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sexta-feira, 20 de maio de 2011

HISTÓRIA RECENTE DA POLÍTICA E DA ECONOMIA PINDAMONHANGABENSE


O texto abaixo foi publicado pelo Jornal da Cidade na edição de sábado (14/05). Pindamonhangaba precisa conhecer sua história política recente e saber quem foi o verdadeiro responsável pela pujança industrial existente nesta cidade atualmente.

João Bosco Nogueira revolucionou a economia pindamonhangabense
Os jovens pindenses, que hoje trabalham em fábricas, lojas, escritórios, consultórios, hospitais, prestadoras de serviço, estudam em colégios particulares ou na rede pública, desconhecem a história política dos últimos quarenta anos desta cidade, que foi abrigo de barões e viscondes no século dezenove.

A oligarquia rural pindamonhangabense foi derrotada nas urnas, em 1972, por um jovem advogado de vinte e nove anos, João Bosco Nogueira, que provocou o rompimento político com um passado que deveria ser preservado pelos compêndios escolares.

A busca por novos horizontes políticos e econômicos passava pela renovação de uma Pindamonhangaba oligarca. O jovem vereador João Bosco Nogueira, ainda no cumprimento do mandato pelo MDB, lançou-se candidato a prefeito, disposto a abrir as portas da modernidade para a cidade.

O golpe militar de 1964 entrava em seu oitavo ano de vida. “Convidado” pelo comando do 2º Batalhão de Engenharia de Combate, Bosco havia visitado o quartel do Exército na cidade mais de uma vez. Os militares queriam conhecer as atividades políticas daquele jovem oposicionista ao regime militar.

João Bosco disputou a Prefeitura de Pindamonhangaba por uma das sublegendas do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), ao lado de Paulo de Andrade e José Raul Machado Ribas. O MDB, partido de oposição, era chamado de "mandra braza".

A ARENA (Aliança Renovadora Nacional), partido de apoio ao regime militar, lançou o Dr Romano (Francisco Romano de Oliveira), Moacyr de Almeida e Francisco Piorino Filho.

Pindamonhangaba era, nos anos setenta, a oitava economia do Vale do Paraíba, atrás de Caçapava, Lorena, Guaratinguetá, Cruzeiro, Jacareí, São José dos Campos e Taubaté.

A cidade tinha duas fábricas importantes: Cícero Prado (Fazenda Coruputuba), fabricante de papel e celulose, e a AISA, indústria de alumínio, mais algumas pequenas cerâmicas. O restante da arrecadação municipal provinha da agricultura e de um comércio ainda incipiente.

Entre 1973 e 1976, Bosco trouxe para Pindamonhangaba nada menos que a Villares e a Confab, esta com duas unidades, a Tubos e a Equipamentos. Na mesma época vieram a Alcoa (comprou a AISA), a Fruehauf, Coca-Cola, a Metalco e a Viés Americano, entre outras.
Na mesma eleição, João Bosco e seu irmão, Fernando Nogueira, pegaram o menino Geraldo Alckmin Filho pelas mãos e o transformaram no vereador mais jovem do Brasil, aos 19 anos de idade.

Quatro anos mais tarde, pelas mãos de João Bosco, Alckmin se transformaria no prefeito mais jovem do Brasil, aos 23 anos. Pindamonhangaba enfrentava um período de prosperidade e otimismo.

 
Obras iniciadas por João Bosco foram continuadas por Alckmin, como o Centro Esportivo João Carlos de Oliveira – João do Pulo, e vice e versa. A cidade não parou de crescer e outras indústrias vieram para a cidade nos anos seguintes.

Alckmin ganhou dois anos de prorrogação de mandato. Bosco disputaria a Prefeitura novamente em 1982, com Eduardo Sant-Martin e Paulo de Andrade pelo MDB, Getúlio Guimarães, Arlindo Paim Filho e Roberto Aguiar pela ARENA. Ficou no cargo até 1988.

Hoje, praticamente quarenta anos depois, Villares e Confab (agora Tenaris), respondem por cerca de oitenta por cento do ICMS produzido na cidade. Foi o dinamismo de um jovem prefeito que possibilitou o surgimento de uma nova Pindamonhangaba, que encontrou na industrialização sua nova vocação.

Quando dizia nos comícios eleitorais de 1972 que Pindamonhangaba era dominada por uma oligarquia rural decadente, João Bosco estava dando a senha do que seria a cidade sob a sua administração.

Visionário e sonhador, Bosco queria antecipar o futuro e abrir novas expectativas para os pindamonhangabenses. Conseguiu.

O que seria do mundo sem os jovens e os sonhadores? Chegou a hora de Pindamonhangaba se renovar politicamente. A cidade precisa se arejar e buscar novas alternativas. É hora de renovar.