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domingo, 7 de agosto de 2011

KARNAS, CONTUNDENTE, DESMONTA A FARSA DO PREFEITO CANASTRÃO E MOSTRA COMO O BRASIL VÊ A "TAUBATÉ DE PEIXOTO"

Os gaúchos são um povo culto e politizado. Do RS saíram Getúlio Vargas, Brizola e João Goulart – Jango, para ficarmos apenas numa trinca de políticos importantes para os últimos 70 anos da história política desta nação. O que dizer, então, de figuras ilustres da nossa literatura como Érico Veríssimo (Incidente em Antares, Um Certo Capitão Rodrigo) e Luiz Fernando Veríssimo, criador da impagável Velhinha de Taubaté? O texto de Karnas é digno dos melhores intelectuais gaúchos

GAÚCHO
O gaúcho Carlos Karnas aportou em Taubaté para dirigir o jornalismo da TV Vanguarda no final dos anos 1990. Depois, assessorou o então prefeito Mário Ortiz. Este gaúcho fincou suas raízes em Taubaté. Anonimamente, como compete aos grandes analistas, Karnas acompanha a vida política de Taubaté com os olhos do Brasil, sem provincianismo.

CONTUNDENTE
A crítica contundente deste jornalista e escritor gaúcho que, para nossa honra, habita entre nós, serve de alerta para os moços que estão adentrando na vida pública, pois chama a atenção para a responsabilidade que temos ao eleger alguém pelo voto, secreto ou não, para ocupar um cargo público. Os jovens precisam sorver este texto e guardá-lo para si como uma joia rara que recebem graciosamente.

LIBELO
O texto de Karnas não é um libelo acusatório. Ele é real e escancara as janelas do submundo da política taubateana para quem quer enxergar a monstruosidade feita a esta urbe quase quatrocentona por um prefeito canastrão, protegido por seus sequazes na Câmara Municipal (são cinco ou seis edis que comem no cocho do alcaide) e uma trupe de advogados caríssimos vinda da capital de todos os paulistas.

EXPOSIÇÃO
Abaixo, Karnas expõe, de forma sociológica, as entranhas do Poder aos nossos olhos. Leiam e guardem para a posteridade. É o segundo texto da série “Decisão Final”.

DECISÃO FINAL

“Taubaté mantém sua hegemonia graças e unicamente ao esforço cotidiano e sensato da população íntegra, trabalhadora, ordeira e honesta. O cidadão que produz e paga seus impostos, sem regalias, é que mantém a dinâmica e a vitalidade municipal. Felizmente. Se dependesse só do poder público, o caos e a desgraça seriam bem maiores. Provavelmente a história do município jamais tenha registrado inquestionável calamidade administrativa como a do atual governo, do prefeito Roberto Peixoto. Elegê-lo foi engodo e o desastre administrativo municipal está sedimentado desde o início da sua administração. Entretanto, tal desastre assumiu proporções consideráveis e incontroláveis diante da corrupção, malversação, má gestão pública, formação de quadrilha, fluxo de propina e todo o resto. Está provado e comprovado em todas as alçadas democráticas locais. As irregularidades praticadas por Roberto Peixoto são tão visíveis e escandalosas que extrapolaram os limites da cidade para se tornarem de domínio público nacionalmente. Não há que contestar ou duvidar da exposição dos fatos e verdades. Cínica e candidamente, Roberto Peixoto vibra o mesmo diapasão: "perseguição política". Coitado do miserável que lamuria a própria insensatez e se diz tão injustiçado. Um argumento tão ordinário que só pode sair da boca arrogante de político despojado de honra, competência, integridade, hombridade e honestidade.

Covarde e dissimulado, o prefeito Roberto Peixoto não governa ou administra Taubaté há muito tempo. Descobertas as suas falcatruas, ele se vale criminosamente da estrutura pública municipal para tratar dos seus interesses pessoais. Isso é errado, irregular e criminoso. Tenta se defender ludibriando a população. Esta, sim, a verdadeiramente penalizada e espoliada pela insensatez e mediocridade do governante que trilha o limite da mente conturbada e mal- intencionada. Tamanha insânia de Roberto Peixoto faz cooptar subordinados, pares políticos de má reputação e determinados vereadores que, por si só, já não mais poderão sobreviver com respeito e dignidade.

Sustentar-se, defender-se na corrupção exposta e no caos administrativo municipal estabelecido parece ser a total sanha do prefeito. Dependente da penca de advogados, ridiculariza a população, compromete Taubaté, menospreza o poder legislativo, burla e dificulta a Justiça. Sobrevive na manipulação de artimanhas legais e na lentidão do judiciário. Medroso ou truculento, engana e foge dos oficiais de justiça. Tal procedimento tem nome: obstrução. Vigora a safadeza. Só pulha, réu acuado para fugir da pena de crime, é que pratica essa instância do desespero. E será que a conta advocatícia está saindo do bolso de Roberto Peixoto? Ou do partido? Quem está a pagar? Também não lhe sobra mais tempo para nada. Todo o resto necessário e indispensável à cidade ficou para o suor do funcionalismo público municipal e para os subordinados diretos de Peixoto, obrigados a fazer o devido anteparo e mascarar para a plateia a atividade do prefeito que inexiste.

É lógico e coerente se supor que, se não houvessem indícios sólidos, também não haveria a sua incriminação, a avalanche de questionamentos públicos, de inquéritos, de ações parlamentares, da Justiça, de intervenções em órgãos municipais e até mesmo a prisão do prefeito, da sua mulher e assecla. Mas toda essa vergonha ocorreu e continua ativa. Poder-se-á supor um único responsável, mas a vitrine exposta é a da cidade de Taubaté e toda a sua população. Ninguém merece tal vergonha. A história honrada do município e o rol de nomes taubateanos dignos, que engrandeceram a nação, não merecem o que agora está estabelecido, irresponsavelmente pelo atual prefeito. As incontáveis manifestações populares de protesto contra Peixoto atestam que a Câmara de Vereadores deve, enfim, cumprir a sua missão.

Esta semana é decisiva. Consolidado o ritual democrático em todas as instâncias legislativas de investigação, auditoria, tomada de depoimentos e discussão, os vereadores podem determinar a cassação do prefeito. É definitivo. O processo foi justo e íntegro, com o apoio da população. Roberto Peixoto mereceu toda a atenção e regalias para se defender. Não o fez, mandou prepostos. Quando esteve na Câmara Municipal foi evasivo, mentiu e não convenceu. Covardemente fugiu, ou dificultou, ou tumultuou a sessão, se valeu de terceiros e de advogados para mascarar os seus crimes e para escamotear provas. É público isso.

A consequência é iminente: são precisos 10 votos parlamentares para cassá-lo. Pois eles poderão não existir, inacreditavelmente. Por quê? Por causa da venal e medíocre política de determinados vereadores que sempre se locupletaram com o governo municipal, jogando a honra, independência, integridade, moral e ética para baixo da sola do sapato. Caso Roberto Peixoto não seja cassado, a responsabilidade estará direcionada à covarde e cínica postura dos vereadores que estiverem a seu favor. Nesse caso, esses legisladores municipais poderão estar vinculados aos mesmos atos criminosos que envolvem o prefeito. Também, em determinado momento, serão penalizados e merecerão repúdio e desprezo do cidadão honrado e de bem. Pior, poderão ser responsabilizados por qualquer convulsão maior da população. Taubaté corre perigo.

Roberto Peixoto deve ser cassado. Se não o for, mesmo assim o seu reinado continuará tumultuado e inviabilizado. Ele não terá a mínima condição de governabilidade para terminar o seu mandato. Não haverá qualquer coerência, decência e honra para o resto da sua administração. A Câmara de Vereadores passará também a correr o risco de ficar envolvida em eterna discussão política inconsequente e desnecessária, deixando de lado a apreciação de atos e medidas que devem delinear as soluções de problemas da cidade e mantê-la no rumo íntegro do desenvolvimento harmônico e saudável para o bem-estar e felicidade da população. Definitivamente, o cenário futuro é preocupante para Taubaté, caso não ocorra a cassação do prefeito. Portanto, é hora do discernimento. Se o único remédio é ruim, pior sem ele. Não há como conviver com bandidagem.

Que os vereadores indecisos tenham nobreza política e assumam o caminho em labirinto confuso para a saída honrosa. Cabe a população continuar mobilizada em favor da moralidade e da eficiência do poder público. É necessário insistir até as últimas consequências para que a Câmara Municipal de Taubaté tenha dignidade, assuma o que lhe compete e mereça o respeito que deve merecer. Não há outra saída. A reoxigenação política é inevitável. Infelizmente, eis o panorama para se sepultar peso morto que ridiculariza Taubaté. Caso não aconteça, existirão outros incontáveis pesos mortos para o desespero do cidadão. Não há como Peixoto não ser cassado.”

Carlos Karnas


A CONFISSÃO
Recebi na manhã deste domingo (07/08) outro cordel da lavra do professor Silvio Prado.

O prefeito foi ao padre
Confessar tanto pecado
E ficou mais de um mês
Diante dele ajoelhado
Tempo ainda insuficiente
Apesar de exagerado
Para relatar em detalhes
O quanto havia errado.

Mesmo tendo tanto tempo
Esse tempo foi precário
Nunca sendo suficiente
Para o nosso mandatário
Relatar tanto pecado
Cometido contra o erário
Deixando doente sem soro
E creche sem ter berçário.

É um mistério o tempo
Que durou tal confissão
Só se sabe que o padre
Desistiu da profissão
E hoje não celebra missa
E nem profere sermão
Abalado que ficou
Com tanta esculhambação.

Silvio Prado

ACORDA AMOR
Como homenagem ao prefeito canastrão e à dona Luciana Peichoto (com CH), convido o amigo internauta a ouvir a música Acorda Amor, que Chico Buarque registrou como sendo de Julinho da Adelaide, para escapar da censura. A edição ficou sensacional. Bom domingo a todos!