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terça-feira, 8 de novembro de 2011

TARIFA MAIS ALTA DO BRASIL EXTRAPOLA BOLSO DO TRABALHADOR TAUBATEANO

Desde sábado (05/11) vigora em Taubaté a tarifa de ônibus mais cara do Brasil: R$ 2,80, menor apenas que a de São Paulo, que custa R$ 3,00. Conforme a excelente matéria do jornal Bom Dia, a tarifa cobrada pela ABC é superior à cobrada em 25 capitais brasileiras.

Para os usuários do transporte coletivo de Taubaté fica difícil entender por que um reajuste excessivo de 16,6% quando a inflação nos últimos doze meses (outubro de 2010 a setembro de 2011) não passou de 7,31%.

Em primeiro lugar o usuário precisa saber que transporte público é concessão municipal. O poder concedente, a Prefeitura, é quem determina o valor da tarifa a ser cobrado pela concessionária – no caso taubateano é a ABC Transportes e a TCTAU.

O reajuste da tarifa, no entanto, vai além da simples matemática financeira de subtrair as despesas com combustível, desgaste e renovação da frota, manutenção dos veículos e folha salarial dos empregados para gerar lucro para a empresa, o que é absolutamente normal no capitalismo.

Tudo é levado em conta. Afinal, nenhuma empresa que explora um serviço público via concessão vai trabalhar para ter prejuízo.

O que não aparece nas planilhas de cálculo das despesas da concessionária é o financiamento da campanha dos candidatos a prefeito.

Fica selado entre as parte (candidato e concessionária) um compromisso tácito de os reajustes tarifários ficarem sempre acima da inflação quando o empresário aporta dinheiro na campanha.

No caso taubateano, por falta de planejamento e dos tais compromissos tácitos, o reajuste chega a assombrosos 16,6%. Quem usa transporte público em Taubaté paga desde sábado (05/11) R$ 2,80 para andar apenas alguns quilômetros de ônibus ou vã.

Há cerca de dois anos, quem utilizava os serviços da TCTAU pagava R$ 2,00 pela passagem.

Pressionada, a Prefeitura mudou a regra do jogo. A TCTAU foi obrigada a cobrar o mesmo valor da tarifa da concessionária. Acabou a salutar concorrência. Tanto fazia para o usuário viajar pela ABC ou pela TCTAU. A tarifa era igual.

Ficou acordado que haveria passe único e o passageiro poderia utilizar a condução que quisesse. Não funcionou por pressão da concessionária. Os passageiros, como sempre, ficaram ao Deus dará.

A última parte do acordo tácito veio agora. Afinal, é preciso pagar a dívida com a ABC que amargou um bom tempo sem reajuste por conta da política demagógica do prefeito canastrão de manter a tarifa (que já era alta) sem reajuste enquanto se ocupava dos inúmeros processos judiciais que responde pela péssima administração que faz nesta urbe.

A falta de planejamento e o descaso com o transporte público de passageiro permitiu à Prefeitura, numa tacada só, aumentar exageradamente o preço da passagem de ônibus.

Em resumo, o financiamento de campanha é pago por nós. O aumento excessivo na tarifa do transporte público taubateano é apenas um exemplo.

Nenhuma empresa banca uma campanha pelos lindos olhos do candidato. Há interesse econômico por trás deste financiamento, que fogem aos olhos dos simples mortais.

Por isso é necessário o financiamento público de campanha, que o PMDB e o PSDB não querem.  O jogo político fica mais claro aos olhos do eleitor.