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segunda-feira, 4 de julho de 2011

PROFESSOR PRESTA JUSTA HOMENAGEM A CERTOS VEREADORES TAUBATEANOS

Mais uma vez, Silvio Prado nos brinda com um cordel sobre o momento político de Taubaté. Os versos magistrais do professor estão cada vez melhores. Dispenso-me de comentar para não estragar o cordel. O vereador Chico Saad, que criticou os cordéis de seu colega de profissão, vai adorar.

Vereador Kaganera

Venho aqui justificar
Digníssimo presidente
Porque na sexta-feira
Eu não estive presente
No recinto desta casa
Toda repleta de gente.

Todos sabem que sou
Um vereador peixotista
E minha presença aqui
Podia não ser bem vista
Provocando até revolta
Nessa ralé ativista.

Ainda bem que a justiça
Suspendeu a tal sessão
Que pedia o afastamento
E colocava a questão
De impedir o Roubertinho
De seguir em sua gestão.

Por que cassar o prefeito
Homem justo e correto
Respeitável taubateano
Só porque não foi discreto
Nas lambanças que ele fez
Roubando o povo direto?

Confesso que me dá medo
De pensar nessa besteira
E se penso logo apelo
Para o chá de erva cidreira
Reforçado com hortelã
Pra sair da tremedeira.

Por isso nobre colega
Ainda na quinta-feira
Ante a convocação
Pra sessão de sexta feira
O pavor me assaltou
E sujei a roupa inteira.

Mas depois me ocorreu
Inventar uma viagem
Onde gente da família
Morando lá em Contagem
Bateu com as dez nesse dia
Após uma derrapagem.

Me perdoe tanta mentira
Mas só fiz o necessário
Um gesto pra me salvar
E salvar o mandatário
Que comigo tem negócio
Bancado pelo erário.

Sei de outros vereadores
Donos de muita esperteza
Que inventaram internação
Para tratar com ligeireza
Dor de barriga ou gripe
Na clínica Maria Tereza.

Tudo isso a gente fez
Pra defender o prefeito
Um homem trabalhador
Que só mostrou o defeito
De colocar em seu bolso
Além do que era direito.

Se a gente não o defende
Deixando o homem na mão
Seria gesto indigno
Que não se faz a um irmão
Que se fez algo de errado
Fez com nossa permissão.

Mesmo correndo o risco
De ir também pra cadeia
Eu falo dessa tribuna
Que faço parte da teia
Que a cidade indignou
Fazendo tanta coisa feia.

Digníssimo presidente
Encerro aqui minha falação
Cumprimentando a justiça
Pela sábia intervenção
Que impediu essa casa
De revelar mais podridão.

Foi uma medida e tanto
Que me deixou aliviado
Mesmo que nessa câmara
O clima tenha esquentado
Com gente já recorrendo
Do que foi sentenciado.

Acho que se assim fizerem
Será muita sacanagem
Me obrigando a recorrer
Ao parente de Contagem
Que terá de morrer de novo
Em mais uma derrapagem.


Silvio Prado, 03/07/11