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domingo, 3 de junho de 2012

CELSO BRUM ANALISA QUADRO POLÍTICO ATUAL DE TAUBATÉ (FINAL)

Este é o último artigo de uma série de quatro que o sociólogo e professor Celso Brum escreveu para o Diário de Taubaté, que os publicou originalmente.

Inicio com uma explicação: no final do meu artigo da semana passada disse que o eleitorado de Taubaté (parte dele) tem o coração clean. Poderia ser “clean” ou clean. Saiu sem aspas e nem itálico. A palavra “clean” é inglesa e é usada como referência a um tipo de políticos ou personalidades. Geraldo Alckmin é “clean”. Gabriel Chalita é “clean”. Fernando Haddad é “clean”. E eu disse que o coração de parte do nosso eleitorado é clean. Normalmente a palavra clean é usada com certa dose de ironia, como no meu caso.

Falemos do PMDB, que vive um intenso dilema “hamletiano”: “to be or not to be”, ser ou não ser.

Tendo estado nos primórdios do antigo MDB (sou o filiado n°131) ando aborrecido ao ver o PMDB ser tratado como mercadoria, como “aquele partido que dispõe de tantos minutos no horário político da TV”. Um partido, como o PMDB, que tem a história que tem na luta pela Democracia, deve ser respeitado e, sobretudo, deve respeitar-se.

O PMDB tem um pré-candidato, Anthero Mendes, advogado, professor universitário e ex-diretor dos Negócios Jurídicos da Prefeitura Municipal de Taubaté. É uma pessoa articulada, inteligente e que tem interessante visão dos nossos problemas e das soluções possíveis.

No entanto, dentro do PMDB, existem vozes que pretendem uma coligação e são citados os pré-candidatos Pe. Afonso ou Ortiz Jr. como o parceiro nessa possível coligação.

Em primeiro lugar, havendo coligação, o PMDB concordará de pronto com a subalternidade, será um complemento, um apêndice, um acessório, um apequenado conexo, um adicional episódico, um suplemento ocasional, enfim uma coisa menor, dispensável após as eleições. O PMDB não merece isso.

Em segundo lugar, até ontem o PMDB vinha sendo “malhado” e chutado sem nenhuma consideração. Isso tudo foi esquecido? Será que o eleitorado vai aceitar pacificamente, “numa boa”, que o pré-candidato X ou Y esteja de braços dados com aqueles que, ontem e anteontem, eram tidos como seus inimigos?

Examinemos a possível coligação do PMDB com o Pe. Afonso.

O pré-candidato Pe. Afonso precisa do tempo de TV do PMDB, pois ele teria, sozinho, apenas 1 minuto. Sabe-se que, dentro do PV, não é unânime (longe disso) a aprovação de tal coligação e haveria um irremediável “racha” no partido caso a coligação acontecesse, com a saída de muitos filiados. Por outro lado, os possíveis candidatos a vereador do PV – com a chegada dos pesos-pesados do PMDB – ficariam sem chance alguma de se eleger e todo o seu trabalho eleitoral acabaria sendo aproveitado para a eleição dos candidatos do PMDB.

Observação importante: isso que acabo de relatar é coisa acontecida e acontecendo dentro do PV, não tenham dúvidas. Além do mais, segundo informações de boa fonte, o próprio Pe. Afonso não tem a certeza do que é mais conveniente: pouco tempo no horário da TV ou uma coligação com o PMDB de Roberto Peixoto, que abriria um perigoso flanco em sua defesa, a ser explorado especialmente por um certo e conhecido adversário, que costuma bater “abaixo da medalhinha”, sem dó nem piedade. O pré-candidato Pe. Afonso tem toda a razão de estar em dúvida.

Examinemos agora a possível coligação do PMDB com o Ortiz Jr., possibilidade que conseguiu surpreender-me. Eu não estava considerando esta hipótese, até o momento. Disseram-me, no entanto, que tal coligação estaria sendo costurada. É maior a minha surpresa sabendo, como sei e tenho certeza, que nada se faz no PSDB sem o conhecimento e a benção de José Bernardo Ortiz. Afinal, ele é o chefe do clã e o líder da grei.

Imaginar que José Bernardo Ortiz esteja concordando em celebrar uma aliança com o PMDB de Roberto Peixoto é, para mim, quase surreal. Explicam-me as “fontes” que o principal motivo dessa possível coligação seria deixar o Pe. Afonso “no sereno”, ou seja, sem os preciosos minutos do PMDB, no horário político da TV. Secundariamente, o Ortiz Jr. teria ampliado o seu horário na TV, que já é bastante suficiente, diga-se de passagem. Mas, também Ortiz Jr. estaria sujeito às críticas dos adversários, aproximando-se do partido que até ontem era alvo de sua desaprovação. Francamente, eu ainda duvido que José Bernardo Ortiz concorde com essa coligação, especialmente sabendo que a evidente contradição do gesto seria explorada. Além do mais, ele pretende continuar disputando o voto clean que cultivou a vida inteira.

Com candidato próprio, o PMDB teria chances? O site do insuspeito Irani Lima propôs uma inquisição com a pergunta: “Você votaria no candidato apoiado por Roberto Peixoto?”. Até ontem 79% responderam NÃO e 2% NÃO SEI. Mas, 17% responderam SIM. Sabe-se que a maior parte do eleitorado de Roberto Peixoto está na periferia e sabe-se também que a maioria dos apaixonados pela internet está na classe C em diante. Assim, este resultado (17% SIM) colocaria o candidato de Roberto Peixoto no jogo. Mas, para dar melhores chances ao Anthero Mendes será preciso mais do que simples “prospectos de agência”, como o que recebi ontem citando os fatos da administração Roberto Peixoto, embora o mesmo seja até bem feito.

Quanto ao PSOL, já ouvi que o pré-candidato seria Silvio Prado, Fernando Borges e um terceiro nome que não memorizei e peço desculpas.

A participação do PSOL é sempre importante porque, não tendo chances de vitória, os seus filiados atuam como “franco atiradores” e podem dizer verdades incômodas para todos os demais, uma espécie de consciência crítica.

Na última eleição municipal fizeram um sucesso danado com a tosca, porém criativa, peça publicitária conhecida como o “trem do horror”. O PSOL tem em suas hostes pessoas idealistas e combativas. O PSOL fala alto e vai ser ouvido, mesmo que não queiram ouvi-lo.

Observação do blog: no dia 18 de agosto do ano passado publicamos a informação que Bernardo Ortiz havia procurado o deputado estadual João Caruso, da comissão executiva do PMDB estadual, para a realização de uma eventual coligação. Leia a informação aqui.