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quarta-feira, 15 de junho de 2011

TIQUE NERVOSO E GESTOS LARGOS MARCAM DEPOIMENTO DE PEIXOTO NA CÂMARA E NÃO ESCLARECE DÚVIDAS SOBRE SUA RELAÇÃO COM A ACERT E COMPRA DE MEDICAMENTOS

Roberto Peixoto não depôs: discursou, desrespeitou o Poder Legislativo e não conseguiu provar lisura administrativa
Não foi desta vez que a Comissão Processante ouviu o prefeito Roberto Peixoto (PMDB) desmentir as obscuras relações da Prefeitura com a ACERT para a compra e distribuição de medicamentos em 2008 e 2009.

Os advogados de defesa tumultuaram o final do depoimento de Peixoto ao levantar uma questão de ordem e desaparecer com documentos que eram para ser anexados nos autos.

Os ânimos se exaltaram e a vereadora Pollyana Gama, presidente da Comissão Processante, chegou a dar voz de prisão aos advogados de Peixoto.

Atendendo orientação da Assessoria Jurídica da Câmara, a vereadora determinou que os documentos retiradas ilegalmente do processo pelos advogados de Peixoto sejam entregues nesta quarta-feira (14/06).

Em seu peculiar estilo demagógico/grandiloquente, Peixoto comoveu quem foi à Câmara para se comover com a sua locução: funcionários públicos municipais que deveriam estar em seus locais de trabalho e uma pequena e barulhenta torcida convocada por Sônia Betin para clamar por sua absolvição.

O QUE FALTA EXPLICAR 

Nas mais de duas horas que ocupou a tribuna da Câmara para responder às acusações que lhe são feitas, Peixoto não respondeu nenhuma delas.

Passou praticamente o tempo inteiro tentando incriminar um assessor da vereadora Pollyana que foi seu funcionário na Prefeitura e estranhava que a CEI da ACERT tenha se realizado após ele ter deixado o Departamento de Saúde da Prefeitura, do qual era gerente.

Peixoto passou ao largo do principal sócio da ACERT ter sido presidente da Comissão de Licitações da Prefeitura. Em nenhum momento citou citou Carlos Anderson, em nome de quem a ACERT foi aberta, coincidentemente após a falência da Home Care.

Em nenhum momento Peixoto disse que a Home Care comprou cerca de R$ 3 milhões em medicamentos para a Prefeitura e jamais viu a cor do dinheiro.

Ele não disse, por exemplo, que o remédio comprado pela Home Care e entregue à Prefeitura serviu para a sua campanha política à reeleição em 2008.

Ele não disse que a eleição de 2008 foi salva pela Home Care, que o Pronto Socorro, a farmácia municipal e os Pamos não tinham remédio. Não disse que os médicos queriam parar de trabalhar por falta de medicamento. Foi um depoimento mentiroso, porque em nenhum momento Peixoto abordou a denúncia da qual é acusado.

Peixoto e o advogado Alfredo José Gonçalves Rodrigues, que tumultuou a sessão para dar sumiço a documentos
Mentiu tanto que seus advogados se viram obrigados a tumultuar o final da sessão. O subterfúgio deu resultado parcial. Os advogados só não abandonaram o plenário carregando os documentos que Peixoto exibia como se verdadeiros fossem graças a atuação enérgica da vereadora Pollyana Gama, que requisitou força policial para impedir a fuga dos mesmos.

Criaram um fato e usarão esse fato em defesa de Peixoto. O povo quer justiça e justiça significa a cassação de Peixoto. Que a Câmara Municipal não se acovarde e deixe o bonde da história passar novamente pela Casa Dr. Pedro Costa.