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segunda-feira, 11 de julho de 2011

NOTÍCIA DESTRAMBELHADA SERVE PARA OPINIÕES DESTRAMBELHADAS TAMBÉM

Acompanho diariamente o noticiário sobre os fatos que mancham a vida política de Taubaté nos últimos meses envolvendo a dupla Peixoto & Peichoto (com CH). Uma notícia destrambelhada serve para comentaristas políticos decretarem, por exemplo, que o (ainda) prefeito Roberto Peixoto está livre para prosseguir seu destrambelhado governo.

APURAÇÃO
Entendo a pressa da repórter Simone Gonçalves, de O Vale, em noticiar que “Relatório da Câmara descarta superfaturamento de remédio”. Ela trabalha na sucursal de Taubaté e o deadline é mais apertado para os repórteres que não trabalham na matriz. Jornalisticamente ela está correta. Aliás, a manchete não é de autoria das sucursais.

REPRIMENDA
Meu amigo Hélcio Costa,editor do jornal, um dos mais competentes jornalistas de nossa região, com quem tive o prazer de trabalhar nos anos 1980, no “fechamento” das edições diárias do ValeParaibano, não gostou da crítica que fiz à matéria, que suscitava mais dúvidas que esclarecimentos aos leitores.

RAZÃO
Aceitei o posicionamento de Hélcio Costa diante da crítica que fiz e ressaltei a fidalguia da repórter Simone Carvalho com o noticiário político de Taubaté. Produzi centenas de manchetes para o ValeParaibano ao lado do próprio Hélcio Costa, na matriz do jornal, em São José dos Campos, e entendo que ela precisa ser chamativa, para “prender” o leitor.

INTERPRETAÇÃO
O jornal O Vale, sucedâneo do ValeParaibano, pauta diariamente o noticiário matutino das emissoras de rádio da região. Os comentaristas aproveitam as reportagens do jornal para emitirem opiniões superficiais, sem fundamentação, que mais confundem do que esclarecem os ouvintes.

ABSOLVIÇÃO
Foi assim, por exemplo, com a divulgação da matéria sobre o resultado da perícia feita, a pedido da Comissão Processante, no relatório da Assessoria e Consultoria Empresarial (ACE), que utiliza o termo superfaturamento para falar em evidências encontradas nas compras emergenciais de medicamentos.. Os “comentaristas” não titubearam e absolveram o prefeito canastrão.

CONDENAÇÃO
Como se não bastasse absolver Peixoto, condenaram a Comissão Processante. “Julgaram” extinto o processo de cassação e instalaram a confusão na cabeça dos ouvintes, jogando-os contra os vereadores (Pollyana, Digão e Graça) que trabalham no caso e cumprem os ditames do Decreto-lei 201/67.

FRUSTRAÇÃO
A prova que os trabalhos estão corretos pode ser comprovada pela terceira tentativa frustrada de Peixoto de defenestrar a vereadora Pollyana Gama da presidência da Comissão Processante. Nem o juiz da Vara da Fazenda Pública, Paulo Roberto da Silva, acolheu o pleito “peixoteano”.

INVENCIONICE
Este blog não tem a pretensão de por fim à discussão inócua sobre o propalado superfaturamento na compra de remédios pela ACERT, uma vez que o relatório do escritório de contabilidade ACE (Assessoria e Consultoria Empresarial) usa o termo para explicar que em determinados produtos havia evidências de superfaturamento.

MARACUTAIA
A maracutaia do (ainda) prefeito Roberto Peixoto, da primeira-dama Luciana Peichoto (com CH), do médico Pedro Henrique Silveira e demais componentes da quadrilha denunciada pelo promotor José Carlos Sampaio, do Ministério Público local, está na compra emergencial de medicamentos.

SUPERFATURAMENTO


O superfaturamento feito na modalidade de compra emergencial chegou a exatos R$ 3.111.502,19 (três milhões, cento e onze mil e quinhentos e dois reais e dezenove centavos). Abaixo, a tabela comparativa elaborada pelo ACE nas compras emergenciais e na comprar pela modalidade pregão.

MERCADO
Todos sabem que o mercado tem leis pétreas. O preço aumenta quando a oferta é menor que a procura e diminui quando a oferta é maior.

PREGÃO
Pregão nada mais que um leilão ao contrário, isto é, vence o quem pede o menor preço por sua mercadoria.

BINGO
O amigo leitor deve ter participado pelo menos uma vez na vida de um leilão beneficente. Neste tipo de leilão, leva a mercadoria quem oferece o preço mais alto por ela.

COMPRA
Imagine que um amigo precisa de dinheiro e quer vender o carro. Ele vai vender por preço abaixo da tabela. Porém, se você deseja comprar um carro usado, o preço será acima da tabela. É você que pretende comprar, não seu amigo que pretende vender.

EMERGÊNCIA
Compre emergencial é isto. No caso taubateano, a Prefeitura tinha necessidade de comprar. Quem precisa comprar paga mais caro. Foi exatamente isto que a quadrilha urdida por Peixoto & Peichoto (com CH) imaginou ao criar a ACERT, com a concorrência do contador Carlos Anderson.

LADROAGEM
Do total de R$ 7.391.422,67, o relatório-ACE concluiu que apenas R$ 612.572,80 (8,29% do total comprado) “foram efetivamente comparados” com os preços de mercado, para justificar as compras emergenciais. A ladroagem se tornou efetiva com as compras emergenciais.

CANTILENA
“Deixa o homem trabalhar” foi o que mais se ouviu na cidade nos dias que se sucederam à divulgação da notícia. Um vizinho, dono de uma mercearia aqui pelos lados do Parque Paduan, estava revoltado no sábado quando conversávamos sobre os (tristes) acontecimentos taubateanos. “Esses ‘caras’ (comentaristas) pensam que somos trouxas. Que deixa o homem trabalhar que nada. Ele (o prefeito) tem que ser cassado e preso”.