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sábado, 28 de julho de 2012

A DIFÍCIL TAREFA DE MUDAR A
POLÍTICA E A CULTURA POLÍTICA

A meu pedido, Tony Marmo, candidato a vice-prefeito do PSOL (Partido Socialismo e Luta) escreve o artigo abaixo. Este espaço está aberto aos articulistas de todas as correntes ideológicas. O objetivo é promover o debate político em alto nível.

Outros serão convidados a expor suas ideias. Ninguém deve se sentir alijado. O espaço está aberto a todas as correntes de pensamento e a todos os candidatos. Os interessados devem entrar em contato pelo email irani.gomesdelima@gmail.com. O texto deve conter o máximo de 40 linhas.

Aqui, o artigo de Tony Marmo

Há anos atrás quando entrei num grupo da Anistia Internacional minha luta era desenvolver uma cultura de direitos humanos no nosso mundo. Não digo que de lá para cá nada mudou, pois poderemos até detectar retrocessos nas consciências. Hoje, atuando na política municipal, a luta ainda é por motivar a intervenção dos cidadãos e pautar as agendas pelas causas da cidadania. É extremamente difícil promover essa mudança de paradigmas.

Enfrentamos uma mentalidade coronelista, de uma cidade em que quase não há vertentes partidárias, mas muito mais disputa entre clãs. O exemplo mais claro disto é o embate entre o campo da família Ortiz com o da família Peixoto. Temos poucos que optam por uma filosofia ou que se filiam à tradição um pensamento político, mas muitos que se colocam no campo do mandato de A ou B e que se deslocam para outros mandatos quando os anteriores não se renovam.

Mas, enfim, ainda assim, numa democracia, ser cidadão é mais importante do que ser Imperador ou Presidente. E num ano de disputa eleitoral quem deve almejar as vitórias mais importantes não são os candidatos, mas os eleitores.

Tendo ou não preferência por candidato X ou Y, os eleitores não devem como primeiro objetivo tentar elegê-lo ou evitar sua eleição, mas lutar para que o próximo Prefeito, seja quem for, aceite e se comporte dentro de regras mínimas que o Estado de Direito Democrático impõe.

Não tenhamos ilusões: as eleições e as instituições da sociedade capitalista são essencialmente burguesas. O mandato de cada novo Prefeito sempre se situa num mundo em que a luta do povo continua, em que todo projeto revolucionário tem de ser permanente. Todas as lutas do povo podem ser esmagadas, todas as conquistas revertidas e os trabalhadores podem ser ainda mais oprimidos.

Mas, o mesmo povo que constrói as riquezas do mundo pode entender que é ele quem faz e desfaz os ricos, os empresários, os líderes e os seus representantes. Mesmo que Hugo Chávez seja um ditador e Lula um Chefe de Estado legítimo, em qualquer um dos casos, é o povo quem de algum modo lhes emprestou os poderes que cada um deles tem, é o povo que os pode colocar em pijamas. É tendo este entendimento que o eleitorado pode colocar Vereadores e Prefeito, Deputados, Senadores, Governadores e Presidentes no seu devido lugar de agentes da vontade popular, e deles afastar a pretensão de serem donos dos seus mandatos.

Concretamente analisando o processo eleitoral municipal de 2012, vê-se que não há facilidades oferecidas para essa tarefa, seja para os candidatos que pugnam por essa consciência cidadã, seja para os demais cidadãos legitimamente organizados. Os partidos políticos e os seus candidatos têm financiamentos desiguais, tempos de antena desiguais e até cobertura desigual. Os candidatos proporcionais não têm acesso aos meios de comunicação eletrônicos e os majoritários são classificados em principais e menores. Os eleitores mais propensos a reivindicar mudanças muitas vezes nem querem participar do processo, revoltados contra o assédio das máquinas. Existe toda uma lógica de preservar o statu quo que repele as tentativas de mudança na cultura política, por menor que seja a mudança. Enfim, a lista de dificuldades é longa...

Mas, uma medida simples poderá acionar um processo de transformação muito profundo e lançar sementes importantes, medida que estás nas mãos do povo mesmo: se ao invés de serem os candidatos os que saem às ruas em caminhadas e comícios pedindo coisas aos eleitores, forem os eleitores que se colocaram em campanhas pelas coisas que reivindicam. Talvez uma versão brasileira primavera árabe represente o caminho para real transformação...