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terça-feira, 20 de setembro de 2011

NÃO HÁ SANTO NO INFERNO DOS PARTIDOS POLÍTICOS, NEM HÁ VIRGEM NO MERETRÍCIO

Quem leu “1808”, de Laurentino Gomes, por certo entendeu que desde a chegada de D. João VI ao Brasil, o compadrio faz parte da política nacional. Os portugueses nos queriam por causa do ouro e nossas riquezas naturais que sustentavam a corte, até a invasão napoleônica naqueles anos turvos para a família real.

As práticas políticas trazidas por D. João VI, que se valeu dos ingleses, e se submeteu a eles, para fugir da fúria de Napoleão, são mantidas até os dias atuais. O beija-mão continua. Os chefes de executivo (federal, estadual e municipal) exercem um poder descomunal perante a sociedade.

O presidente da República, os governadores e os prefeitos exercem o Poder Moderador, implantado no Brasil por D. Pedro I na Constituição de 1824. A força do cargo que ocupam se sobrepõe ao Poder Legislativo, principalmente. Praticamente todas as leis neste país só entram em vigor depois de sancionadas pelo chefe do Poder Executivo de plantão.

Isto explica, em parte, a vassalagem a que se submetem os membros do Poder Legislativo no Brasil. Em Taubaté, por exemplo, comandados pelo vereador Henrique Nunes (PV), cinco ou seis vereadores prestam vassalagem ao prefeito canastrão. Beijam a mão do chefe sempre que preciso for.

O último grande beija-mão taubateano aconteceu na noite de 12 para 13 de agosto de 2011, quando seis componentes do Poder Legislativo da cidade sucumbiram ao poder emanado do Palácio do Bom Conselho e absolveram o prefeito canastrão contra todas as provas, contra todos os indícios de corrupção apuradas pela CEI da ACERT e confirmadas pela Comissão Processante.

O vereador Henrique Nunes (PV) é o chefe da vassalagem legislativa, que fica mais explícita quando ela é prestada pelo vereador Chico Saad (PMDB), que não tem pejo de se curvar perante os desejos de seu suserano e sai à deriva, como um celerado, empurrando goela abaixo da população a “maravilha” que seria a renovação do contrato com a Sabesp, uma espécie de maná dos tempos atuais.

Os partidos políticos existem para abrigar o máximo de simpatizantes possíveis, que tenham ou não pretensões eleitorais. Não podemos, contudo, ser maniqueístas. Não se deve julgar um partido por um de seus membros.

O PV de Taubaté não pode ser considerado um partido ruim porque tem entre seus quadros o deputado estadual Padre Afonso Lobato ou o vereador Henrique Nunes.

Também não se pode afirmar que o PSDB  taubateano está livre de políticos de má índole por “pertencer” ao clã dos Ortiz há mais de vinte anos. Os fatos atuais estão desconstruindo a imagem criada pelo velho lobo político, de probidade acima de qualquer suspeita.

O PT do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma não é o partido de malfeitores que o PIG (porco em inglês) – nome cunhado por Paulo Henrique Amorim para homenagear a mídia hegemônica – quer que acreditemos.

É preciso é que as pessoas que se julgam probas, ocupem os espaços tomados pelos maus políticos, pelos demagogos, que usam a política para se locupletar.

Deixo uma frase pinçada de uma das muitas frases ditas por Berthold Brecht para vocês meditarem a respeito da política. Participar é preciso!

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio dos exploradores do povo”.