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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

BENS DE JOÃO RIBEIRO E PAULO RIBEIRO SÃO BLOQUEADOS PELA JUSTIÇA FEDERAL

A informação foi divulgada pelo portal UOL às 12h57 de sexta-feira (18/11) e atualizada mais tarde, às 16h07.

O prefeito João Ribeiro (PPS) e o cunhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo Ribeiro, tiveram seus bens bloqueados pela Justiça Federal, em decisão da juíza Carla Cristina Fonseca Jório, da 1ª Vara Federal de Taubaté.

Aos poucos, a informação ganha espaço na blogosfera. Os jornais continuam silentes.

O bloqueio dos bens do cunhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo Ribeiro, e do prefeito João Ribeiro (PPS) tem como base o inquérito que apura o contrato que a Prefeitura de Pindamonhangaba manteve de meados de 2005 até 31 de dezembro de 2010 com a Verdurama, para fornecimento de merenda escolar à rede pública municipal.

De pouco valeram os alertas emitidos pelo então vice-prefeito João Boco Nogueira ao titular João Ribeiro. Este jamais considerou as denúncias formuladas por seu vice, que levou ao conhecimento da Câmara Municipal o que acontecia nos porões do contrato com a empresa de alimentação escolar.

Uma CEI foi aberta a pedido do próprio prefeito, engavetada mais tarde por ordem judicial. A vice-prefeita Myriam Alckmin entrou com ação na Justiça e os trabalhos de apuração ficaram suspensos.

Reaberta recentemente, a CEI da Verdurama, presidida pelo vereador José Carlos Gomes – Cal (PTB) ouviu quem já havia sido ouvido pelo Ministério Público. Não apurou nada novo.

O secretário de Governo Arthur Ferreira dos Santos não quis ser interrogado pelo vereador Alexandre Faria (PT), sob a alegação de que se tratava de seu inimigo. O vereador, por seu lado, registrou boletim de ocorrência no qual alega que foi ameaçado fisicamente por Arthur Ferreira dos Santos.

O depoimento do Secretário de Governo de Pinda pouco ou nada acrescentou ao que o Ministério Público havia apurado.

Mais contundente, o ex-secretário de Educação, Luís Sávio Neto, confirmou à CEI que Silvio Serrano, ex-secretário de Finanças de Pinda, foi nomeado por indicação de Paulo Ribeiro.

A informação é verdadeira.

Paulo Ribeiro era frequentador assíduo da casa de João Ribeiro no período pré-eleitoral e chegou a participar de algumas reuniões do secretariado de João Ribeiro nos primeiros dias de governo, em 2005.

Deixou de participar das reuniões por imposição do ex-vice-prefeito João Bosco Nogueira.

Pressionado, João Ribeiro impediu a participação de Paulo Ribeiro nas reuniões. Porém, era informalmente representado por seu sequaz Sílvio Serrano que em poucos meses passou a atuar com grande desenvoltura nos bastidores do poder municipal.

Como sempre, os envolvidos negam participação no crime. Gustavo Badaró, advogado de Paulo Ribeiro disse ao portal UOL:

"Volto a afirmar que ele (Paulo Rieiro) é inocente. E acho importante destacar que os valores da licitação investigada é de cerca de R$ 5 milhões e Justiça quer cobrar R$ 50 milhões de cada um dos 18 réus. Acho os valores excessivos e acredito que não haja necessidade de bloqueio de bens porque não há informação de que eles [os réus] dilapidem do erário."

Segundo o UOL, O advogado pessoal do prefeito, Silvio Salata, nega o envolvimento dele no caso e diz que vai recorrer da decisão do bloqueio de bens. "Não existe prova que demonstre qualquer vínculo do prefeito no caso. Não há provas de que ele tenha tido benefício próprio ou indireto."

Prestem atenção ao que foi apurado pela repostagem do UOL sobre a questão:

“A nomeação seria uma contrapartida pela ajuda que o cunhado de Alckmin deu ao prefeito durante a campanha eleitoral de 2004 --segundo o Ministério Público, Ribeiro foi responsável pelo recolhimento de doações ilegais. Segundo o processo, o prefeito deixou de tomar medidas concretas para punir os supostos envolvidos nas denúncias”.

Nota deste blog: A nomeação de Serrano foi, sim, uma contrapartida ao “apoio” de Paulo Ribeiro ao então candidato João Ribeiro. Aquele não saía da casa deste durante a campanha. Faziam reuniões a portas fechadas. Ninguém testemunhava o que conversavam.

“O departamento de comunicação da Prefeitura de Pindamonhangaba informou que o prefeito não tem qualquer relação com o Paulo César Ribeiro e que ele nunca fez parte do quadro de funcionários da campanha eleitoral de 2008, nem de servidores da cidade, na gestão de João Antônio.”

Nota deste blog: Paulo Ribeiro não foi funcionário de João Ribeiro nas campanhas de 2004 e 2008. Era coordenador informal, que buscava recursos para avalizar a candidatura de João Ribeiro. O empresário nunca foi funcionário da Prefeitura, é verdade. Ele “passeava” pelos intestinos do Palacete 10 de Julho, antiga sede da Prefeitura, como se fosse o prefeito de fato.

Paulo Ribeiro entrava no gabinete do prefeito João Ribeiro pela porta lateral, estreitíssima, pela qual tinha que por seu corpanzil de lado para atravessá-la. Tanta intimidade dispensava a formalidade do anúncio de sua presença ao prefeito.

“Salata informa que o secretário de finanças à época, Silvio Serrano, foi exonerado antes de o inquérito ser aberto. "O prefeito tomou providências imediatas quando soube da fraude. Ele exonerou o secretário e abriu sindicâncias que investigam o caso para apurar as responsabilidades."

Nota deste blog: Informação mentirosa. João Ribeiro sabia de tudo desde meados de 2005. O ex-vice-prefeito João Bosco Nogueira cansou-se de alertá-lo sobre a fraude. Disse a João Ribeiro que ele havia entregado a chave do cofre a uma quadrilha organizada.

Por influência direta de Paulo Ribeiro, Silvio Serrano era o “gerente” dos malfeitos que se praticava no Departamento de Licitação e Compras, composto por pessoas dispostas a dilapidar o patrimônio público. Interessante notar que nenhum deles tinha ligação pessoal ou afetiva com Pindamonhangaba.

João Ribeiro jamais apurou as denúncias de seu ex-vice-prefeito. Ele só demitiu Silvio Serrano em outubro de 2010, mais de cinco anos depois de ter sido alertado pelo seu vice-prefeito.

Na verdade, João Ribeiro tomou uma atitude: em dezembro de 2007 exonerou João Bosco Nogueira da Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

A informação do advogado do prefeito é, portanto, mentirosa.