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quinta-feira, 31 de maio de 2012

CELSO BRUM ANALISA QUADRO POLÍTICO ATUAL DE TAUBATÉ (3)

No terceiro artigo da série publicada pelo Diário de Taubaté, o professor e sociólogo Celso Brum analisa a pré-candidatura do petista Isaac do Carmo e lembra que, em Taubaté, o PT sempre teve dificuldade nas eleições.

Vale lembrar que Dilma perdeu as eleições em Taubaté no primeiro e no segundo turno das eleições presidenciais de 2010.

Brum vê, contudo, semelhanças entre as eleições deste ano com as de 1968, quando foi eleito Guido Miné, e a de 1982, quando eleito foi José Bernardo Ortiz.

Ambos representavam a mudança de paradigmas administrativos. Miné e Ortiz, a seu tempo, foram novidades.

E hoje, quem é a novidade?

Abaixo, o terceiro artigo de Celso Brum sobre as eleições de outubro

Já disse neste oásis de reflexões heterodoxas, que acredito numa maior exigência do eleitorado em relação aos candidatos e suas promessas. Já disse também que vivemos um momento pré-eleitoral muito parecido com os anos de 1968 e 1982.

Qualquer pessoa razoavelmente articulada sabe o que vão falar TODOS os candidatos. Eles falarão de saúde, segurança, transporte, educação, etc., não haverá novidades. Um ou outro, quem sabe, falará de planos e projetos consequentes, cujos efeitos se farão sentir nas próximas décadas. E haverá ataques pessoais, coisas que não podem faltar e que já não produzem a repercussão desejada e verificada em outros tempos, a menos que seja uma bomba arrasa-quarteirão. É certo que, na época da propaganda por rádio e televisão, pátria-amada-e- idolatrada-salve-salve dos caríssimos marqueteiros, tudo ficará na superfície, necessariamente sem nenhuma profundidade, coisa na base de vender um produto, como um Bombril de mil e uma utilidades.

Assim, qualquer candidato que pretenda fazer o eleitorado pensar, raciocinar ponderar, refletir para bem decidir, muito especialmente num sentido de mudança, tem muito pouco tempo para isso. Pois, quando a campanha estiver acesa, haverá tantos estímulos, tantas mensagens, tanto papel impresso que já não haverá disposição para um raciocínio claro e objetivo.

Disse, linhas acima, que o eleitorado taubateano estará mais exigente nesta eleição. Por isso, é preciso que os candidatos e partidos falem com ele e apresentem seus planos e suas metas. Mais do que isso, que não subestimem a sua inteligência, apresentando planos sem dizer onde estarão os recursos para a sua consecução.

O PT, nesse particular, tem um trunfo extraordinário que não vem explorando, embora o melhor momento para fazê-lo esteja passando. Ouço dizer que vão esperar o horário da TV. Estão errados. O momento é agora.

Não é segredo para ninguém que o PT listará as grandes obras necessárias para Taubaté e dirá que os grandes recursos para realizá-las só podem ser buscados junto ao governo federal. O que é verdade verdadeira. O PT dirá também que um prefeito do PT estará muito mais próximo de conseguir a liberação de tais verbas. Este é o grande trunfo do PT e do seu pré-candidato, Isaac do Carmo.

Isaac tem uma biografia interessante e uma carreira brilhante como dirigente sindical. É formado em Direito e tem pós-graduação em Direito do Trabalho, Processo do Trabalho e Direito Previdenciário. Nunca foi candidato a nenhum cargo eletivo.

O PT, no entanto, não tem um bom retrospecto eleitoral em Taubaté e na maior parte do Vale do Paraíba, do tradicional e conservador Vale do Paraíba. Na última eleição presidencial, Dilma Rousseff ficou em terceiro lugar, em nossa cidade. Certamente o PT tem uma grande barreira a vencer porque o eleitorado de Taubaté tem sido refratário à mensagem do PT, pelo menos da forma como o PT a vem apresentando. É de se indagar se os dirigentes do PT estão conscientes disso e dispostos a mudar sua estratégia e tornar didática sua mensagem, para conquistar o coração clean de grande parte dos eleitores taubateanos.

Repito: o momento desta eleição municipal é parecido com os anos de 1968 e 1982, quando foram eleitos candidatos que prometiam mudanças. Qual será o candidato capaz de empunhar a bandeira das mudanças? Ou o coração clean e conservador do taubateano falará mais alto? (a conclusão desta série será na próxima semana).