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sexta-feira, 25 de maio de 2012

PESQUISA ELEITORAL COM BAIXO ÍNDICE DE INDECISOS ASSEMELHA- SE A FRAUDE

Enquanto transcorria o evento promovido pelo PPS/PSD, na noite de quarta-feira (23/05), no Hotel Continental, comentavam-se nas rodas políticas que se formaram durante o encontro uma pesquisa eleitoral que teria sido realizada em Taubaté neste mês de maio, tendo sido entrevistados 1.780 eleitores.

O que chama a atenção na pesquisa não são os resultados em si, bastante discutíveis, afinal, mas o baixo índice de indecisos nos seis cenários propostos pelo pesquisador.

Recebi o resultado da pesquisa na tarde de quinta-feira (24/05), que não pode ser divulgada, uma vez que não há registro em Cartório Eleitoral, como manda a legislação eleitoral.

O cientista político Alacir Arruda, um dos palestrantes convidado pelo PPS/PSD, respondeu ao email que lhe enviei com o resultado da pesquisa. Sua resposta foi curta e direta:

“Nao leve a sério esse engodo...não existe o cenário retratado por essa pesquisa. Faltando quase 5 meses para o pleito você ter apenas 6,% de indecisos? Isso é uma falcatrua e muito mal feita...sem falar nos cenários criados”.

Outro amigo, o jornalista Barbosa Filho, que está na Holanda, foi consultado por este blog sobre a pesquisa. Eis sua resposta:

A UTILIDADE DAS PESQUISAS E DOS BOATOS
Antonio Barbosa Filho

HAIA (Holanda) - Antes que alguém diga que estou muito longe de Taubaté para poder dar palpite na "pesquisa" que o Irani nos convida a comentar, adianto que não me atreverei a opinar sobre o sentimento do eleitorado de minha cidade, neste momento: posso apenas expor algumas opiniões sobre a tal "pesquisa", a metodologia das pesquisas e os hábitos políticos de Taubaté, temas que acompanho de perto desde 1976, quando a maioria dos leitores nem havia nascido.

Nesta área, já vi de tudo. Divulgar falsas pesquisas é uma técnica eleitoral desde sempre, tanto que virou crime eleitoral há alguns anos. Toda pesquisa tem que ser registrada no TRE (no Cartório Eleitoral de cada Zona, em nosso caso), com dados sobre quem a encomendou, quanto custou, quem vai procede-la, qual o método usado, qual o universo pesquisado, etc.

Esta tal "pesquisa" que o Irani diz ter sido muito comentada numa reunião do PPS-PDS é, claramente, uma jogada de algum comitê. Nenhum dado ali é confiável ou tem a ver com a realidade. Como diria meu velho amigo Adherbal de Moura Bastos, que conhece muito de Política taubateana, e confirmaria meu amigo Celso de Brum, outro estudioso do assunto: "foi feita nas coxas". (Não pedi licença a ambos para imaginar suas posições, espero que não me processem por isso...) Qualquer um pode inventar uma pesquisa deste tipo, sem registro algum, sem exibir o material coletado, e espalhar o falso resultado pelos meios políticos.

A pesquisa serve para duas coisas importantes: primeiro, atemorizar os adversários e suas equipes de apoio. Se você sabe que o seu candidato de preferência não tem chances, seu empenho será muito menor na campanha. Desmobilizando o adversário, você retira dele os apoios dos eleitores, que é o objeto único, primordial, de uma campanha.

A outra vantagem de uma pesquisa, para quem encomenda e, portanto, aparece na frente, ou em segundo, ou com grandes chances de vencer, é a arrecadação de recursos. Empresários e cidadãos que podem doar algum dinheiro, interessados ou não num retorno, doam mais a quem está na frente nas pesquisas, é óbvio. Os grandes empresários (como os bancos, por exemplo), ou os concessionários de serviço público (como empresas de transportes, fornecedores, etc) doam para todos, por via das dúvidas. Mas, sempre, quem aparenta ser o favorito leva muito mais dinheiro do que aquele que está na "lanterna" nas pesquisas.

Esta questão de doações é mais velha do que o Ulysses Guimarães. O ideal seria o financiamento público das campanhas, com o qual quase todos os políticos concordam há mais de vinte anos. Por que não sai, por que não vira lei? Porque nenhum candidato é idiota de depender apenas dos seus partidos, que já recebem hoje uma verba pública e a usam como querem. Perguntemos, nos debates, aos candidatos, quanto estão gastando, de onde veio a grana, e por que investem tanto em campanhas milionárias.

O eleitor taubateano, e o brasileiro em geral, foram ensinados a pensar: vou votar no mais rico, porque ele não precisa roubar. Eis o grande desastre de nossa História! Alguns ricos-políticos ou políticos-ricos devem toda sua fortuna ao roubo, à corrupção. Rico é o dr. Adib Jatene (quando escrevo, ele está internado com um problema que ele mesmo ensinou centenas de médicos a resolver, gênio que é): os ricos não gostam dele porque ele ainda opera pelo SUS e defende a CPMF de 0,25% para a Saúde! Que comunista, não é?

Desviei-me da pesquisa para dizer algo sobre Ética, coisa que está escassa na classe política, mas permanece no coração e na mente do nosso povo. Brasileiro não gosta de votar em ladrão. Só o faz quanto é obrigado a escolher entre o mais ladrão e o menos ladrão.

Tomem cuidado os candidatos que estão gastando milhões, de origem ignorada, para tomarem o poder em Taubaté. Podem ter surpresas: e se ficarem em segundo ou terceiro, por favor, não fiquem boicotando e tantando cassar aquele que o povo (errado ou certo, mas democraticamente elegeu). Taubaté não merece mais tanto ódio e ganância.

Que tal chegarmos ao século 21, senhoras e senhores candidatas(os)?