Páginas

sábado, 18 de junho de 2011

AO MEU AMIGO BARÃO DE PASSA QUATRO

Os acontecimentos políticos recentes de Taubaté foram parar no CQC, no Fantástico, no Jornal Nacional, produziram eco por todo o Brasil e indignação entre nós, taubateanos. Escrevo-lhe porque também estou indignado com tamanha injustiça.

O desvelo da (in)justiça em te julgar e mandá-lo para a cadeia de forma célere não é menor que o dos executores da ordem da prisão, que usaram o aparato policial para sair à sua caça como se estivessem atrás de um chefe mafioso, de um grande assaltante de banco ou de um traficante internacional.

A indignação por sua prisão ficou por conta de seus filhos, dos amigos mais próximos e de quem gostaria de ver nosso alcaide, que tira merenda e remédio da boca da população mais carente, em seu lugar.

Este grito, amigo Barão, tem como objetivo alertar os que têm a infinita paciência de ler minhas postagens para as injustiças que se comete nos porões de nossa sociedade hipócrita.

A hipocrisia está instalada no andar superior dessa sociedade. Aqueles que se apresentavam como amigos quando, ainda em liberdade, você dirigia o Matéria Prima, temiam sua língua ferina, porque você jamais medrou diante da hipocrisia que acompanhou, como jornalista ou como empresário bem sucedido que foi.

Esses “amigos”, caro Barão, foram os primeiros a procurar a polícia para levar informações que pudessem facilitar sua prisão. Um desses policiais usou o aparato do Estado, com veículo oficial e funcionários públicos, para prendê-lo. 

Todos pagos por nós, reles pagadores de impostos. Antes que me esqueça, os operadores da Justiça (juizes, promotores, oficiais de Justiça) recebem do mesmo cofre público e são igualmente pagos por nós.

A calhorda do andar de cima respirou aliviada. A justiça estava feita. O “facínora” estava preso. O policial virou herói dos hipócritas. Assim caminha a humanidade.

Para os amigos internautas entenderem o que se passa na cabeça dos filhos de José Diniz Junior, o Barão de Passa Quatro, reproduzo o email que um deles escreveu, em tom de desabafo, há mais de um mês.

Leiam e reflitam sobre a hipocrisia que é nossa sociedade. 

“Acabamos de chegar do Presídio. Fomos lá, eu e meu irmão, visitar meu pai e não aguentei, apesar da vergonha de falar sobre esse assunto, resolvi escrever para desabafar. Bom vamos lá: Após parar meu carro bem longe, passamos pela primeira guarita e... nos dirigimos até o portão principal para tomarmos aquela geral. Abriram o portão, pegaram nossos documentos, a chave do carro, nos dirigimos até uma salinha e tiramos a roupa toda. Tudo o que levamos para meu pai, bolachas, frutas, chocolates e água, abriram, olharam e cheiraram. Segurança! Como se eu e meu irmão fossemos o tipo de pessoas capazes de levar qualquer coisa lá para dentro se não amor e carinho para meu pai. Tudo bem, não nos conhecem, não sabem da educação e dos valores que nos foram dados pelos nossos pais e avós. Continuando: Após essa delicia de recepção, estávamos nós de volta naquele local, onde jamais imaginarei que voltaria, aliás, onde jamais imaginei se quer passar perto. Chegando lá dentro, caminhamos por alguns bons metros, passamos por vários portões até o encontrarmos. Sim, encontramos nosso pai, e não o perigoso Diniz. Ué, e não é perigoso? Ou para estar lá dentro não tem que ser pelo menos dons bons o pior? Encontrei meu pai, um senhor cheio de cabelos grisalhos, mais magro, barba por fazer, cheio de picadas de insetos, envergonhado e triste, muito triste. Isso mesmo, inacreditável, meu pai triste! Um senhor, triste, despido de sua mascara de alegria rotineira, o que por sinal muitas das vezes até o atrapalha, deixando-o inconveniente. Ah e caso não saibam, 66 anos de idade, isso mesmo, quase 70 anos. P E R I G O S Í S S I M O!!! Ficamos lá por horas, não querendo estar sequer nem um segundo. Conversamos de tudo, ouvi muito menos do que falei, e como falei, como se não soubesse que não adianta coisa alguma. Já sei que não adianta, sempre foi assim! Pedimos como sempre pra não fazer mais o jornal, aliás como sempre pedimos. Sei que não adianta, ama aquela porcaria. Caso não saibam, nunca li, nunca mesmo, O D E I O! Queria saber do Pedro e da Beatriz, seus netos, isso mesmo netos, ele já é avô de dois e vem vindo mais um do Tatau, o Lucas. Mais uma vez digo P E R I G O S Í S S I M O! Após nosso longo bate-papo, aliás mais meu duro monólogo que bate-papo, resolvemos vir embora. Estou acabado, pesado, triste e não posso negar: Indignado! Indignado com o que acontece em nossa cidade, em nosso país, sei lá aonde. Como podem prender uma pessoa que nem ele, junto aqueles outros que lá estão. Pelo amor de Deus, sem discriminação alguma! Nesses casos não existe uma multa para pagar e resolver tudo? Não poderia ser feito uma retratação naquela porcaria de jornal pelas pessoas ofendidas? Posso pensar errado daqueles que resolvem, dos que decidem, mas está tudo errado! Não tem critério! Para continuar, apenas um dado: Vcs sabiam que em Taubaté, até a data de hoje, temos mais de 30 homicídios, e caso também não saibam, vários sem solução. Estava viajando e fui avisado que meu pai agora era prioridade da policia de Taubaté. Rí... Fiquei sabendo que a polícia recebia várias informações, denuncias, telefonemas anônimos, ofícios protocolados e visitas diárias a delegacia de ridículos famosos desocupados cobrando sua prisão. Rí de novo... Na verdade rí para não chorar! Como é que pode certas pessoas, já de idades bem avançadas, aliás, como meu pai, perderem seu valioso tempo ocioso com esse tipo de coisa, caguetando, dedurando, fazendo fofocas. Não é esse o defeito que mais recriminam em meu pai? Por que não ocupam seus precisos tempos ociosos em seus fictícios ofícios. Na verdade porque não tem ofícios, fingem trabalhar, ou não é verdade? E por falar nesses velhos ridículos, engravatados desocupados, fofoqueiros de plantão, vou dar um conselho: usem suas patentes em algo realmente importante, prendam qualquer outro tipo de pessoa que seja capaz de fazer mal a alguém, pois meu pai garanto, não faz mal a ninguém a não ser a sí próprio. Dennis DINIZ”