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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

QUANTO MAIS SE PERDE DE VISTA O 22 DE JANEIRO DO PINHEIRINHO, MAIS ME CONVENÇO QUE TEMOS UM GOVERNO VIL

Conheci Geraldo Alckmin em meu início de carreira no jornalismo, em 1980. Era o prefeito mais jovem do Brasil e Pindamonhangaba se orgulhava disto. Geraldinho concluía a Faculdade de Medicina de Taubaté.

Seu pai, um senhor de olhar severo e pouca conversa, cuidava da administração municipal enquanto o filho se dedicava aos estudos.

As tardes de jovem prefeito pertenciam à administração municipal. As portas de seu gabinete estavam permanentemente abertas para receber quem o procurasse. Alckmin  sempre foi expert em política de boa vizinhança, por isso chegou onde chegou.

Como repórter do mais importante jornal da região (ValeParaibano), Geraldinho me recebia sempre com um sorriso estampado no rosto. Não precisava de hora marcada para conversar com o prefeito de Pindamonhangaba.

Hoje os tempos são outros. Esta intimidade é praticamente impossível, mas foi ela que me possibilitou almoçar na casa de Geraldinho, a convite, algumas vezes. Sua filha Sofia era recém-nascida.

Estabelecemos uma relação de confiança. Geraldinho foi bom prefeito e possuía certo carisma, que envolvia seus interlocutores. Politicamente foi bafejado pela sorte desde sua primeira candidatura.

João Bosco Nogueira e seu irmão Fernando Nogueira foram os tratores que abriram caminho para Geraldinho ingressar no mundo político em 1972, quando se elegeu vereador aos 19 anos. Bosco se elegeu prefeito.

Em 1976, apoiado por João Bosco, foi candidato a prefeito e venceu as eleições daquele ano, pelo MDB, contra todos os prognósticos.

Ganhou dois anos de mandato e elegeu-se deputado estadual em 1982 com estrondosos 120 mil votos. O voto vinculado obrigava o eleitor sufragar os candidatos da mesma legenda, sob pena de ver seu voto ser anulado.

Fiz parte do primeiro grupo de assessores de Geraldinho na Assembléia Legislativa. Seu pai era o chefe de Gabinete. Pedi exoneração alguns meses depois para me dedicar ao ValeParaibano e à Rádio Difusora.

O tempo passou. O garoto tímido que foi vereador e prefeito de Pindamonhangaba transformou-se no presidente estadual do PSDB até encontrar outro trator que lhe abriu as portas do Palácio dos Bandeirantes.

Foi deputado federal constituinte e vice-governador duas vezes de Mário Covas. Assumiu uma parte do mandato de Covas quando este morreu e se elegeu governador em 2002.

Candidatou-se à Presidência da República e foi derrotado por Lula em 2006. Enfrenta uma batalha dura com o tucano José Serra desde então pela hegemonia dentro do PSDB.

Hoje, ao ver a atuação pífia de Alckmin no governo de São Paulo e a truculência empregada por seus asseclas na desocupação do Pinheirinho, estou convencido que acertei ao deixar o tucano nos primeiros meses de seu mandato de deputado estadual. Naquela época considerava seu mandato monótono.

Abaixo, dois vídeos para mostrar a realidade da invasão policial no Pinheirinho e para desmentir o PIG, que tenta jogar a culpa nos partidos de esquerda, como se o problema não fosse dos tucanos e do prefeito Eduardo Cury, que não cobra R$ 16 milhões de uma possível dívida do megaespeculador Naji Nahas com a Prefeitura de São José dos Campos.

Nahas é o dono da área desocupada com truculência pela Polícia Militar.

Vídeo 1 – PM agride covardemente ex-morador do Pinheirinho. As imagens são revoltantes.

Vídeo 2 – A realidade dos fatos são indesmentíveis. As ligações de Nahas, Alckmin e Cury são antigas.