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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

OS MELHORES CAPITÃES DE MATO ERAM EX-ESCRAVOS ALFORRIADOS

Os melhores e mais sanguinários caçadores de escravos fugitivos de seus cativeiros eram exatamente os ex-escravos alforriados por seus donos que, ensandecidos pela liberdade fugaz, caçavam seus irmãos como animais, embrenhados no sertão para fugir do jugo da oligarquia rural que exploravam seu trabalho até à morte.

O mesmo vale para ex-esquerdistas que se converteram e hoje representam com fervor a direita oligárquica. Tornam-se mais realistas que o rei, como a justificar a mudança de rumo em suas vidas. Uma espécie de mea culpa que os torne dignos de serem aceitos pela elite dominante, que prefere acabar com os pobres ao invés de acabar com a pobreza.

Não será preciso, neste blog, recordar os feitos da polícia militar paulista no episodio de domingo no Pinheirinho, em São José dos Campos. Jornalistas mais competentes e mais bem informados analisaram brilhantemente os fatos, entre os quais cito Carlos Karnas e Maria Inês Nassif.

O tucano José Serra, hoje, é expoente do que há de mais retrógrado em nossa política. Para quem já presidiu a UNE (União Nacional dos Estudantes), foi exilado político no Chile, sua atuação política é deprimente.

Em sua vã tentativa de vencer a corrida presidencial em 2010, não teve pejo em transformar uma inofensiva bolinha de papel num artefato bélico capaz de lhe arrancar a cabeça, como também não se envergonhou de acusar Dilma Rousseff de aborteira quando o aborto foi praticado por sua própria mulher.

Caso semelhante é o do ex-comunista Alberto Goldman, que governou São Paulo no final de 2010 para Serra candidatar-se à Presidência da República.

Goldman governou São Paulo por nove meses, tempo suficiente para surrupiar leitos hospitalares que serviam ao SUS para repassá-los para as OS (organizações sociais). Os pobres perdiam leitos para quem pudesse pagar.

O então governador Alberto Goldman, que tem muitos amigos em Taubaté, justificava assim sua conversão da esquerda para a direita.

Vejo agora uma nota oficial assinada por Alberto Goldman, presidente nacional interino do PSDB sobre a invasão do Pinheirinho, perpetrada pela polícia de Alckmin.

O ex-comunista, mais realista que o rei, foge do debate sobre a desastrada operação policial de domingo (22/01/12) e tenta culpar o governo federal pela ineficácia do PSDB que conhecia a ocupação desde 2004 e nada fez.

Ou melhor, fez sim: acata a ordem de um desembargador estadual para descumprir uma liminar dada por desembargador federal que suspendia a operação militar até que se chegasse a um consenso

Estão de parabéns o governador Geraldo Alckmin e o ex-governador Alberto Goldman pela truculência empregada pela PM para desalojar pobres e defender o milionário megaespeculador Naji Nahas, bandido indiciado pela Polícia Federal que só está solto porque a Justiça brasileira só funciona para pobres, pretos e putas.

O ex-comunista Alberto Goldman não passa de um capitão de mato.


É deplorável a intromissão do governo federal, através do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, no processo de reintegração de posse da área invadida do Pinheirinho, em São José dos Campos. Ao politizar um assunto que se transformou em drama que sensibiliza a todos nós, mas sobre o qual nunca procurou encontrar uma solução, o ministro ignorou o princípio da separação entre os poderes e a autonomia dos entes federativos. Mais: ao dizer que o “método” do governo federal não é esse, sugeriu à nação que não se acatem decisões judiciais. Fato grave quando a atitude vem de um ministro que tem a obrigação de zelar pela Constituição.

O método do ministro e de seu governo é conhecido. O cumprimento da decisão judicial fez com que o PT movimentasse todos seus tentáculos políticos e sua máquina de desinformação, com o intuito de atingir três metas: culpar o Governo do Estado pelo fato, caracterizar como de extrema violência a intervenção policial no local e se apresentar como paladino da justiça social, fazendo falsas promessas e criando expectativas irreais para os moradores do local.

Criaram, o ministro e seu partido, nos moradores do Pinheirinho, uma falsa expectativa, nunca concretizada, de resolver a questão. Ao invés de fazer proselitismo político, o Governo Federal poderia ter publicado decreto de desapropriação da área, mas não o fez.

É temerário que, mal se tenha iniciado o processo eleitoral deste ano, o PT já disponha de uma fábrica tão ampla de mentiras. Pior ainda é ver esse projeto de poder ser traçado às custas da ordem democrática e do sofrimento de pessoas que os petistas, hipocritamente, fingem confortar.

O governo de São Paulo agiu em cumprimento de determinação do Judiciário, e a operação foi comandada diretamente pela Presidência do Tribunal de Justiça paulista. Enquanto o governo federal só agride, o governo paulista e a prefeitura do município providenciam a ajuda necessária para minorar o sofrimento das famílias desalojadas.

Brasília, 24 de Janeiro de 2012
ALBERTO GOLDMAN
Presidente Interino
Comissão Executiva Nacional