quarta feira, 24.

Porém, o prefeito vetou a emenda feita e aprovada pelos vereadores. Se o projeto retornar à câmara e for ao plenário na sessão dessa quarta-feira, conforme já andam dizendo alguns vereadores, o veto do prefeito permanecerá intacto.

Só mesmo gente extremamente inocente espera que uma câmara de vereadores com pés, mãos e bolsos amarrados ao executivo possa confrontar a vontade imperial do prefeito local. E o professor municipal, que nos últimos tempos tem demonstrado um crescente nível de politização, sabe que a câmara de Taubaté é um lago onde o prefeito nada de braçada.

Essa briga por melhorias salariais feita pelos professores municipais traz dados extremamente positivos para a cidade. Hoje a rede de ensino local, após a efetivação dos professores aprovados em seu último concurso, possui um perfil bem diferente de outros tempos.

Mais de cinqüenta por cento dos professores contratados e efetivados pelo município são provenientes de vários lugares do Brasil e, portanto, não tem nenhum compromisso com acertos políticos que sempre fizeram inchar a rede municipal e consequentemente a domesticaram paralisando toda tentativa de reivindicação através de lutas coletivas.

Esses professores foram para a sala de aula pelo mérito do concurso público e não pela indicação desse ou daquele vereador, coisa ainda comum na rede municipal em se tratando de diretor de escola ou supervisor de ensino.

Por outro lado, mesmo sendo em sua maioria bastante jovens, uma boa parte desses educadores são originários de redes de ensino onde a existência de sindicatos razoavelmente organizados mantinham uma tradição de luta e reivindicação por direitos. Trata-se de gente experiente em lutas pela melhoria do ensino público.

Portanto, a presença de centenas de professores na sessão da última quarta-feira não se deu por acidente. Ela foi o resultado de uma série de pequenas reuniões, conversas, troca de telefonemas ou mensagens eletrônicas entre os quase dois mil professores, que estão ansiosos não só por melhores salários, mas também por coisas fundamentais para todo professor, como plano de carreira, democratização da rede, o fim do assédio moral etc.

Um grupo significativo e mais organizado de professores mantém até um blog para melhor informar seus colegas de rede. Esse mesmo grupo, na convocação para a sessão da quarta-feira chegou a pedir que os professores comparecessem a sessão, em sinal de protesto, vestidos de preto. Quem esteve na câmara pode observar que o chamado desse grupo foi devidamente atendido. Em 15 de outubro de 2010, no ato que comemorava o dia do professor, realizado na câmara municipal, obedecendo ao chamado desse mesmo grupo, pelo menos 60 professores lá estiveram e, também vestidos de preto e portando inúmeros cartazes, realizaram um duro protesto e fizeram o vereador Chico Saad, um dos oradores naquela noite, passar por um dos maiores constrangimentos de sua carreira política.

Se o prefeito e vereadores acham que o veto da emenda que concederia melhorias salariais aos 1800 professores do município botará um fim no movimento, eles estão enganados. Quem tem acompanhado essa nova safra de professores municipais sabe muito bem que o movimento não deve parar por aí. Ele seguirá adiante.]

A presença dos professores municipais na luta por seus direitos e na luta pela defesa da educação já começa a acrescentar uma nova qualidade na vida política de Taubaté.

Silvio Prado
(Professores independentes)