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segunda-feira, 11 de junho de 2012

OTTOBONI NEGA EXISTÊNCIA DE DOCUMENTÁRIO SOBRE PEIXOTO

O jornalista Júlio Ottoboni, de São José dos Campos, envia email a este blog para negar que esteja produzindo documentário sobre os inexistentes cafezais do Vale do Paraíba e uma (im)provável ligação familiar do prefeito Roberto Peixoto com os antigos barões do café da nossa região

Não me recordo de haver mantido relação pessoal com Júlio Ottoboni, embora tenha exercido o jornalismo muitos anos em São José dos Campos.

Ao conversarmos na tarde desta segunda-feira (11/06) por telefone sobre seu embate com Joffre Neto, recordamos os amigos/colegas de jornalismo que colecionamos ao longo dos anos: Wagner Matheus, Hélcio Costa, Edna Petri, Laila Nasser, Nydia Natali, Luizinho Grunewald, Dailor Varela, Joca Costa e tantos outros.

Sugeri a Júlio Ottoboni que esclarecesse, de próprio punho, se há alguma relação profissional entre ele e o prefeito canastrão. Abaixo, sua resposta:

Prezado colega Irani,

Como é de praxe, acompanho o seu blog e entendo a necessidade de lhe passar informações que esclareçam a situação criada, infelizmente, por uma total confusão no atropelo das críticas infundadas. No fundo, acaba tudo sendo risível, tal a proporção que assume a coisa. Não conheço o senhor Joffre Neto, tive o meu primeiro contato com ele na última sexta-feira ( com verá logo abaixo a descrição do diálogo via comunicação privada pelo facebook). E pude explicar que fiz o texto da matéria da UOL ( sobre a proposta da sagração do Rio Paraíba pelo Adair Loredo) a pedido do editor do site da Folha, que é meu conhecido de muito tempo, desde final dos anos 80, quando trabalhamos juntos no projeto de regionalização da Veja. O mesmo assunto já circulava pela imprensa. Ao mesmo tempo que integrantes da comunidade ‘Taubaté de Peixoto’ me acusavam de ‘estar a serviço’ da prefeitura ou coisa parecida, se esqueceram que eu também fui o autor da matéria para a UOL sobre a prisão do casal Peixoto, na época dos fatos.

Realmente no texto final da UOL o Adair Loredo, fonte da matéria, saiu como sendo de São José dos Campos e não de Taubaté. Erro de quem fez a redação para adequá-la aos padrões do site, você como eu, que somos jornalistas formados em faculdades de comunicação, sabemos que copidesque é sempre um problema. Para os leigos, fica sempre a impressão que o texto final é do autor da matéria ( o que deveria ser, mas em alguns veículos de comunicação ainda funciona a maldita canetada). Nada proposital, nem de minha parte nem do redator, com certeza.

Infelizmente o sr. Joffre não publicou o teor de nossa conversa na integra, acabou editando o texto a seu critério e gosto ( como os copidesques das redações!!). Mas os seus leitores poderão lê-lo agora e assim poderão analisar com maior imparcialidade os fatos. Achei grosseiro os termos usados pelo sr. Joffre, que diz depois me conhecer, mas nunca havia falado comigo...

Não tenho contrato – e nunca tive - com a prefeitura, nem com o prefeito Peixoto e muito menos com o Adair Loredo. Conheci essas pessoas quando fiz a gestão de crise para o prefeito Roberto Peixoto pela agência de comunicação Ex-Libris, de São Paulo, pela qual fui contratado e atuei por dois meses. Somente isto.

Foi neste tempo que trabalhei em Taubaté, em conversa com o professor Carlos, secretário de educação do município e que sempre ouvi dizer que era um grande conhecedor de Monteiro Lobato, que obtive a informação de ser o prefeito descendente da oligarquia cafeeira de Taubaté. Logicamente isto me deixou muito curioso, pois se tratava então do último representante do baronato do café ainda influenciando a política regional e, principalmente, numa cidade importante como Taubaté. A partir desta conversa passei a pesquisar a respeito sobre o que seria o último representante do baronato cafeeiro e a derrocada desta oligarquia da maneira que estava e está se dando. Era um assunto interessantíssimo para um documentário histórico, que mostrasse toda a trajetória do café e a criação de uma casta social praticamente imutável até a crise de 29. Mas não consegui elementos históricos suficientes para a produção do material e o prefeito sequer atendeu aos meus pedidos de entrevista. Ficou nisto. Então desisti do projeto e estou hoje focado em documentar os 100 anos da construção do início da construção da Estrada de Ferro Campos do Jordão, mais precisamente nos 300 operários contratados para o que se tornou uma verdadeira saga. Foi só isto, apesar dos afoitos já terem dito até particularidades da produção do filme... só rindo e muito!!

Por isso não tenho nenhum embate com o sr. Joffre, que errou o alvo em suas investidas como paladino da moralidade taubateana. Para mim ficou a impressão de um marcathista afoito e oportunamente preparado para distorcer qualquer fato ao que possa tirar proveito. O que me entristeceu e muito foi a postura do meu ex-colega de faculdade de arquitetura da Unitau, Fernando Ito, que surgiu do nada bancando informações absurdas numa mensagem ao sr. Joffre – que pelo visto não está mais publicada no grupo do facebook. Pena ele não ter se lembrado que tive que sair da faculdade por perseguição dos ‘olheiros’ do SNI, que ainda era muito atuante no final do governo Figueiredo, e ele Ito era meu parceiro em toda movimentação política que fazíamos. Longe de julga-lo, mas me parece algo de ego inflado apenas. Em tempo, escrevi sim no final dos anos 90 uma série de reportagens sobre luzes que surgiram sobre a Serra do Mar sem explicação científica alguma. Isto foi feito acompanhado do pesquisador do INPE Ricardo Varela Correa e em nenhum momento chamamos o fenômeno de ‘disco voador’. A série de reportagens saiu com grande destaque no Estadão e no Jornal da Tarde e teve apuração totalmente técnica, em momento nenhum especulativa. Assim como outras reportagens de minha autoria, com a antecipação da demissão em massa na Embraer pela Gazeta Mercantil, o caso do farsa da seca no Nordeste entre outros tantos assuntos. Enfim, essas coisas que são inerentes a nossa profissão.

Em resumo, prezado Irani:

Não estou produzindo ou produzi nenhum documentário sobre o prefeito daí

Não sou contratado ou estive nesta condição seja por parte da prefeitura, prefeito ou do Adair

Não fui o primeiro autor da matéria sobre o Paraíba

Não estou em embate com o sr. Joffre

Não tenho ligação com partido nenhum e muito menos em Taubaté

Conversão no facebook ( mensagem privada, que por ter sido distorcida propositalmente, a revelo na integra)

sexta
Julio Ottoboni

sr Joffre, peço que retire o comentário alusivo a minha pessoa no qual se refere a mim como "jabajeiro sem-vergonha", o sr se desse ao mínimo esforço de me contatar ou me conhecer, saberia quem sou e minha decência na profissão. Como não lhe conheço, acredito que o comentário tenha sido num momento sem grande reflexão. E creio que o respeito seja a base de qualquer relação civilizada. Quanto ao Fernando Ito, o senhor também está mal informado sobre a breve conversar que ele teve comigo, na qual expliquei não haver nenhum interesse de minha parte na situação política de Taubaté que estejam fora do alcance do jornalismo. Me coloco a sua disposição para lhe informar sobre qualquer fato que paire dúvida sobre minha conduta profissional e pessoal.

sexta
Joffre Neto

Sr. Julio, estou retirando sim o termo "jabazeiro sem-vergonha" porque nunca tive a intenção de lhe ofender ou agredir, mas foi expressão da nossa (e não se trata de indevido plural majestático) indignação com sua matéria. Mas como esta questão, como aludi, não é particular, mas pública, tomo a liberdade de reproduzir sua mensagem e respondê-la, com mais vagar, em nosso Grupo "Taubaté de Peixoto".

sexta
Julio Ottoboni

Qual a indignação, sr Joffre com a matéria? É o mesmo conteúdo que saiu na R3, no jornal O Vale e a UOL pediu para reproduzir. Somente isto, não faço parte de grupo político ou coisa parecida, em nenhum lugar, muito menos em Taubaté. Indignação é a minha com tal agressividade sobre a matéria produzida, pois não me atenho a questões políticas de Taubaté, as quais acho deprimentes e sem eixo numa região de tamanha importância na economia e no desenvolvimento do País. Agora transferir uma questão local para o meu trabalho e minha conduta é inaceitável. Em tempo, nunca escrevi e não escreveria nenhum livro sobre o prefeito da cidade, como o sr afirma em um de seus comentários. O que eu estava produzindo era um documentário sobre o triste fim do baronato cafeeiro dentro da política. Inclusive, para seu conhecimento e ilustração, o prefeito não me concedeu a entrevista. As informações que ele era ou é oriundo do decadente baronato partiu do prof. Carlos, atual secretário de Educação, e da sra Lia, que é pesquisadora, quando busquei checar as informações. Ela gentilmente de cedeu um livro sobre os Alvarenga. Já produzi documentários sobre fazendas históricas do Vale, da revolução de 32 entre outros. Pediria que quando fossem me citar em seus comentários, ou no grupo, me contatassem antes para obter – no mínimo – minha posição quanto.