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sexta-feira, 30 de março de 2012

DA HOLANDA, BARBOSA FILHO ENVIA UMA REFLEXÃO SOBRE A ELEIÇÕES MUNICIPAIS

O jornalista Barbosa Filho é um militante político. Foi secretário do MDB de Taubaté ainda nos anos de chumbo. Autor de vários livros, Barbosas sempre manteve uma relação estreita com os antigos membros oposicionistas. Para não cansar o amigo leitor, cito apenas Ulysses Guimarães, Almino Afonso, Franco Montoro, Mário Covas, e tantos outros.

No momento, o jornalista está na Europa, mais especificamente na Holanda. Continua escrevendo para o Matéria Prima e o Diário de TaubatéPara este blog, Barbosa Filho enviou por e-mail o texto que publico abaixo.


POLLYANA: UMA OPÇÃO PARA OS QUE DESEJAM ÉTICA

Antonio Barbosa Filho

HAIA (Países Baixos) - Pelas informações que recebo de Taubaté, a vereadora Pollyana Gama (PPS) será mesmo candidata a prefeita nas eleições de outubro próximo. Ela conseguiu o apoio da direção estadual do seu partido, apesar do PPS ocupar cargos no Governo do Estado e, portanto, estar sendo assediado "por cima" pelo pré-candidato Bernardo Ortz Jr. e seu pai, o Ficha-Suja que dirige a FDE - Fundação de Desenvolvimento da Educação, órgão incumbido de fazer política para os tucanos paulistas com nosso dinheiro.

Neste livro, Barbosa Filho relata o papel exercido
pela imprensa durante os governos Lula
O próprio Ortiz Jr., ao que se comenta, já teria procurado ou mandado recados a Pollyana em busca de seu apoio já no primeiro turno. Ela nega qualquer possibilidade, já que foi o velho Ortiz quem a levou a assumir uma carreira política: como professora, não se conformou com perseguições  e descaso na administração do ex-prefeito. Cansada de reclamar ao lado de seus colegas, tentou uma cadeira na Câmara, com êxito, e faz um brilhante trabalho, um dos mais destacados da atual Legislatura.

Pollyana deve ter percebido, porém, que o vereador tem poder muito limitado. Se não contar com muita boa-vontade do prefeito, ou se este tiver outras prioridades (como é o caso nesta Administração...), as palavras e votos de um bom vereador perdem-se no vazio, apagadas pela maioria dócil. Talvez por isso a jovem vereadora tenha decidido dar um vôo mais alto, buscando logo um cargo com verdadeiro poder de decisão. Caso ocupe a Prefeitura por quatro anos, certamente um setor será muito bem cuidado, como a cidade necessita há décadas: a Educação.

Cuidar da Educação não significa apenas construir mais salas de aula, cujo número atual parece atender bem às atuais necessidades. É óbvio que o aumento da população sempre exigirá novas unidades, mas o prioritário é cuidar bem do que já existe, em termos de mobília, conforto, merenda realmente adequada (e não superfaturada), grade curricular, participação dos pais na vida escolar, etc.

Logicamente a valorização dos professores é ponto fundamental. Nunca será demais o que a Prefeitura puder oferecer aos profissionais da Educação: há que se encontrar uma maneira de dar-lhes condições de trabalho, mas também de repouso, de preparação de aulas, e de atividades extra-curriculares que resultarão sempre no melhor aprendizado e desenvolvimento do aluno. Sei que a pré-candidata Pollyana é pedagoga, e conhece profundamente a área, além de ser apaixonada pela sua profissão e pelas crianças em geral - alguém que escreve livros de estórias infantis é pessoa muito sensível e generosa.

O FATOR FEMININO

Não sou daqueles que votariam numa candidata apenas por ser mulher, algo novo na política taubateana. Se houverem homens competentes e, principalmente, honestos em seus propósitos, merecerão também o voto popular.

O fato é que, estamos em falta desses homens. O cenário em Taubaté está muito pobre em boas candidaturas, tudo parece muito rançoso, impregnado de pensamentos e práticas arcaicas. O que de novidade nos oferece um Júnior, tutelado pelo pai cujos métodos a cidade está farta de conhecer: autoritarismo, brigas com a Câmara, a Universidade e o Judiciário, perseguição a funcionários, privilégios a amigos, e muito concreto sem nenhuma vida? Júnior tem a juventude, mas sua cabeça foi moldada desde que nasceu para assumir o cargo que seu pai julga posse de sua nobre Família, uma capitania hereditária. (Júnior, se fosse eleito, seria o décimo prefeito de seu clã a governar Taubaté).

Tenho muito respeito pelo Deputado Padre Afonso, mas ele tem titubeado demais, talvez na esperança de conseguir o apoio de todo mundo: hora aproxima-se do prefeito Roberto Peixoto, ora junta-se à oposição; ora flerta com os Ortiz, ora manifesta independência; na Assembléia Legislativa, seu partido vota 100% do que manda o Governador, em troca de alguns carguinhos - diga-se que o Padre Afonso não vendeu seu mandato por empregos, mas seu partido é um dos vários seduzidos por Alckmin em troca de holerites. Tampouco vejo nele, com todo respeito, uma inovação capaz de sacudir o marasmo político da cidade (digo marasmo em termos de projetos, avanços - não houve nenhum marasmo em termos de brigas e baixarias...).

Com tudo isso, também é verdade que o fato de termos uma mulher candidata pode influenciar profundamente o desenho das eleições. Mulheres são 50%  do eleitorado, e elas têm forte influência sobre suas famílias. Talvez ainda sejam menos politizadas que os homens, pela tradição machista que ainda resiste, mas há um fator sentimental em ação. São as mulheres que sentem mais os problemas do seu bairro, o descaso com as crianças, com a Saúde, com os transportes coletivos. São elas que percebem problemas no abastecimento, falta de feiras-livres, carestia. Caso Pollyana, por ser mulher, consiga atingir mais de perto o coração das eleitoras, e conquistar-lhes a confiança, isso pode dar-lhe uma força até agora insuspeitada. Uma "maré feminina" pode virar qualquer eleição.

Mas também entre os homens, por que não?, Pollyana tem muito espaço para crescer em votos. Afinal, o que temos reclamado tanto nos últimos quatro ou oito anos, se não renovação, idéias novas, e Ética na Política?

Creio que os movimentos pela ética que se formaram recentemente, se não forem apenas massas de manobra de alguns oportunistas que estavam e estão em campanha e só enxergam o próprio umbigo; se não forem braços mal-disfarçados do comitê de Ortiz (quem custeou out-doors, camisetas, milhões de panfletos, etc?); se, enfim, como eu acredito, a maioria dos que saíram às ruas e se manifestaram por Ética quiserem realmente uma tarefa justa e positiva, por que não se engajarem numa campanha em torno de um nome novo e limpo, como o da Pollyana?

Defender a Ética apoiando quem recebe dinheiro público em São Paulo para fazer política em Taubaté, ou quem não traz nenhuma idéia renovadora, é hipocrisia. Ou defende-se a Ética e faz-se a cidade avançar, ou vai-se logo ao passado e ficamos no "primeiro o meu" de sempre.

A escolha é possível, a opção é clara: assumam suas posições, os que desejam verdadeiramente a Ética na Política!