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sábado, 17 de dezembro de 2011

TUCANALHA FICA UMA “ARARA” COM LIVRO SOBRE PRIVATARIA NO GOVERNO FHC

Desculpem o trocadilho, mas não havia como deixar passar a oportunidade. Ganhei A Privataria Tucana no início da noite de quarta-feira (14/12) – presente de meu amigo Benedito Machado.

Pus-me a ler freneticamente o livro de Amaury Ribeiro Jr, da Geração Editorial, que vendeu 30 mil cópias no dia de seu lançamento (09/12), obrigando a editora a imprimir outras 30 mil cópias. Nova tiragem de 50 mil cópias estava prometida para ser entregue às livrarias nesta sexta-feira (16/12).

Como um colegial, impus-me a tarefa de resumir cada capítulo do livro de conteúdo explosivo, que deixou a tucanalha uma arara. Recomendo, pois, sua leitura.

Para Serra o livro é um lixo. FHC, pai das privatizações, que admitiu inclusive que a mídia estava exagerando ao criticar as teles para favorecer sua privatização, o acusador é infame. Não responde nenhuma das acusações e tenta desqualificar a obra de Amaury Ribeiro Jr. Ação típica dos tucanos.

Abaixo, apresento-vos o resumo que fiz de A Privataria Tucana. Leiam o livro e entendam os descaminhos da privatização patrocinada pelos tucanos que, de quebra, enriqueceu familiares do ex-governador José Serra e amigos próximos.

Charge de Bira no blog Tijolaço, do deputado Brizola Neto

CAPÍTULO 1 - A história antes da história.

O autor relata que trabalhava no Correio Brasiliense, na editoria de Polícia, quando foi vítima de atentado na noite de 19 de setembro de 2007. Amaury havia publicado matérias investigativas sobre o narcotráfico no Distrito Federal e as dezenas de assassinatos de jovens e adolescentes a mando dos chefões do tráfico na periferia da capital federal.

CAPÍTULO 2 – Briga de foice no PSDB

De volta ao jornal O Estado de Minas, o repórter recebeu a incumbência de investigar quais eram os arapongas que estariam perseguindo o governador mineiro Aécio Neves, que disputava com Serra o direito de ser candidato a presidente da República pelo PSDB. Segundo a direção do jornal mineiro, tucano preparava um dossiê contra o tucano mineiro. O jornalista descobriu que um funcionário da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Luiz Fernando Barcellos, o agente Jardim, ligado a Marcelo Itagiba (PSDB), delegado da Polícia Federal e atual deputado federal, era o responsável pela bisbilhotagem da vida amorosa de Aécio Neves no Rio e Janeiro.

CAPÍTULO 3 – Com o martelo na mão e uma ideia na cabeça

O relato começa com o leilão de privatização da Excelsa, companhia de eletricidade do Espírito Santo, em 21 de maio de 1996. O governo tucano de FHC e Serra tentou tornar Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal em bancos de segunda linha. A sanha privatista prosseguiu com a venda da CSN por R$ 1,05 bilhão, dos quais R$ 1 bi era moeda podre, ou seja, o caixa do governo recebeu pela privatização apenas R$ 38 milhões. O mesmo fenômeno aconteceu com as privatizações da Fepasa, do Banerj. O sucateamento das teles e o aumento das tarifas que chegaram a 500% a partir de 1995 tinha o objetivo claro de angariar apoio popular à privataria, termo cunhado pelo jornalista Elio Gaspari.

CAPÍTULO 4 – A grande lavanderia

Neste capítulo, Amaury Ribeiro Jr põe a nu as relações incestuosas entre doleiros, contrabandistas, traficantes, dirigentes esportivos e políticos que transferem para paraísos fiscais milhões de dólares e depois internalizam a dinheirama no Brasil via associação das offshores caribenhas com empresas nacionais. Está lavado o dinheiro sujo de propinas e outras origens duvidosas.

CAPÍTULO 5 – Aparece o dinheiro da propina

Amaury Ribeiro Jr passa a limpo o desconforto do PSDB com as denúncias do jornalista na revista semanal IstoÉ, e a transferência de US$ 410 mil de Ricardo Sérgio de Oliveira para um paraíso fiscal, proveniente, segundo o jornalista, de propina paga pelo megaempresário Carlos Jereissati. A revelação está documentada no livro. Outra revelação: o governo da União investiu R$ 21 bilhões na modernização das teles dois anos e meio antes de sua privatização para Jereissati por R$ 22 bilhões. Metade dos R$ 8 bilhões que Jereissati deveria dar de entrada pela compra da Telemar foi emprestado pelo BNDES.

CAPÍTULO 6 – Mister Big, o pai do esquema

Neste capítulo, o jornalista Amaury Ribeiro explica, em detalhes, as conexões de Ricardo Sérgio de Oliveira, conhecido na intimidade tucana por Mr Big, com doleiros americanos (David Spencer), especialistas em lavagem de dinheiro sujo, abertura de contas offshore (fora da praia) em paraísos fiscais e o retorno do dinheiro, limpinho ao Brasil. Possibilidade aberta pelo próprio Mr Big quando diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, onde fora parar por indicação de José Serra. O capítulo é concluído com 25 páginas de documentos oficiais que desmontam a engrenagem de envio e lavagem de dinheiro por Mr Big, bem como as empresas criadas em paraísos fiscais com ajuda de doleiros e tramas financeiras que permitiram a Daniel Dantas abrir uma empresa com capital de R$ 1 mil um mês antes do leilão das teles, com carta de crédito de R$ 847 milhões dada pelo Banco do Brasil, em pleno governo FHC.

CAPÍTULO 7 – Ex-caixa do PSDB recebe mais US$ 1,2 milhão

Este capítulo mostra como eram estreitas as relações entre Ricardo Sérgio de Oliveira e o empresário Gregório Marin Preciado, primo de José Serra, que depositou, entre 1998 e 2002, nada menos que US$ 2,5 bilhões por meio da Beacon Hill (Farol da Colina) na offshore Franton Interprise, a mesma operada por Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa das campanhas de Serra e FHC. Estas descobertas foram possíveis graças ao chefe da promotoria de Nova York, Roberto Morris Morgenthau, que enviou toda a documentação à Polícia Federal brasileira. Os documentos incriminam também o ex-prefeito paulistano Paulo Maluf, além do primo de Serra, Precisado, Ricardo Sérgio e vários doleiros. Mais 27 páginas com documentos oficiais embasam o texto do jornalista.

CAPÍTULO 8 – O primo mais esperto de José Serra

Gregório Marín Preciado, casado com uma prima de Serra, obteve favores do Banco do Brasil inimagináveis para um devedor comum. Não é que ele devia R$ 448 milhões ao BB que misteriosamente a dívida gigantesca em apenas R$ 4,1 milhões?  Como pode um empresário em estado pré-falimentar obter empréstimo de US$ 2,5 milhões na agência do BB em Rudge Ramos, na Grande São Paulo, em 1994, e outro de US$ 2,8 milhões sem ter quitado o primeiro empréstimo. FHC era presidente da República e o primo Serra ministro do Planejamento. O manda-chuva no BB era Ricardo Sérgio do Amaral, diretor da área internacional do banco por indicação de Serra.

CAPÍTULO 9 – A feitiçaria financeira de Verônica Serra

O capítulo trata da sociedade entre a filha de Serra, Verônica Serra, e uma irmã do banqueiro Daniel Dantas, Verônica Dantas, na empresa Decidir.com.inc, encravada em Miami. Verônica Serra é casada com Alexandre Bourgeois, a quem conhecera na Harvard Business School no anos 1990. A dupla, com mais três sócio, fundou a IConexa Inc, no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. A sociedade entre Verônica Serra e Verônica Dantas veio a público na eleição presidencial de 2002 e não foi divulgada pelo PT ou alguém do staff de Lula. A divulgação foi feita pela revista IstoÉ Dinheiro, com um detalhe: não foi prática de bom jornalismo investigativo. O que estava em jogo era o interesse de Daniel Dantas em abocanhar uma patê das teles. Outras 42 páginas de documentos oficiais encerram o capítulo Verônica Serra.

CAPÍTULO 10 – Os sócios ocultos de Serra

Serra jamais assumiu suas parcerias comerciais. Uma ação do BB cobrando uma dívida do primo Preciado possibilitou a descoberta que ambos possuíam em sociedade um terreno no Morumbi, zona sul da capital paulista. O terreno, com mais de 800 m², foi vendido por R$ 140 mil, bem abaixo do valor de mercado. Na época (1995) Serra era ministro de FHC. Para o Ministério Público Federal, Serra mentiu para a Justiça Eleitoral ao ocultar suas ligações comerciais com o primo Preciado. A ligação de Serra com Wladimir Antonio Rioli também é nebulosa e não se circunscreve apenas ao Palmeiras, time do coração da dupla. Rioli e Serra foram sócios durante nove anos na Consultoria Financeira Ltda. Na condição de diretor de operações do Banespa, Rioli liberou empréstimos suspeitos para o primo do ex-governador tucano José Serra.

CAPÍTULO 11 – “Doutor Escuta”, o araponga de Serra

O jornalista Amaury Ribeiro Jr. revela que o chororô de Serra que sua filha Verônica Serra estava sendo espionada, com a reverberação de praxe na mídia serrista, não passava de um manto para encobrir a arapongagem que o próprio Serra fazia no governo de São Paulo, quando disputava a vaga de candidato do PSDB com o colega mineiro Aecio Neves. Primeiro foi contratado o Dr. Escuta (Ênio Gomes Fontelle), via Fence Consultoria Empresarial, de sua propriedade. O delegado d Polícia Federal e ex-deputado federal Marcelo Itagiba era o chefe dos arapongas. O ex-agente do SNI (Serviço Nacional de Informação), Fernando Luiz Barcellos, o agente Jardim, e o delegado Onézimo das Graças Souza eram os ouros membros do grupo. A Fence foi contatada pela Procunsult – portanto, paga com dinheiro público. Outras dez páginas de documentos oficiais confirmam a trama.

CAPÍTULO 12 – Os tucanos e suas empresas-camaleão

O intrincado número de empresas de fachada abertas por Alexandre Bourgeois, marido de Verônica Serra, filha de José Serra e sócia de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, é parte dom submundo do crime organizado pelos homens do colarinho branco que nós, pobres mortais pagantes de impostos e extorquidos por juros altíssimos sequer imaginamos. As empresas camaleão de Bourgeois e as Verônicas (Serra e Dantas) são acompanhadas de perto neste capítulo. Ricardo Sérgio de Oliveira, braço direito de FHC e Serra na arrecadação de fundos para as campanhas dos dois tucanos de alta plumagem também faz parte deste capítulo. Ah! Verônica Serra internou no Brasil R$ 10 milhões via sua offshore Decidir Internacional Limited. Imaginação para a escolha de nomes para estas empresas não falta: Obix Capital S. C. Ltda, Lutece Investimento e Gestão de Recursos Ltda. Os nomes só sevem para enganar e confundir os investigadores, mas são tudo uma coisa só. Mais 10 páginas de documentos contam a história das empresas de Alexandre Bourgeois, genro de José Serra, no Brasil e nos paraísos caribenhos.

CAPÍTULO 13 – O indiciamento de Verônica Serra

O livro revela que Verônica Serra, filha do ex-presidenciável José Serra, que ainda pelo osso com o senador Aécio Neves, foi indiciada pela Polícia Federal em 2003 por quebra de sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros, em janeiro de 2001, nos estertores do governo FHC, após sua empresa assinar contrato com o Banco do Brasil. Com base em informações da Folha de S. Paulo, o então presidente da Câmara Federal, ex-deputado Michel Temer, solicitou ao presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que investigasse o caso. E pensar que Serra tentou imputar a um improvável grupo de inteligência da candidata Dilma Rousseff, na eleição presidencial de 2010, a quebra de sigilo fiscal de sua filha Verônica Serra, quando foi ela a autora da traquinagem em 2001, ao quebrar o sigilo bancário de 60 milhões de correntistas brasileiros. O capítulo é encerrado com a divulgação de mais 7 páginas de documentos comprovando as denúncias de Amaury Ribeiro Jr.

CAPÍTULO 14 – Quando o autor vira personagem

O jornalista Amaury Ribeiro Jr dá sua versão à investigação da Polícia Federal sobre a quebra de sigilo fiscal e a tentativa dos policiais de convencê-lo a fazer delação premiada. O jornalista afirma que não aceitou. Os fatos teriam ocorrido no final de outubro de 2010, poucos dias antes do segundo turno das eleições presidenciais. OBS: Lembro-me que cancelei a assinatura que tinha da Folha de S. Paulo por pura intuição. Para mim, a informação da quebra de sigilo fiscal e as matérias que vi no Jornal Nacional me cheiravam a maracutaia para derrotar a candidata Dilma Rousseff. A partir daquela data deixei de ler a Folha e de assistir ao Jornal Nacional para me poupar da calhordice da mídia golpista que, nesta semana, deu espaço para FHC reclamar que está sendo vítima de denúncias infames e que o jornalista foi indiciado pela PF. FHC não respondeu a nenhuma das denúncias contidas no livro. Demonstrou a lógica do PSDB, aprendida pelos tucanos menores de Taubaté: tergiversar e desqualificar o denunciante, sem responder às acusações.

15 – CAPÍTULO 15 – Os vazamentos no “bunker” do Lago Sul

No capítulo final do livro, Amaury Ribeiro Jr. revela que foi chamado para trabalhar no escritório de comunicação da campanha da candidata Dilma Rousseff. Afirma que sua contratação era para encontrar quem pudesse estancar os vazamentos de detalhes sobre a campanha de Dilma. Ribeiro Jr. cita o deputado estadual Rui Falcão, hoje presidente nacional do PT, como um dos responsáveis por vazar para a imprensa informações sobre a campanha de Dilma junto com o ex-ministro Antonio Palocci, tudo para prejudicar o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, amigo pessoal da presidenta Dilma Rousseff. Após a leitura de A Privataria Tucana, creio que o hoje ministro do Desenvolvimento de Dilma continua sendo vítima de espiões petistas – é só ler o noticiário na mídia golpista.