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domingo, 12 de fevereiro de 2012

TAUBATÉ FAZ ESCOLA NO QUESITO CORRUPÇÃO E NA FEROCIDADE PARA DESALOJAR POBRES DE SUAS CASAS

O Brasil  não conhece Taubaté por suas figuras ilustres – Monteiro Lobato, Hebe Camargo, Renato Teixeira, Cely e Tony Campello, Mazzaropi e tantos outros.

Infelizmente, nos últimos anos a cidade ficou conhecida pelos malfeitos da dupla encastelada no Palácio do Bom Conselho, que pode retornar ao spa da Polícia Federal a qualquer momento.

Aguardamos com ansiedade o parecer da procuradora federal Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, que deve oferecer denúncia contra Roberto e Luciana Peixoto.

Por fim, torcemos para que o desembargador Mairan Maia, do Tribunal Regional Federal, acate a denúncia e faça justiça, defenestrando Roberto Peixoto da Prefeitura, abrindo espaço para a vice-prefeita Vera Saba limpar o Palácio do Bom Conselho dos maus elementos, que não são poucos.

Para não perder o fio da meada: Taubaté ensina ao Brasil como se pratica corrupção, mas também ensina com o desalojar pobres com truculência, usando força policial e com a colaboração de magistrados que deveriam zelas pelas leis.

Em 2004, lembra o professor Silvio Prado, o prefeito José Bernardo Ortiz desalojou violentamente os moradores da Favela do Mármore, de suas toscas habitações, em Taubaté.

A lição ensinada pelo déspota de Taubaté foi aprendida pelos tucanos Geraldo Alckmin (governador) e Eduardo Cury (prefeito de SJC).

A lição como acabar com a pobreza dizimando os pobres foi aplicada com requinte de crueldade no Pinheirinho pelos tucanos. Nada como seguir as lições de um grande mestre.

Entre a higienização praticada por Hitler contra judeus, negros, homossexuais, ciganos e a faxina promovida por Ortiz em Taubaté em 2004 há muitas semelhanças.

Leiam o relato do professor Silvio Prado.

Ortiz já nos deu um Pinheirinho

No dia 31 de Março de 2004, Taubaté teve o seu dia de Pinheirinho. Para chegar a esse dia, o então prefeito Bernardo Ortiz recorreu à justiça para desalojar pelo menos cem pessoas moradoras na chamada Favela do Mármore, localizada no Jardim Paulista.

A justiça (com letra minúscula), como aconteceu em São José dos Campos, atendeu ao pedido do prefeito e solicitou uma tropa de choque da polícia militar (também com letra minúscula) para o ato de desocupação. Esta, sem demora, atendeu ao pedido da justiça. Portanto, na manhã do último dia de março de 2004 os moradores da favela do Mármore, idêntico ao ocorrido no Pinheirinho, foram surpreendidos e brutalmente arrancados de suas casas.

Mestre Ortiz ensinou tucanos como desalojar pobres com virulência
Naquela hora da manhã, crianças ainda dormiam, mas foram acordadas, como também aconteceu no Pinheirinho. Os adultos que reagiram, como sempre, levaram belas cacetadas da polícia. Foi um berreiro só. Mães desesperadas não sabiam o que fazer com os filhos, enquanto empilhavam seus móveis rústicos, suas panelas e trouxas de roupas nas imediações das casas desocupadas. Como aconteceu no Pinheirinho, pessoas que retornaram para suas casas depois de uma noite de trabalho nem puderam entrar nas casas, porque elas não existiam mais.

Ao mesmo tempo, fria e cinicamente, assistentes sociais da prefeitura, obedecendo ordens do prefeito Bernardo Ortiz, ofereceram passagens para os desabrigados sumirem de Taubaté. Tomados pelo desespero, poucos aceitaram essa proposta indecente. É preciso dizer que quase cem por cento dos moradores da extinta favela do Mármore eram de origem nordestina, na sua maioria gente mulata e negra.

Repetindo o que aconteceu no Pinheirinho, quando as casas estavam vazias, os tratores da prefeitura, sempre obedecendo ordens do prefeito Bernardo, derrubaram todas elas. Das vinte e tantas casas construídas com imenso sacrifício sobraram apenas alguns amontoados de pedras miúdas.

O prefeito, frio como um oficial da SS, para justificar o atentado cometido disse que os moradores construíram suas casas exatamente no local onde estava projetada a abertura de uma larga e importante avenida. Oito anos depois, a tal avenida que justificou tamanha brutalidade ainda não foi aberta.

Mas o destino daquele povo foi tão trágico como o destino do povo de São José dos Campos. Como consequência do massacre do Pinheirinho, o Brasil inteiro colocou a boca do mundo e criou uma situação constrangedora para o governo terrorista de Geraldo Alckmin e sua policia militar, que usa métodos inspirados certamente nas milícias que Hitler organizou para esmagar judeus, ciganos, Testemunhas de Jeová, socialistas, negros e mestiços em geral.

Em Taubaté de 2004, os desabrigados da Favela do Mármore foram praticamente abandonados pela cidade e viveram seis meses debaixo de uma lona imensa instalada nas imediações das antigas casas demolidas. As igrejas, por exemplo, mesmo sabendo do fato, viraram o rosto para o drama daqueles que pareciam viver num campo de refugiados. Um diretor da CUT, por sinal muito cristão, disse que o lugar daquela gente nordestina não era aqui, pois ela estava tirando o emprego de taubateanos.

Depois, desesperançados, cada um dos desalojados tomou um rumo desconhecido e foi sofrer a desgraça originada no ato de um administrador insensato. Portanto, a mesma frieza e o instinto de extermínio que orientou o massacre do Pinheirinho, em 31 de março de 2004 vimos em Taubaté.

Também naquele momento, à fria e irresponsável solicitação do prefeito teve resposta na ação da justiça que, imediata, convocou uma tropa de choque, que cumpre qualquer ordem e comete todo tipo de atrocidade para fazer valer o enganoso direito de propriedade.

Considero importantíssima essa questão porque a cidade hoje está envolvida, mesmo ilegalmente, no que chamamos de campanha eleitoral, onde aparece a figura de Junior Ortiz, herdeiro político de Bernardo, o prefeito que em 2004 jogou no meio da rua homens, mulheres, crianças, velhos e doentes, e depois mandou máquinas da prefeitura, sob o olhar desesperado dos desalojados, demolir cada uma das casas daquele povo nordestino.

A essa altura do campeonato, a população de Taubaté tem a obrigação moral de fazer pelo menos duas perguntas ao filho de Bernardo, que promete, se eleito, ser igualzinho ao pai:

a) Qual a opinião dele sobre a desocupação do Pinheirinho, feita pelo seu amigo pessoal, guru político e fascistão Geraldo Alckmin?

b) Como é tradição no PSDB, em casos semelhantes, você vai dar aos pobres o mesmo tratamento que seu pai deu no caso da favela do Mármore, e Cury fez, no Pinheirinho, acionando a justiça, chamando tropa de choque, expulsando gente de sua casa, derrubando as casas e botando indefesos para viver ao relento depois de tentar expulsá-los da cidade?

Pelos antecedentes históricos do PSDB em usar a justiça e a policia militar para massacrar gente pobre, a resposta todo mundo já sabe.

Silvio Prado