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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL"

Do jornalista Antonio Barbosa Filho, do blog VALEPENSAR


A velha frase repetida por Magalhães Pinto, que deve ter aprendido de gente ainda mais antiga, de que "Política é como nuvem, a cada minuto que você olha ela é diferente" continua atual. Vale para o quadro político de Taubaté e suas perspectivas a curto e médio prazo. Sem que a gente perceba, tudo mudou de um ano para cá, e tudo mudará muito de hoje até a eleição de outubro de 2012, quando elegeremos novos prefeito(a) e vereadores.

Há um ano atrás, se vocês se lembram, eram favas contadas a cassação do prefeito Roberto Peixoto. Vi jornalista comprando terno novo para tomar posse como diretor (ou secretário, sei lá) de Finanças do que seria o prefeito em questão de dias, o Padre Afonso. Vi outros, assessores de Peixoto, buscando contatos urgentes e sigilosos com Padre Afonso e Bernardo Ortiz, para pularem do barco "furado" onde estavam e aderirem aos possíveis novos detentores do poder.

Tudo isso resultou em nada, a não ser num stress de parte da população, ansiosa pelo fim da novela. Os oportunistas de sempre, aquela turma que adora um holerite, seja quem for que lhes pague, continua aí, de olhos abertos, pronta a trair alguém para amanhã trair de novo, a outro alguém. Tenho muita vontade de conhecer (deve existir algum) "ortizista roxo" que não tenha bebido um gole de favores do velho e munheca José Bernardo (ele não dispende um centavo de sua fortuna com ninguém, mas é pródigo com dinheiro público - volto ao assunto se necessário).

Ortiz não é o único "bandido" nesta nossa pobre vida política taubateana. Nem o condeno por favor o mesmo que fazia Ary Kara, ou deve fazer o Roberto Peixoto. São iguais em tudo, com diferenças de escala de poder, e só. Alguém pode me dizer por que Bernando e Ary Kara jamais disputaram o mesmo cargo? Por que Ary, que se dizia o maior adversário de Ortiz e era chamado pelo professor de "ladrão", "corrupto". "carrapato do poder" e "político profissional" (essas eram as ofensas menores, ditas em rádio e jornais que conservo), jamais ousou enfrentá-lo nas urnas?

Ora, explico aos mais ingênuos: este jogo de falsa "briga" convinha a ambos. Dividiram Taubaté em duas partes. Eu sou deputado e você é prefeito, fazemos de conta que somos inimigos, mas jamais eu te incomodarei e você me deixa sossegado. Ao amigo Ary já perguntei sobre este "pacto" imaginário, mas ele ignorou a pergunta e falou sobre Carnaval ou ilhas gregas, algo assim...
Ao Bernardo acho que nem questionei sobre esta estranha, mas quase óbvia, conexão. Gostaria de perguntar-lhe, embora adivinhe a resposta.

E O FUTURO?
Essas figuras marcantes da política taubateana dominam o cenário desde, pelo menos, 1982. Foram elitas na mesma eleição, quando o voto era vinculado e todos nós éramos obrigados a votar desde vereador a governador na mesma data e do mesmo partido. Como os paulistas estavam ansiosos por eleger um governador da oposição à ditadura, Franco Montoro puxou todo o PMDB, e vencemos de cabo-a-rabo. Havia apenas dois partidos, lembram-se? A Arena, que defendia a ditadura (embora houvesse gente muito boa por lá - o presidente da Arena em Taubaté era Luis Winter de Araújo, que jamais foi um anti-democrata ou corrupto; havia também um Waldomiro Carvalho, que era as duas coisas), e o PMDB, que era uma frente contrária ao regime civil-militar que deu o golpe de 1964.

Ary Kara foi a quadragésimo segundo mais votado para a Assembléia Legislativa, numa bancada que elegeu exatamente 42 deputados. Por 200 votos ele não teria sido eleito, seria o primeiro suplente. Lutei muito por sua eleição, como lutei pela eleição de Bernardo Ortiz - eu era secretário do Diretório Municipal do partido, delegado à Convenção Nacional, amigo do Dr. Ulysses, do Quércia, um pouco menos do Montoro, muito do Goldman (então líder do MDB na Assembléia) e transitava muito bem no nosso partido.

Ortiz ganhou de lavada, com mais votos do que a soma dos três candidatos da Arena (na época já se chamava PDS, e nós já éramos PMDB, que eu fundei em Taubaté, com dez amigos, em 1980).

Este histórico todo é para mostrar que estamos em novos tempos e podemos avançar muito em termos de Política taubateana. Todos os que eu citei deram importantes contribuições para o progresso da cidade, mas hoje são apenas apegados ao poder por nenhuma causa. Por vaidade, talvez. São pessoas milionárias, distantes da realidade dos mais pobres e mesmo das classes médias. Pertencem a partidos conservadores, que nada querem mudar. Eu os respeito e aplaudo pelo que fizeram, mas advirto-os: a fila está andando!

Surgiram e estão à nossa vista, novas lideranças, pessoas jovens, influentes em suas áreas de atuação profissional e política. Gente que nós, mais velhos, devemos estimular e até orientar para que não cometam os mesmos erros que alguns de nós cometemos no passado. (Meu Deus, como sou idiota: pedir que Ary Kara, Bernardo Ortiz, Roberto Peixoto, admitam que cometeram algum erro é besteira! Eles se acham perfeitos e santos, porra!)

Vejo e é fácil ver, por exemplo, o brotar de uma Pollyana, de uma Graça, de uma Vera Saba. Que bom para Taubaté e para o Brasil que tenhamos pessoas como essas e muitas outras, ainda não corrompidas pelo jogo baixo da Política, ainda cheias de ideais pela cidade e pela Humanidade. Pouco as conheço, jamais me pediram apoio a nada, já as critiquei em artigos sobre esta péssima Câmara que temos nesta Legislatura. Sinto-me à vontade, portanto, para dizer que essas três pessoas, e outras que virão do movimento sindical, das comunidades de bairro não compradas pelo Executivo, da Universidade e da juventude, prometem um futuro muito melhor para Taubaté. Há um cheiro de mudança no ar.

Olhem para os lados, meus amigos, desconfiem da propaganda cara, verifiquem a conduta de cada líder, homem ou mulher, analisem os problemas do seu bairro, da nossa cidade, dispam-se de preconceitos que aprendemos na escola ou na igreja, pensem com a própria cabeça.

Há um belo futuro se anunciando, e será muito diferente do passado que conhecemos.

O passado, com bons e maus exemplos, serve para isso: olhar prá frente, e agir. Sem ação, somos meros torcedores. E nem notamos que o Poder está em nós!