Páginas

quarta-feira, 6 de julho de 2011

SUBORNAR NÃO SIGNIFICA OFERECER DINHEIRO PARA OBTER FAVOR

O suborno é uma instituição mundial. No filme “O Poderoso Chefão”, Dom Corleone, magistralmente interpretado por Marlon Brando, subornava juízes, políticos, policiais e jornalistas. Quem assistiu à película há de se lembrar de algumas cenas de suborno explícito. Quem precisa de favores de instâncias oficiais, suborna. Quem presta o favor é subornado.

O suborno nem sempre é pago com dinheiro vivo. A prestação de pequenos favores é uma forma de subornar, de corromper. Quem aceita suborno é corrupto. Quem suborna é corruptor.

Quando uma empresa patrocina congresso de juízes pelo Brasil afora, geralmente em locais aprazíveis, ela está, na prática, subornando todos os magistrados para que sejam simpáticos às suas demandas judiciais.

Nos anos 1950, quando as empresas de aviação estavam engatinhando no Brasil, jornalistas eram subornados com passagens gratuitas para viajar pelo país. Era uma forma de corrupção que todos aceitavam de bom grado – jornalistas e empresas de aviação.

Nos teatros de revista, restaurantes e bares, jornalistas e policiais não precisavam pagar suas contas. Ficava “por conta da casa”.

Em 1988 entrei para a Polícia Civil. No dia em que recebi meu distintivo e identificação de policial, corri com os colegas para um teatro pornô da Rua Aurora. Era só dar “carteirada” que o ingresso estava garantido.

Em Taubaté, dava “carteirada” no Cine Palas, antes de ser transformado em igreja. Em alguns bares e boates suspeitas tinha entrada franca e cerveja garantida.

Para mim, naquela época, era tudo absolutamente normal. A palavra suborno nada significava para mim. Anos mais tarde, já labutando no jornalismo, entendi o que significava suborno.

Colunista do antigo ValeParaibano, era assediado por políticos importantes da região – deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores. Não me deslumbrei com o assédio.

Devo minha formação jornalística a Sttip Júnior, José Luiz da Silva e Bouéri Neto, respectivamente no Diário de Taubaté, Rádio Difusora de Pindamonhangaba e ValeParaibano. Foram meus primeiros professores.

O tempo passou e as práticas de suborno permanecem as mesmas. Uma vantagem aqui, outra ali e os poderosos de plantão se mantém à tona do mar de lama que eles próprios criam, com a conivência dos políticos, dos jornalistas, dos policiais e dos juízes.

FIQUEM COM MAIS UM CORDEL SEMPRE ATUAL DO PROFESSOR SILVIO PRADO

HONESTO LADRÃO

Gente, quanta injustiça
Se me chamam de ladrão
Só porque tendo acesso
Às verbas da educação
Delas desviei um pouco
Para a conta de um irmão.

Que coisa ingrata, o povo
Que não me conhece direito
E vai engrossando a onda
Mostrando-se insatisfeito
Dando ouvidos a conversas
De quem odeia o prefeito.

Um cidadão como eu,
Homem de grande estatura,
Fez apenas o que se faz
E que o povo sempre atura
Estufando minha conta
Com grana da prefeitura.

E tem ainda a imprensa
Com seu inútil palavrório
Provando por a mais b
Que até supositório
Alguns milhões eu comprei
De um tal laboratório.

E tem a história recente
Da propina da merenda
Onde um ex-assessor,
Homem que não se emenda,
Disse que alguns milhões
Eu faturei só de prenda.

Mas a vida continua
E meu governo também
Mesmo havendo quem diga
Que à cidade convém
Despachar esse prefeito
Se possível para o além.

E alguns mais atrevidos
Pedem minha cassação
Pois não suportam a cidade
Vivendo a contradição
De ser tão bem governada
Por um honesto ladrão.
Silvio Prado, 09/06/11