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terça-feira, 26 de junho de 2012

PINDA PODERIA SER CIDADE "CIDADE MORTA", NÃO FOSSE A ELEIÇÃO DE BOSCO

A história de Pindamonhangaba deve ser divida em dois períodos. O primeiro começa com a emancipação do município em 10 de julho de 1705, até então um arrabalde taubateano. O segundo decreta o fim da oligarquia rural em 1972, 267 anos depois, com a eleição de João Bosco Nogueira para a Prefeitura da cidade, há quarenta anos.

Aliás, foi o ex-prefeito João Bosco Nogueira quem decretou o dia 10 de julho como a data magna de Pindamonhangaba, com base em estudos do professor e historiador Waldomiro Benedito de Abreu, a maior autoridade sobre a historiografia do município, que considerava folclórica a data em que se comemorava o aniversário da cidade: 12 de agosto.

Bosco tirou Pinda da estagnação, transformando-a em cidade insdustrial
Foi de João Bosco, então vereador (1969/1972), o projeto legislativo que alterava a data do aniversário de Pinda para 10 de julho. O projeto de lei acabou sendo sancionado pelo próprio João Bosco, já como prefeito da cidade.

No primeiro período, Pinda era grande produtora de café. O fim da escravatura no final do século XIX tornou a cidade vulnerável economicamente. Foi assim até por volta dos anos 1920. Some-se à baixa produção cafeeira, o cansaço da terra com o plantio do fruto, que acabou minguando.

O preâmbulo é necessário para o leitor entender a fronteira que marca o período agropastoril com a fase industrial da cidade, iniciada por João Bosco Nogueira após sua posse como prefeito da cidade.

Cerca de 80% do ICMS produzido em Pindamonhangaba atualmente deve-se às indústrias que Bosco trouxe para o município em seu primeiro governo: Villares (Gerdau), Confab (Tenaris), Fruehauf, Coca-cola, Alcan e outras.

Bosco apoiou a eleição de Geraldo Alckmin para a Prefeitura em 1976 e voltou ao comando da administração municipal em 1982.

Foi o responsável direto pelas construções dos centros esportivos João Carlos de Oliveira – João do Pulo e José Ely Miranda – Zito, em Moreira César.

Tenho recebido comentários neste blog que Vito Ardito foi o melhor prefeito que Pinda já teve. Não foi!

Foi um prefeito comum, assemelhado aos antigos oligarcas que não souberam tirar a cidade da mais prolongada crise pós-café, ou seja, dos anos 1920 aos anos 1970, período em que Pinda ficou praticamente estagnada.

Além de não levar nenhuma indústria de porte para a cidade, praticamente acabou com as escolinhas de esporte criadas por João Bosco em seu segundo mandato (1983/1988), que congregavam mais de seis mil crianças, adolescentes e jovens da cidade.

Vito Ardito – Vitão para seus eleitores - é figura carismática. Faz o tipo bonachão, tem paciência para ouvir os reclamos da população, mas não tem solução efetiva para nada.

Pela quarta vez Vito Ardito concorrerá à Prefeitura da cidade. Ganhou três vezes e perdeu uma, em 2008, para o prefeito João Ribeiro.

Seu legado para a cidade é pífio.

Francisco de Assis Vieira – Chesco, ainda criou o distrito industrial da Dutra.

Vitão nem isso fez.

E ainda perdeu a IFF para Taubaté por puro desinteresse em negociar com a indústria que tratava de sua instalação em Pinda com o ex-prefeito João Bosco.

Conto resumidamente a história de Pindamonhangaba nos últimos quarenta anos para colocar os fatos em seu devido lugar.

Abaixo, página publicada pela Tribuna do Norte em 1972 com os resultados oficiais da eleição para prefeito. As anotações à caneta são de Fernando Nogueira, irmão de João Bosco Nogueira e pai da vice-prefeita Myriam Alckmin.