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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O REPÚDIO POPULAR AOS VEREADORES, PELA ÓTICA DO JORNALISTA CARLOS KARNAS

As últimas cenas da sessão extraordinária que começou na sexta-feira (12/08) ao meio-dia e terminou na madrugada de sábado (13/08), por volta das três horas, foram patéticas. Manifestantes favoráveis à cassação do prefeito canastrão abanaram cédulas de dinheiro na cara dos vereadores. O gesto de indignação do povo taubateano é de que trata o jornalista e escritor Carlos Karnas, em outro magistral artigo. Boa leitura!

SEM VENCEDORES, ABANAM AS CÉDULAS

Dinheiro. Cédulas de reais foram abanadas nas mãos de manifestantes na cara dos vereadores de Taubaté. Foi esse o gesto definitivo de indignação, de protesto pela não cassação do prefeito Roberto Peixoto (PMDB), na madrugada de sábado, na Câmara Municipal de Taubaté.

Uma zombaria conclusiva para sintetizar com o quê parte dos vereadores estão comprometidos na política taubateana. Corrupção – provada, comprovada e ainda persistente – é a marca mais saliente da atual administração municipal. É ela que enfeitiça, por certo, os vereadores Ary Kara José Filho (PTB), Francisco (Chico) Saad (PMDB), Henrique Nunes (PV), Luiz Gonzaga Soares (PR), Maria Teresa Paolicchi (PSC) e Rodson Lima Silva (PP). Foram esses que votaram contra a cassação do prefeito e seus destinos políticos estão selados. Na sessão extraordinária que durou mais de 13 horas não houve calor e produtivo confronto entre contendores, mas um significativo  companhamento do ritual legislativo. A dinâmica de debates foi esvaziada por prevalecer o imposto por advogados de defesa de Roberto Peixoto. Candidamente, a direção da Câmara acatou-o. Subjugou-se e a sessão histórica se arrastou manhosa e cansativamente para o final previsto, sem surpresas. Safadeza e perda de tempo.

Entretanto, respeitar a vontade dos que safaram o prefeito Roberto Peixoto da cassação, é contestável. Nebuloso. Não existe. O espesso novelo político taubateano é extremamente emaranhado para se identificar a ponta do fio condutor. O sentimento público é que não foi feita justiça. Livrar o prefeito da cassação foi decisão definida nos bastidores políticos, mesmo com a maioria de oito vereadores votando a favor da saída dele– eram necessários 10 votos. Qual o custo desta conta? Quem a está pagando ou já pagou? Quem arrisca o palpite?

Manter Peixoto no poder não o livra dos seus crimes, nem da má gestão e das
irregularidades administrativas que o condenam. Ele e Taubaté continuarão expostos à ridicularização pública nacional. Peixoto é zombado, está desmoralizado, continuará covarde e sem representatividade. É artífice do pior governo que Taubaté teve. Ele ainda permanecerá no trono mas a sua honestidade, honra, dignidade, caráter e competência continuarão enlameadas no terreno frágil que o desqualifica. O volume de denúncias permanecerá ativo e prensando o prefeito no paredão. Nela a palavra corrupto está pichada com letras garrafais. E o político, mesmo com toda a sua religiosidade para pagar promessas na basílica de Aparecida, sabe das dificuldades que estão
impostas para que ele mereça respeito e exerça o cargo. Essa referência é importante. Baliza relações, entendimentos, negociações e confianças recíprocas às alianças necessárias. É de se duvidar de tudo.

Na confusão estabelecida, o prefeito de Taubaté está despojado de atitudes e civilizadamente continuará sendo ridicularizado nas suas relações locais ou com autoridades do Estado e governo federal. A sucessão e acúmulo dos seus crimes não se desencantam. Continuarão documentados no ritual do judiciário que, cedo ou tarde, dará uma sentença. Nesse meio tempo, o legislativo municipal continuará amorfo. Novas ações políticas poderão surgir, talvez, visando o destino de Peixoto para fora da prefeitura. Contudo, está escancarada a porta do caráter daqueles vereadores que exercem o cargo afinados com os interesses do município e daqueles servilistas que ocupam o
cargo em proveito pessoal.

Há relação simbiótica entre o legislativo e o executivo de Taubaté. Trata-se de viciado jogo de interesses político-pessoais que todos identificam mas nunca se é possível provar, de tão artimanhoso que ele o é. A limpeza ética e a moralização política necessárias ao município não evoluem por falta de transparência, honestidade e caráter entre os próprios políticos.

A população também está passiva. Não foi arrebatadora a mobilização popular no dia 12. Naquele dia o cidadão de bem tratou de cumprir as suas obrigações de trabalho, sabendo de antemão o que iria acontecer. Aconteceu. Ele está abandonado, desiludido e envergonhado com o que acontece em Taubaté. As suas vontades são desprezadas no jogo político do poder municipal.
É fácil admitir que a atual administração de Taubaté está moralmente falida. A administração de Peixoto é venal, incompetente e não tem mais conserto. Nada de relevante acontecerá até a próxima eleição. A máquina administrativa continuará movimentada para blindar as falcatruas do prefeito. A cidade continuará entregue à sua própria sorte e o dinheiro se esvaindo para longe do bem comum. Permanecerão as singelas aparências de trabalho e de realizações pífias. Provavelmente a cidade continuará a correr graves riscos e ser prejudicada em futuras decisões político-administrativas. A arrogância e a prepotência do poder executivo não se dissiparão. O segredado entrelaçamento do executivo com o legislativo mantém a elite viciada no poder. Tal expressão é do próprio Roberto Peixoto, escrita por ele em mensagem dirigida ao povo de Taubaté semana passada. Pois ele continua no cargo. O grupo político dele o protege, interfere, manipula as brechas da lei, alimenta os interesses não explícitos de vereadores, subjuga o servidor municipal abnegado e coopta lideranças comunitárias vulneráveis. Eis o quadro que compromete Taubaté e o cidadão honesto. Essa população não festeja o resultado da última sexta-feira. O município não sai ileso do episódio. A ferida política continuará exposta e purgando até o final do mandato de Roberto Peixoto. As consequências desastrosas levarão tempo para serem dissipadas. Mesmo que o resultado da votação da cassação fosse outro, desfavorável a Peixoto, as dificuldades também seriam expressivas e o revanchismo tenderia a ser igualmente inconsequente e danoso. Mas o PT, que assumiria a prefeitura, também poderia fazer a faxina higiênica necessária, executar boa administração, receber ajuda federal e se fortalecer para a próxima eleição. Tudo o que não convém para os caciques conhecidos da cidade. Peixoto está no trono mas não terá vida fácil. Carregará o volumoso peso de acusações por crimes que cometeu e comete. No legislativo, suas irregularidades e improbidades administrativas foram provadas e comprovadas publicamente e ele não foi cassado. Na mídia, o noticiário documentado não deixa dúvidas e ele não é levado a sério. Na Justiça, dezenas de ações patrocinadas pelo Ministério Público seguirão o trâmite lento e gradual até o julgamento final. Na Polícia Federal segue a apuração do seu crime contra a economia e do mau uso de verba federal. Mais adiante haverá o Tribunal de Contas para esmiuçar atos e a contabilidade do prefeito, longe de ser fechada e referendada. O pior para Peixoto é o estigma de corrupto, a falta de honra e credibilidade. Essa pecha não o abandonará, ele sempre será olhado com desconfiança e desprezado pela sua truculência. Os vereadores poderão fazer prevalecer movimentos constantes e mascaradamente intransigentes, mas as suas relações com o executivo continuarão canhestras, duvidosas e perigosas. O pior estará sobrando para quem? Há vergonha nesse episódio? Há vencedores?

Carlos Karnas
Jornalista e escritor

HOMENAGEM DO PROFESSOR SILVIO PRADO A “MAIS SEIS”

Mais Seis

A bancada ficha suja
Para justificar o nome
No sábado de madrugada
Matou de vez sua fome
E muito unida e coesa
Votou pra salvar o “home”.

A salvação temporária
Feita de modo sacana
Talvez alivie a tensão
Do marido de Luciana
Mas não impede que ele
Entre outra vez em cana.

Pois uma coisa é vereador
Com sua postura venal
Chutando o traseiro da ética
Achando bonito e normal
Fazer um papel tão feio
Esculhambando a moral.

Outra coisa é a justiça
Suas normas e preceitos
Combatendo desacertos
E violações do direito
Mesmo que tais atitudes
Tenham vindo do prefeito.

Por isso alguém já fala
Que nesse mês ou semana
Pode ser que a Federal
Que quase nunca se engana
Além de levar o prefeito
Leve mais seis em cana.

Silvio Prado, 13/08/11


JOFFRE VAI DEBATER COM RODSON LIMA

O debate entre o vereador Rodson Lima e o ex-vereador Joffre Neto, que deveria ser realizado nesta segunda-feira (15/08), na Rádio Cacique, deverá ser em outra data, a pedido de Joffre Neto, que teria compromisso fora de Taubaté no horário do programa.

Porém, para não deixar os internautas sem maiores informações, publico ofício enviado por Joffre Neto ao vereador Rodson Lima. O debate deve esquentar o ambiente radiofônico. Eis o ofício:

Taubaté, 25 de maio de 2011.

Senhor Vereador,

Para minha surpresa, Ver. Rodson, tem chegado a meu conhecido reiteradas manifestações de V. Ex.ª que deduzem serem dirigidas à minha pessoa, o que, de pronto, rejeitei, por três motivos:

Primeiro, as manifestações falam de desonestidade no trato da coisa pública, o que nunca pratiquei;

Segundo, por partirem de V. Ex.ª que, em mais de uma oportunidade, declarou em público, e mesmo da Tribuna dessa Câmara, seu apreço, respeito e amizade por minha pessoa, o que sempre muito me honrou;

Terceiro, por não haver citação de nomes, o que seria prática de covardia, o que nunca constatei em V. Ex.ª, pelo contrário.

Assim, gostaria que V. Ex.ª se dignasse esclarecer a quem se refere, como nas declarações de V.Ex.ª publicadas hoje no Jornal da Cidade, referindo-se ao Movimento pela Ética na Política e contra a corrupção no governo de Roberto Peixoto:

“ ‘Esse movimento que diz ser honesto e composto por homens santos, tem como um de seus líderes alguém que já passou por esta Casa, que se diz muito probo e que, no entanto, fez pós-graduação com o carro da Câmara, lançou livro em Brasília com o carro da Câmara... Nem tudo que reluz é ouro’, concluiu.’”

Quem é esse salafrário, Excelência?

Se por acaso V. Ex.ª estiver impingindo a mim essas acusações, o que duvido, e ainda se recusar a retirá-las formalmente – em nome da amizade que cultivamos no passado -, e nos mesmos espaços em que V. Ex.ª as veiculou, quais sejam a Tribuna da Câmara e o Jornal da Cidade, venho  solicitar a V. Ex.ª, em nome do seu destemor, que abra mão de sua inviolabilidade parlamentar para que eu possa processar V. Ex.ª criminalmente por injúria, calúnia e difamação.

Atenciosamente,

Joffre Neto

À Sua Excelência o Senhor
Ver. Rodson Lima
Câmara Municipal de Taubaté