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sábado, 26 de maio de 2012

CELSO BRUM ANALISA QUADRO POLÍTICO ATUAL DE TAUBATÉ E A COMPOSIÇÃO DAS FORÇAS POLÍTICAS MUNICIPAIS (1)

O artigo do sociólogo Celso Brum foi originalmente publicado pelo Diário de Taubaté. Aqui, o professor sucintamente abre o leque histórico das eleições de prefeitos taubateanos desde Guido Miné, em 1968, até o atual, Roberto Peixoto, eleito em 2004 com apoio de Ortiz Júnior e de Padre Afonso.

Milhares de taubateanos votarão pela primeira vez para prefeito de Taubaté. Não estou me referindo aos jovens entre 16 e 17 anos, cujo voto não é obrigatório.

Chamo a atenção daqueles que são eleitores taubateanos mas desconhecem a história das eleições municipais nos últimos 44 anos.

Celso Brum relata, com maestria, quem apoiou quem nas últimas eleições, as composições, as forças políticas e o que vem por aí.

Vale a pena ler com atenção a análise de Brum. (Parte I)

Já disse aqui, neste espaço de reflexões heterodoxas, que fazer previsões não é o mesmo que fazer adivinhações. As previsões são feitas tendo como parâmetros os dados do momento, um pouco de lógica e um pouquinho de intuição. Mas, também vale comparar com fatos da história recente. Então, vamos lá.

Taubaté vive um momento parecido com 1968 e 1982. Em 1968 foi eleito o surpreendente Guido Miné, que se tornou o maior prefeito da história de Taubaté, como relatei em artigo de 12 de abril. E em 1982, elegeu-se José Bernardo Ortiz nas ondas favoráveis do “é preciso mudar”, o slogan do candidato a governador Franco Montoro. Uma pergunta logo se impõe: será que a sociedade taubateana reagirá em favor de uma mudança radical agora em 2012? Examinemos as candidaturas ou pré-candidaturas postas em discussão.

O deputado estadual Pe. Afonso é o favorito do momento. Foi candidato (derrotado) a prefeito e candidato (vitorioso) a deputado estadual. Faz campanha para eleger-se prefeito há mais de 5 anos e teve expressiva participação na eleição de Roberto Peixoto, em 2004, tendo indicado, então, os principais secretários (naquela época, chefes de departamentos) do Prefeito eleito. Será bem difícil para ele pretender apresentar-se como candidato da mudança. Ele tem um grande problema: o tempo da TV. Seu partido tem um tempo pequeno e ele precisaria de uma coligação, para aumentar esse tempo. Esteve, ou está, tentando fazer uma coligação com o PMDB.

O PMDB estaria dividido e uma de suas alas pretenderia aceitar esta coligação. Vejam que estou dizendo “estaria” e “pretenderia”, pois não há uma manifestação oficial a respeito.

Para o Pe. Afonso, a coligação resolveria o problema do tempo da TV, mas, estabeleceria no eleitorado dúvidas extraordinárias, caracterizando uma terrível contradição. Até agora o Pe. Afonso tem sido crítico feroz do Prefeito Roberto Peixoto, que pertence ao PMDB. Imaginar que é possível fazer uma coligação com o PMDB, eliminando Roberto Peixoto deste entendimento, é apenas um sonho de uma noite de verão. O PMDB é o partido de Roberto Peixoto e se o Pe. Afonso quer o PMDB, ele só poderá ter o PMDB de Roberto Peixoto, que é o que o Pe. Afonso diz não querer. Na verdade, ele só quer o tempo de TV do PMDB, ele só quer usar o PMDB por causa do tempo de TV do PMDB.

Dizem-me alguns filiados do PV que os candidatos a vereador do partido não estariam nem um pouco felizes com a coligação com o PMDB, pois, os peso-pesados do PMDB, também candidatos à vereança, não deixariam espaço para a maioria das candidaturas do PV. E garantem-me ainda que haveria um racha no partido, com a saída de muitos desses filiados, caso essa coligação fosse concretizada. A decisão do Pe. Afonso não será fácil, mesmo que o PMDB estivesse propenso a aceitar a coligação, o que por enquanto, é apenas uma conjectura.

Também o candidato Ortiz Jr. faz campanha para Prefeito há mais de 5 anos e faz uma campanha poderosa. Também Ortiz Jr. terá grande dificuldade de empunhar a bandeira da mudança radical. Ele é o sucessor, o herdeiro de seu pai, José Bernardo Ortiz, antigo senhor feudal, digo, antigo prefeito de Taubaté por 3 mandatos, longos 14 anos. É preciso reconhecer que Bernardo Ortiz tem um eleitorado fiel e essa base eleitoral é para Ortiz Jr. uma grande vantagem. Muito embora esse eleitorado fiel não esteja assim tão motivado, o que ficou provado e comprovado na comemoração dos 30 anos de vida pública do Bernardo Ortiz. Os promotores do evento jactavam-se de que haveria um público de 5.000 pessoas e não havia nem 500, conforme testemunhas confiáveis e fotos e vídeos absolutamente reveladores. Certamente esse eleitorado fiel espera de Ortiz Jr. uma reedição de seu pai e isto é, para ele, um problema a ser equacionado. Pois, embora haja um eleitorado fiel, só com ele é impossível ganhar a eleição. E para ampliar o seu eleitorado, Ortiz Jr. terá que, de certa forma, discordar do estilo de seu pai, centralizador, aliás, excessiva e terrivelmente centralizador, incapaz de estabelecer uma convivência harmoniosa com a Câmara Municipal e com os demais agentes políticos e cuja administração ficou marcada por obras de baixa qualidade.

Com certeza, na campanha, os adversários haverão de lembrar-se das condenações de Bernardo Ortiz por improbidade administrativa e dos inúmeros processos que ele responde. Os adversários também lembrarão que tanto José Bernardo Ortiz como Ortiz Jr. apoiaram Roberto Peixoto em 2004 e que o Ortiz Jr. foi presenteado, pelo prefeito eleito, com um emprego na Prefeitura. Aliás, não houve demérito nenhum receber de Roberto Peixoto um emprego, pois Ortiz Jr. empenhou-se na sua eleição. Como diria o grande fazedor de frases Guido Brandão: “Quem carrega o piano, toca na orquestra”.

OBS: Nos próximos dias publicaremos a segunda parte da análise de Celso Brum sobre a conjuntura política de Taubaté