Páginas

domingo, 15 de maio de 2011

É PROIBIDO PROIBIR



Em meados dos anos sessenta, há mais de quarenta anos, portanto, Caetano Veloso lançava a música “É proibido proibir”, um protesto contra o regime militar, em consonância com os vários movimentos culturais e políticos ao derredor do mundo.

Naquela época, os jovens estudantes franceses lutavam contra o conservadorismo político em seu país, o movimento hippie grassava na Europa e nos Estados Unidos, a Guerra do Vietnã estava no auge, a luta contra o racismo nos Estados Unidos avançava e o assassinato de Che Guevara na Bolívia, entre outros acontecimentos, marcaram a década de sessenta.

Fiz esta digressão na manhã de sábado, ainda na Praça Santa Terezinha, ao ver alguns integrantes do movimento “Limpa, Taubaté”, que se preparavam para outra marcha contra as muitas denúncias de corrupção na Prefeitura, com jornais nas mãos, cuja manchete estampava a proibição que teria sido feito à passeata, sob a alegação de que o trânsito seria prejudicado.

Uma desculpa frágil. Consultados sobre a proibição, os policiais que estavam na praça foram mais sensatos que o gênio municipal que baixou a ordem excrescente, que só se via durante o regime militar.

Quem me garante que os policiais que ocupavam a viatura que protegia a retaguarda da passeata estavam lá somente como profissionais responsáveis pela manutenção da ordem pública?

Quem me assegura que, mesmo fardados e ocupando um veículo oficial, não estariam eles travestidos de cidadãos comuns e protestando, mesmo que intimamente, contra os ocupantes atuais do Palácio do Bom Conselho?

A Constituição garante ao cidadão brasileiro o direito de ir e vir. Não poderia ser uma ordem esdrúxula, que saiu da cabeça de algum mentecapto da Prefeitura, que iria parar um movimento que cresce a cada dia.

Cerca de cem protestantes marcharam da Praça Santa Terezinha à Praça Dom Epaminondas, promoveram apitaço, chamaram a atenção da população, conseguiram centenas de assinaturas para o abaixo-assinado que será levado à Câmara Municipal exigindo a cassação do prefeito Roberto Peixoto.

Não houve nenhuma manifestação de repúdio contra a passeata, nem dos motoristas que passavam pela Rua Dr. Pedro Costa, ao lado dos manifestantes, e muito menos de quem saiu à porta de casa ou do escritório para ver o bloco passar.

Sem subverter a ordem não há como protestar, não há como demonstrar repúdio. Taubaté está a precisar de uma revolução moral nos costumes políticos. Os jovens que participaram da passeata de sábado estão descobrindo que há muita poeira acumulada ao longo dos anos de obscurantismo político que vivemos. É preciso oxigenar a cidade. Chega de coronelismo!

Em frente à Catedral, manifestantes cantam Hino Nacional e gritam palavras de ordem contra o prefeito Robeto Peixoto

Será que estamos vislumbrando novos tempos políticos para nessa cidade quase quatrocentona?