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segunda-feira, 30 de abril de 2012

O MELHOR PREFEITO DA HISTÓRIA

Recebo, via email, artigo do professor, sociólogo e ex-vereador Celso Brum, um dos integrantes da equipe que organizou o plano de ações do governo Guido Miné. Brum fala com a autoridade de quem viveu a administração de Miné e acompanhou de perto os 30 anos de atividade política de Ortiz, um blefe entalado na garganta dos taubateanos desde 1982.

O atraso urbano e administrativo de Taubaté devemos a Bernardo Ortiz. Naquela época (1968), Taubaté se ombreava a São José dos Campos.

Os 30 anos de vida de vida pública de Ortiz significam hoje mais de 60 anos de atraso em relação a São José dos Campos.

Os números são indesmentíveis. São José dos Campos tem o dobro de habitantes em relação a Taubaté, o dobro de arrecadação de ICMS, o dobro de largas e belas avenidas, o dobro de praças públicas bem cuidadas, o dobro de hospitais, o dobro de escolas públicas. Tudo conquistado nos últimos 30 anos.

Importante a leitura do texto de Celso Brum, que publico ipsis litteris, para conhecermos um pouco da história recente de Taubaté.

Ele era verdadeiramente um estadista, ou seja, uma pessoa versada em negócios políticos, alguém que colocava os interesses de sua cidade acima de tudo.

Ele era verdadeiramente ético, jamais cometeu qualquer tipo de improbidade administrativa, suas ações eram pautadas rigorosamente dentro da lei.

Ele era inteligente, educado e elegante. Ele respeitava as instituições e respeitava os adversários e tratava de manter essas divergências apenas no campo da política.

Ele respeitava verdadeiramente os cidadãos, para os quais e em função dos quais gerou uma era de desenvolvimento que se estende até os dias de hoje.

Ele jamais precisou utilizar de recursos demagógicos e de histrionismo teatral, digo, circense, para convencer os simplórios e babaquaras. Ele era verdadeiramente sério, sem precisar ser ranheta.

Ele era verdadeiramente nobre, sem precisar inventar ancestrais ilustres, ele era nobre em sua própria natureza.

Ele foi o melhor Prefeito de Taubaté em todos os tempos, disparadamente o melhor Prefeito. Seu nome: Guido José Gomes Miné.

Com a implantação da ditadura militar, em 1964, a maioria dos políticos correu para a Arena, partido do governo. Uns poucos, verdadeiramente corajosos e patriotas, foram para o MDB, o partido da oposição. Entre estes estava Guido Miné.

Ele era egresso do antigo PDC – Partido Democrata Cristão, o partido do seu amigo Franco Montoro. Em 1968, numa extraordinária eleição, depois de uma não menos extraordinária campanha, Guido Miné foi eleito Prefeito Municipal.

Como disse acima, Guido Miné era inteligente, verdadeiramente inteligente. Portanto, entendeu ser absolutamente importante contar com respaldo da sociedade civil e, então, formou o que chamou de Grupo de Trabalho, formado pelas mais expressivas lideranças da cidade e por técnicos.

E foi esse Grupo de Trabalho, sob a inspirada, sábia e lúcida coordenação de Guido Miné, que constituiu o planejamento que resultou no mais extraordinário acontecimento administrativo de todos os tempos.

A administração de Guido Miné foi tão marcante que, pode-se dizer, ainda hoje se faz presente.

Em apenas um mandato de 4 anos, Guido Miné trouxe para Taubaté a Volkswagen e a Ford, instalou o sistema de abastecimento de água rio Una, trouxe o Corpo de Bombeiros, trouxe o primeiro supermercado da região, destinou as áreas para o Senai, o Sesc e o Sesi, modernizou o sistema propriamente administrativo e de arrecadação de taxas e impostos, criou o primeiro distrito industrial que resultou na vinda de várias outras indústrias, etc.

Ainda hoje, a esmagadora maioria dos empregos industriais diretos e indiretos (mais de 70%) de Taubaté são resultantes do trabalho de Guido Miné. As obras de sua administração sempre foram feitas com competência e para durar.
Guido Miné tinha adversários, mas, não tinha inimigos. Nunca precisou de “seguranças”, esbirros que garantissem sua integridade física.

Podia prosaicamente andar pelas ruas e era visto sempre e não só na época das eleições. Ele ia às missas do Convento Santa Clara, como católico praticante, e não fazia isto por “média eleitoral”. Guido Miné era um ser humano como todos nós, não possuía nenhum complexo paranoico de superioridade. Era inteligente (e demonstrou isso em sua administração) mas era discreto, uma pessoa notável pelos resultados obtidos em suas obras públicas.

Foi prefeito de 1969 a 1972, ou seja, seus feitos aconteceram há mais de 40 anos. Guido Miné é lembrado com respeito, admiração, amizade e saudade. Ele foi um homem bom.

Relembro Guido Miné, ao ler um prospecto convidando para uma reunião que pretende comemorar 30 anos da trajetória política de Bernardo Ortiz.

Ao contrário de Guido Miné, José Bernardo Ortiz, em seus 14 anos de mandato, não tem uma única obra marcante e histórica para apresentar, alguma coisa que pudesse ser comparada à vinda da Volks e da Ford para Taubaté, por exemplo. Nada, nadica de nada.

Quando José Bernardo Ortiz tomou posse em seu primeiro mandato, teve a seu favor o montante dos impostos decorrentes das atividades da Volks, da Ford e de outras indústrias, às quais Guido Miné havia concedido a isenção por 10 anos.

Ou seja, Guido Miné havia contribuído com recursos extraordinários para a administração de Bernardo Ortiz, em seu primeiro mandato, coisa que ele nunca reconheceu.

Além disso, o deputado estadual Ary Kara José, particular amigo do governador Franco Montoro desde os tempos do antigo PDC, defendeu e conseguiu do governo estadual recursos para a administração municipal.

Com essas vantagens, que seus antecessores imediatos nunca tiveram, Ortiz fez obras. Foram obras de baixa qualidade, para uma população pouco exigente. Nesse meio tempo brigou com a Câmara que, até então, o apoiara incondicionalmente.

Fez da permanente briga, sua principal estratégia política. Percebeu que, como disse Maquiavel, o povo gosta mais de odiar do que de amar. Assim, ele sempre criou vilões: os vereadores, Ary Kara José, Salvador Khuriyeh, Antônio Mário, Roberto Peixoto.

Foi o único Prefeito cassado na história de Taubaté. E os vereadores da 9ª Legislatura estavam cobertos e encharcados de razão. Recentemente ele foi condenado pela Justiça ( e por um colegiado) mais uma vez.

Façamos uma rememoração, consultando a internet, acessado o título JOSE BERNARDO ORTIZ, notícias, fotos e vídeos sobre “JOSÉ BERNARDO ORTIZ” (“TJ condena amigo de Alckmin a devolver recursos, por Fausto Macedo – Agencia Estadão”): “O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou (...) José Bernardo Ortiz ao pagamento de R$ 1,54 milhão a título de indenização aos cofres públicos de Taubaté (..)”. (...) A decisão do TJ, (...) acolhe argumentos do Ministério Público Estadual que, em ação civil pública proposta em Maio de 2008, atribui a Ortiz ‘conduta dolosa’ e violação à Lei de Improbidade Administrativa (..)”. Antes, segundo o mesmo jornalista Fausto Macedo, José Bernardo Ortiz já havia sido condenado pelo Tribunal de Justiça, em outro processo.

Acessando “ALCKMIN sai em defesa de aliado condenado pelo STJ”, na FOLHA.com você pode ler: “Ortiz (...) foi condenado no ano passado pelo STJ(Supremo Tribunal de Justiça) por improbidade administrativa. Na decisão, o STJ proibiu Ortiz de disputar cargos públicos por cinco anos e determinou o pagamento de multa de cerca de R$ 210 mil”.

Teria muito ainda a falar sobre os 14 anos de mandato de José Bernardo Ortiz, mas, ainda por comparação, posso afirmar com certeza que, seus sucessores sempre foram melhores do que ele. Salvador, foi melhor, Antônio Mário (o conhecido Mário Ortiz) foi muito melhor e Roberto Peixoto também foi melhor administrativamente. É justo lembrar que durante sua administração é que foi instituído o Estatuto do Magistério e elevados os salários dos professores, como jamais havia ocorrido. É nosso dever reconhecer a importância da construção do CEMTE – Centro Educacional Municipal Terapêutico Especializado “Madre Cecília” e do SEDES – Sistema Educacional de Desenvolvimento Social, obras extraordinárias que honram qualquer administração. E, talvez, porque Roberto Peixoto seja um involuntário adepto do “laissez-faire”, Taubaté cresceu como nunca nesses últimos 8 anos (mas, muitos dirão que foi porque o Brasil cresceu, ao mesmo tempo que dirão que Lula não teve nada a ver com o crescimento do Brasil).

É verdade que Roberto Peixoto foi acusado de ter cometido graves irregularidades e quanto a isso falará a Justiça, no devido tempo. Enquanto isso, protege-o o inciso LVII do artigo 5° da Constituição do Brasil.

Ultrapassei amplamente os limites costumeiros do meu espaço e agradeço pela paciência dos meus caros, raros, fieis e inteligentes leitores e também aos que estão chegando agora a este oásis de reflexões heterodoxas. Semana que vem tem mais.