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sábado, 10 de dezembro de 2011

ONG DENUNCIA RELAÇÃO PROMÍSCUA ENTRE PV E PSDB NA CÂMARA MUNICIPAL

O ex-vereador Joffre Neto, diretor da ONG Transparência Taubaté, postou no grupo Taubaté de Peixoto, dia 3 de dezembro último, uma minuciosa e brilhante análise sobre a relação promíscua entre o PV e o PSDB na Câmara Municipal de Taubaté.

Pelo PV respondem os vereadores Jeferson Campos (presidente do Poder Legislativo municipal) e Henrique Nunes. Pelo PSDB o envolvido é o suplente de vereador José Antonio de Angelis – Bilili.

A primeira informação que o gabinete do vereador Henrique Nunes (PV) estava sendo usado pelo suplente de vereador do PSDB foi publicada por este blog dia 17 de novembro. A informação foi dada pelo próprio Henrique Nunes.

No dia 3 de dezembro, a notícia, ampliada e melhorada, foi divulgada pelo jornal O Vale. A partir do publicado pelo jornal, Joffre Neto fez uma brilhante análise sobre a situação dos envolvidos no episódio.

Entre outras coisas, Joffre Neto informa que a filha do suplente Bilili é assessora de Jeferson Campos com salário, pasmem!, de R$ 3,2 mil mensais. Como é caridoso esse Bilili.

Joffre leva ao MP relação promíscua PV-PSDB na Câmara
Verdadeiramente, as relações promíscuas do PV com o PSDB na Câmara Municipal de Taubaté não são apenas um samba do crioulo doido, como observou Joffre. Trata-se de promiscuidade explícita.

Abaixo, a análise do diretor da ONG Transparência Taubaté sobre a vergonhosa triangulação envolvendo os vereadores Jeferson Campos e Henrique Nunes, ambos do PV, e o suplente de vereador José Antonio de Angelis – Bilili (PSDB).

A reportagem do jornal “O vale” de hoje informa algo impressionante:

1) Bilili-PSDB, suplente de vereador tem gabinete informal na Câmara, cedido pelo Ver. Henrique Nunes, PV;

2) Informa Bilili que sua atividade é marcar consultas, exames, internações e transporte de doentes “em meu próprio carro” (que foram meticulosamente contabilizados com nome e endereço das vítimas, digo, clientes, que chegam a 2.800, na ponta do lápis);

3) Sua filha é assessora de Jeferson Campos-PV, com vencimentos de R$ 3.250,00.

Em suma, um verdadeiro samba-do-crioulo doido, acompanhado dos trombones do clientelismo, da ilegalidade e da certeza que a Casa de Leis sem transformou em terra-sem-lei, um tudo pode, tudo é tolerado e, sabeis vós, casa que tudo tolera se transforma em casa de tolerância.

Vejamos a salada ideológica e um a um dos delitos cometidos, mesmo que de boa-fé:

A salada: PSDB e PV são adversários locais, mas isso não tem o menor significado nem para Henrique nem para Bilili, porque os partidos são ficções jurídicas exigíveis por lei: não significam grupo de pessoas que partilham uma doutrina, programa e ética.

Os possíveis delitos:

1)Crime de improbidade admistrativa de Henrique Nunes e Bilili por desvios de finalidade de bens públicos;

2) Ilegalidade por nepotismo, dado que a filha do suplente de vereador supostamente continou ocupando o cargo quando seu pai assumiu como titular.

3) Crime de prevaricação por parte da Mesa da Câmara que nomeou a filha do suplente sabendo de sua condição;

4) Crime de prevaricação por parte de Jeferson Campos por ter como assessora pessoal a filha do suplente e por tolerar o tal “gabinete informal” que certamente é notório na Casa;

5) Crime de fraude na marcação de consultas, exames e internações, porque os desvalidos certamente só procuram o “vereador informal” porque não foram atendidos pelas vias legais e se valem de suposta influência deste (que alardeia aos quatro ventos, inclusive dizendo-se íntimo do Gov. Alckmin) para burlar filas – o que pode, em tese, ter causado até mesmo a morte de alguém preterido.

É situação de dificílimo enfrentamento porque Bilili certamente acredita-se um homem caridoso, altruísta, que “faz o bem sem olhar a quem” (mas que contabiliza os atendimentos e, certamente, anota os endereços das vitimas, digo, clientes, com as repectivas datas de aniversários, em especial das crianças, porque os pais são muito sensíveis a carinhos aos filhos). É tão despojado que usa o próprio carro para transportar os desvalidos e paga do bolso, duas secretarias para serví-los.

Isso não é o que vem sendo chamado de assistencialismo (doação de bens materiais) mas clientelismo, um dos mecanismos mais perversos de dominação branca de cidadãos transformando-os em clientes-eleitores.

Funciona assim: oferece-se aos mais desvalidos serviços essenciais de direito, mas aos quais eles não têm acesso: serviços de saúde (consultas, exames, medicamentos, transporte), vagas em escolas, bolsas-de-estudos, etc.

Ao invés de serem serviços oferecidos por uma instituição impessoal (Prefeitura, Estado ou União) são oferecidos, pessoalmente, por um político.

No caso das instituições impessoais, o indivíduo se sente cidadão, nao deve nada a ninguém. Já quanto ao “santo político” que o ajudou, pessoalmente, sente-se preso por uma relação de dívida vitalícia cujo pagamento é “tão pequeno”: um mero voto! “Que custa?”, pensará a vítima e assim vota de olhos fechados em bons e maus, porque se importando se éticos ou corruptos.

Por que de dificil enfrentamento? – repito.

Porque após a denúncia os cidadãos-vítimas beneficiadas não compreenderão que eram vítimas de um mecanismo eleitor de corruptos, mas sim que foram privadas da ajuda do “amigo de verdade” que até, quem sabe, salvou a vida de um familiar quando furou uma fila de, por exemplo, um transplante. Outro pode ter morrido, mas “antes ele do que eu”.

E além disso, o político denunciado alardeará aos quatros ventos que os denunciantes “não têm coração” e só fizeram a denúncia “por motivos polítcos, sem se importar com as pessoas”. Dirá também que são “pessoas que nunca fizeram nada para ninguém mas só vivem de denúncias”. Enfim, dirá, “indignado”, que são pessoas “que têm o mal no coração”.

Paciência, a Transparência cumprirá o seu dever ético e fará a denúncia do mesmo jeito, cobrando ao Ministério Público que tome as providências cabíveis.

Aqui, a matéria d'O VALE que suscitou o comentário de Joffre Neto.

Suplente do PSDB ganha mandato informal na Câmara de Taubaté

Mesmo sem mandato, o suplente de vereador José Antonio de Angelis, o Bilili (PSDB), mantém um gabinete informal na Câmara de Taubaté, onde atende moradores e prepara a candidatura para o próximo ano.

Embora não esteja como vereador em exercício atualmente, ele circula com livre acesso pelo Legislativo, recebe e atende pedidos, atuando como uma espécie de 15º parlamentar.

O atendimento é feito no gabinete do vereador Henrique Nunes (PV), que cedeu o espaço “por amizade”. Bilili é o primeiro suplente do PSDB, e não do PV.

Nunes, que não pretende concorrer em 2012, afirmou que apoiará Bilili na disputa.

Atendimento. O suplente do PSDB tem como bandeiras a saúde e o desenvolvimento das áreas rurais. Ele contabiliza ter realizado desde 2009 – quando montou o gabinete informal– 2.800 atendimentos.

Bilili costuma ser procurado por pessoas em busca de vagas para exames, consultas e internações. Os próprios vereadores chegam a recorrer a ele para conseguir vagas em hospitais, o que garante ao suplente o “reconhecimento” dos colegas na Câmara.

“Sou um colaborador. Trabalho de graça, e para ajudar.”

Bilili também negou que utilize carro, telefone ou assessores de Henrique Nunes, conforme funcionários da Câmara relataram à reportagem.

“Tenho duas colaboradoras que trabalham para mim, não uso nada da Câmara, só o espaço do gabinete. Até cedo meu carro particular para levar pacientes em consultas.”

Nunes também defendeu a conduta. “Ele está trabalhando para acrescentar, para ajudar a população, não para tirar algum proveito.”

Tá bom Henrique, me engana que eu gosto.