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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

DIVISÃO DO HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO É PERVERSA PARA O ELEITOR

O eleitor não se dá conta porque só se liga no horário eleitoral gratuito, na televisão, às vésperas da eleição - assim mesmo porque atrapalha a novela das oito.

Há um fenômeno de comunicação que os marqueteiros conhecem bem: a visibilidade que os políticos municipais têm no horário eleitoral gratuito em suas cidades torna-os, temporariamente, estrelas do horário nobre. Por quê?

Afirmo, sem nenhuma base científica, que o fenômeno acontece porque o eleitor se sente próximo do candidato, com o qual pode topar em qualquer esquina da cidade, receber um abraço afetuoso e uma atenção do candidato que, intimamente, sabe que jamais teria.

Para muitos eleitores é mágico ver na televisão aquele cara que acabou de falar com ele na rua aparecer na telinha da TV, na sala de sua casa, pedindo o seu voto.

Em sua simplicidade, o eleitor se deixa engambelar pela adulação televisiva e se sente importante. Pena que ele desconhece a verdadeira importância de seu voto para o sistema democrático.

Não é por outra razão que os partidos maiores saem à caça dos menores nas cidades que tem um canal de televisão, o palanque eletrônico preferido por dez entre dez candidatos a qualquer cargo eletivo.

Os eleitores taubateanos mais antigos hão de se recordar que na década de 1990 só existia televisão, no Vale do Paraíba, em São José dos Campos, o que nos obrigava a assistir o horário eleitoral gratuito de lá.

Foi preciso uma ação na Justiça Eleitoral para impedir que a emissora, no caso a Rede Globo (me parece que o nome TV Vanguarda ainda não existia) tirasse do ar o sinal que vinha para Taubaté.

Isto explica a guerra de bastidores travada pelos partidos na busca frenética de alianças que aumentem seu tempo de televisão. Foi assim na eleição municipal passada e está sendo assim agora.

A compra de partidos apoiadores é feita diretamente com os donos dos partidos menores. O preço é ajustado conforme o tempo que cada um dispõe no horário eleitoral gratuito.

Se o tempo de televisão é zero, oferecem-se cargos públicos, a forma mais barata de cooptação e de arregimentação de adeptos.

Atenção: isto vale apenas para as cidades que possuem canal de televisão aberta. Taubaté tem a Band e a Vanguarda.

Como o horário eleitoral gratuito é exibido simultaneamente, teoricamente, 100% da audiência televisiva é para ver os candidatos na TV.

Pelo tempo de televisão que cada candidato terá, será possível saber se um partido gastou mais que o outro pelas alianças feitas no período pré-eleitoral. O difícil é saber a que cu$to.

O balcão de negócios que envolvem os partidos políticos está em franca escalada. Negociações são feitas longe da ribalta jornalística, intramuros. O eleitor sequer desconfie que é seu voto está sendo negociado.

Por que o PV de Taubaté tem interesse no PMDB sem Peixoto, como se fosse possível dissociar a imagem do prefeito canastrão do partido ao qual pertence? É pelo tempo de televisão e mais nada.

Por que o PMDB e o PT de Taubaté, em nome da aliança nacional entre as duas legendas, se aturam no plano municipal? Porque os dois têm os maiores tempo na televisão.

Por que o PSDB taubateano deu emprego na FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação) a pessoas ligadas a partidos nanicos na cidade se não para garantir tempo de televisão no horário eleitoral gratuito?

Isto posto, fica claro que mais de 50% do tempo no horário eleitoral gratuito será preenchido pelos partidos hegemônicos: PT, PMDB e PSDB, com uma pequena vantagem para os dois primeiros.

Tempo de TV para as eleições municipais de 2012
O PV e o PPS serão os grandes prejudicados no horário eleitoral gratuito nas eleições municipais de Taubaté. Como escapar da perversidade da distribuição do tempo de televisão proporcional à representação que cada partido tenha no Congresso Nacional?

Convido-vos a raciocinar comigo: por que o tempo de televisão não pode ser dividido igualitariamente entre os candidatos a prefeito? Não seria muito mais democrático?

Sei que é um sonho pensar em democracia plena num país que se acostumou a ser vilipendiado pelos poderosos. Quem sabe a próxima reforma eleitoral privilegie a democracia em detrimento dos interesses da classe dominante e dos partidos políticos, de esquerda e de direita, que querem se perpetuar no poder.

É um sonho, mas sonhar é preciso, diria Fernando Pessoa.