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quinta-feira, 28 de julho de 2011

O FIM DO JORNALISMO INTERPRETATIVO E O CUSTO ASTRONÔMICO DA DEFESA

Ser jornalista não é ser um mero empregado burocrata a serviço dos interesses da empresa à qual serve. Falta um fundamento básico aos profissionais que estão chegando ao mercado de trabalho: experiência para cobrir fatos políticos e coragem para relatar o que de fato foi dito.

ESTRABISMO
Que a mídia é estrábica todos sabemos. Sem experiência, repórteres se acotovelam para acompanhar depoimentos de testemunhas de defesa e de acusação sem entender direito o que está se passando. Refiro-me à sessão da Comissão Processante de quarta-feira (27/07) na Câmara Municipal.

INEXPERIENTES
Não vou culpar os repórteres que acompanham os trabalhos da Comissão Processante na Câmara Municipal. Seria muito cômodo da minha parte. A visão estreita dos jornais O Vale e Bom Dia reforçam minha tese. São duas jovens repórteres com muita vontade, mas com pouca experiência. Não entenderam o teor dos depoimentos e caíram na lábia de advogados caríssimos contratados para defender o prefeito canastrão.

CONSELHO
Peço encarecidamente aos jovens repórteres, especialmente àqueles que trabalham em jornais, que leiam mais sobre política, se inteirem de todos os fatos que cercam um determinado assunto para que seus textos sejam substanciosos. É assim que vocês irão se destacar na desgastante profissão que escolheram para despejar seus talentos.

ESPETACULOSIDADE
A julgar pelos comentários nas redes sociais (não li O Vale nem o Bom Dia), as manchetes espetaculosas dos jornais não foram favoráveis à Comissão Processante. Nem deveriam ser. Jornais devem ser isentos, porém a isenção é um mero exercício de retórica. Os interesses, políticos ou econômicos, que existem por trás das informações fogem ao alcance e ao entendimento dos repórteres.

DECEPÇÃO
O noticiário, de forma geral (vale também para rádio e televisão), não abordou dois dos principais testemunhos dados à Comissão Processante: o do ex-vereador Joffre Neto e o da médica e ex-diretora municipal de Saúde Rita de Cássia Bittar. Não houve profundidade nas matérias. Pouca atenção foi dada a fatos excepcionais por si só.

INSENSIBILIDADE
Depoimento da médica Rita de Cássia Bittar não sensibiliza mídia
Incrível a insensibilidade da imprensa com os casos de morte relatados pela médica Rita de Cássia Bittar. Nem uma linha a respeito. E a comprovação de superfaturamento na compra de medicamentos demonstrada pelo ex-vereador Joffre Neto não era importante?

NOTÍCIA
A notícia estava nestes depoimentos. A médica denunciando mortes por falta de medicamentos no início de 2009 e o ex-vereador comprovando que houve superfaturamento. As suas informações poderiam ser divulgadas com as falas dos depoentes entre aspas para não comprometer o jornal.

IRRELEVANTES
Verdade seja dita: as emissoras de rádio e de televisão deram pouca atenção às denúncias da médica e do ex-vereador. Preferiram o factual: ouvir a versão de um dos advogados do prefeito canastrão, à relatar o que aconteceu de importante numa sessão que durou cerca de oito horas.

PARCIAL
Portanto, repito: este blog é parcial. Do contrário seria um portal noticioso. Sempre trabalhei com o máximo de independência possível e posso assegurar aos jovens jornalistas que fiquei desempregado algumas vezes por conta da minha independência. Não me arrependo do que fiz. Posso redigir este texto com muita tranquilidade.

HONORÁRIOS
Quem está pagando os honorários advocatícios de Erich Castilhos e Thiago de Bórgia Pereira Mendes para defender o prefeito canastrão? E a advogada Roberta Flores de Alvarenga Peixoto? Ou o novo defensor do ex-presidiário, o advogado Edison Cambon Júnior? Com certeza eles não estão defendendo o cadeieiro" por "módicos" R$ 100 mil.

BOICOTE
A vereadora Pollyana Gama pretendia contratar o jurista Tito Costa, especialista em Direito Administrativo e autor de vasta obra sobre o tema, para orientar os vereadores taubateanos nos últimos dias de trabalho da Comissão Processante, a qual preside, para que tudo transcorra na mais absoluta ordem jurídica. Pollyana não conseguiu contatar o jurista.

VETO
O procurador jurídico da Câmara, Fausto Sérgio de Araújo, havia dado parecer favorável à contratação do jurista. O documento, contudo, não foi assinado pela vereadora Graça. Orientada por seu advogado, a presidente da Câmara para assuntos da Comissão Processante não autografou o contrato, que não pôde ser feito.

ABORRECIDOS
A vereadora Pollyana Gama e o vereador Rodrigo Luís Silva – Digão, ambos membros da Comissão Processante, ficaram chateados com a atitude da colega, pois havia parecer da Procuradoria Jurídica da Câmara Municipal favorável à contratação do especialista.

ASSESSORIA
Assessoria para fins específicos podem ser contratadas, pois exigem conhecimentos técnicos igualmente específicos, ainda mais em se tratando de Tito Costa, dono de notório saber jurídico e umas das principais autoridades em direito administrativo deste país. A própria Câmara mantém sob contrato uma empresa paulistana