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quinta-feira, 7 de abril de 2011

PROFESSORES FORMAM COMISSÃO E VÃO À LUTA

Pelo menos 29 professores da rede pública municipal de Taubaté decidiram formar uma comissão mista, com a participação de vereadores, para prosseguirem discutindo com a Prefeitura o reajuste salarial para a categoria e o plano de carreira, que inexiste.
O encontro de professores teve a participação dos vereadores Jeferson Campos (PV), presidente da Câmara Municipal, Pollyana Gama (PPS), que vem liderando a luta dos professores da rede municipal de ensino, Graça (PSB), Rodrigo Luís Silva – Digão (PSDB) e Maria Tereza Paolicchi.

A vereadora Pollyana Gama disse que há respaldo para a aplicação de reajuste de pelo menos 15% para os professores.

Segundo Pollyana, o veto do prefeito Roberto Peixoto ao reajuste aprovado pela Câmara de 40,9% para a categoria pode ser derrubado por ter sido apontada a fonte de recursos. Disse também que há respaldo para derrubada do veto, pois foi apontada a fonte dos recursos e as rubricas que deveriam ser modificadas.

O primeiro passo da comissão mista será protocolar um pedido de reunião com o prefeito Roberto Peixoto para discutir o reajuste salarial de 40,9% e o plano de carreira para a categoria.

A comissão sugere que a reunião seja marcada em um desses dias: 12, 14 ou 15 de abril. Caberá ao prefeito Roberto Peixoto definir qual dos dias sugeridos para o encontro. O secretário da Educação, professor Carlos Rodrigues, também deverá participar da reunião.

Fica, portanto, temporariamente suspensa a manifestação que os professores fariam nesta quinta-feira 07/04) em frente à Prefeitura.

Na verdade, os professores dão um voto de confiança ao prefeito Roberto Peixoto. Até quando eles terão paciência, só o tempo dirá.

Abaixo, reproduzo texto do professor Sílvio Prado, criticando a baixa qualidade das construções escolares de Taubaté e elogia a atuação dos professore, que permanecem mobilizados por melhores condições de trabalho e um plano de carreira que, por enquanto, existe apenas no papel.

PROFESSORES MUNICIPAIS, CATEGORIA DE LUTA

De olho nas montanhas de dinheiro que a municipalização do ensino poderia trazer, os prefeitos que governaram Taubaté nos últimos quinze anos não perderam tempo e, a partir da metade da década de noventa, a cidade começou a ver a proliferação de escolas construídas pela prefeitura.

Como dinheiro fácil leva rapidamente à perda de escrúpulos, a farra da construção de escolas não obedeceu a qualquer critério público civilizado. O que prevaleceu foram interesses pessoais e eleitorais bem conhecidos.

Construiu-se escola em todo lugar e em qualquer circunstância, ignorando propositadamente que a cidade possuía já uma rede de escolas estaduais estrategicamente localizadas e construídas dentro de padrões arquitetônicos compatíveis com a finalidade de uma escola.

Diferente foi o que se viu na farra de construções engendradas pela prefeitura local. Um grande número de prédios escolares construídos pelo município possui aberrações que envergonham qualquer estudante de engenharia civil. Alguns foram tão mal planejados que chegam a lembrar verdadeiros barracões que pela força das circunstâncias tiveram que suportar divisões, comportar salas de aulas e virar escolas.

Não dá para acreditar que prédios mal ventilados, com salas geralmente pequenas, corredores estreitos, pátios construídos sem o mínimo senso pedagógico, todos tendo como telhado um material que assimila calor e torna o ambiente insuportável foram pensados para ser uma escola.

Em contrapartida à expansão da rede municipal e suas salas geralmente superlotadas, o que se viu foi o esvaziamento da rede pública estadual. Com a investida da prefeitura na expansão de sua rede de educação, centenas de professores da rede estadual tiveram que buscar trabalho em outras cidades e até em outras regiões do estado, um problema que em curto prazo não terá solução.

Enquanto os professores estaduais saiam de Taubaté, bem mais de mil professores de outras cidades do estado e até de outros lugares do país para cá vieram quando aprovados nos concursos que a justiça praticamente obrigou a prefeitura a realizar.

A vinda de professores de outros lugares quebrou uma prática que durante algum tempo fez da rede municipal um cabide de emprego a serviço de interesses eleitorais descarados. Antes, qualquer vereador ou cabo eleitoral de algum candidato vitorioso se achava no direito de colocar na rede quem quisesse, seja na condição de professor, diretor ou supervisor de ensino.

Hoje, mesmo depois do concurso público para professor, esse fato ainda é possível de ser constatado quando se trata de diretor de escola ou supervisor de ensino. Não faz muito tempo, um ex-prefeito chegou a dizer que diretor de escola não precisa ser concursado, pois só pode ocupar esse cargo aquele que for de confiança do prefeito.

O magistério local vive agora sem as amarras dos mesquinhos e estreitos interesses de políticos da cidade. Portanto, livre e sem amarras esses professores nos últimos dias têm demonstrado que são capazes de atitudes que podem mexer profundamente na conjuntura da política local.

São eles, não só no conjunto do funcionalismo local, mas no âmbito de toda a cidade, os que demonstram maior disposição e força para encostar o governo Peixoto na parede e dele arrancar as melhorias salariais e profissionais que reivindicam.

Os professores municipais através de seu movimento estão fazendo algo que os descontes com o governo Peixoto não souberam e nem tiveram força para fazer: expor à população, de forma direta e sem retoques, o quanto esse governo é ruim, atrasado e maléfico para a educação e, conseqüentemente, para a cidade toda.
Silvio Prado
Professores Independentes