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quarta-feira, 11 de julho de 2012

DEMÓSTENES FOI CASSADO, E DAÍ?
QUANDO TEREMOS REFORMA POLÍTICA?

A cassação do senador Demóstenes Torres deveria suscitar um amplo debate político em torno da reforma política, tão necessária para este país se manter no trilho da democracia.

A pressão popular sobre os senadores partiu de instituições e grupos políticos que se sentiram aviltados pela performance falsa do ex-demo, que se humilhou perante seus colegas quando os dedos acusatórios estavam apontados para ele.

Demóstenes, num trecho de seu depoimento, na manhã desta quarta-feira (11/07), comparou sua situação à de Jesus Cristo, que foi açoitado em público antes da crucificação.

Cassado pelo Senado, Demóstenes Torres coça a cabeça em plenário na
hora do julgamento. Ele sabia que seria degolado. Foto: Agência Brasil
O perigo, agora, está na posse do suplente do ex-senador do DEM. Wilder Pedro de Morais pertence ao mesmo grupo político de Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira.

A ex-mulher de Wilder de Morais, Andressa Mendonça, com quem teve dois filhos, é casada com Carlinhos Cachoeira, que está engaiolado desde fevereiro, mas esta é outra história.

A cassação de Demóstenes deveria abrir a discussão sobre a tão necessária reforma política que este país precisa.

O que poderia ser discutido numa reforma política? Eis algumas sugestões:

1)     Financiamento público de campanha para tornar transparente a arrecadação de recursos para a campanha e diminuir o comprometimento de candidatos com financiadores privados.
2)    Debater o fim da candidatura de vice em qualquer cargo eletivo. Alguém saberia dizer qual a utilidade do vice. Quando você escolhe seu candidato, você vota nele pelo vice?
3)    Para que o suplente de senador? A pergunta pode ser a mesma. Você escolhe um senador pelos seus suplentes? Tenho certeza que a resposta é não.

Por conta destas distorções, não votamos em quem queremos. Os candidatos se impõem pela força do capital, não pela força da democracia.

Nosso sistema político não nos permite ver o tempo de televisão melhor distribuído no horário eleitoral gratuito.

Os partidos nanicos são meros balcões de negócio. Se vendem, às vezes, a preço de banana ou por uma promessa que não será cumprida caso o candidato-comprador não vença a corrida eleitoral.

Nossa democracia é relativa, pois ainda não aprendemos a lutar por nosso direito de escolher sem interferência nossos candidatos..

Bons candidatos perdem as eleições antes de irem às urnas disputar voto a voto com os adversários a preferência do eleitorado. A eles é negado o direito de debater suas ideias, seu programa de governo, tudo porque temos um sistema eleitoral injusto.

Graças à rapidez da internet, já podemos saber quem é Wilder Pedro Morais, que assume seu lugar no Senado da República sem ter obtido um voto sequer.

Este é o nosso sistema político. Ele precisa ser mudado se queremos, de fato, aperfeiçoar nossa democracia.

Abaixo, postagem sobre Wilder de Morais extraída do sítio do Senado Federal.

Wilder Pedro de Morais, de 44 anos, nascido em Taquaral, Goiás, é o primeiro suplente do senador cassado Demóstenes Torres. Empresário, é dono da construtora Orca, e declarou à Justiça Eleitoral bens no valor total de R$ 14.419.491,02, sendo R$ 2,2 milhões em espécie.

Wilder de Morais foi marido de Andressa Mendonça, com quem teve dois filhos. Ela é a atual mulher de Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal na operação Monte Carlo e cuja ligação com Demóstenes motivou a cassação do mandato do senador. A crise conjugal de Wilder e Andressa foi o motivo inicialmente alegado por Demóstenes para justificar as mais de 300 ligações para Cachoeira. Segundo o então senador, ele tentava reatar o casamento de Wilder de Morais.

Wilder é filiado ao DEM, ex-partido de Demóstenes, e exerce o cargo de secretário de Infraestrutura na gestão de Marconi Perillo (PSDB) no governo de Goiás. Na função, Wilder de Morais dedica atenção aos setores de energia e de transporte. Em entrevista publicada no site da Secretaria de Infraestrutura de Goiás, afirmou que a pasta seria considerada pelo governador o “carro-chefe para desenvolver o estado”. Seu foco é a recuperação de rodovias e o aumento da capacidade dos aeroportos. Trabalhou também na solução para o problema financeiro da Companhia Energética de Goiás, a Celg, que contou com o apoio do governo federal.

O primeiro suplente de Demóstenes negou à imprensa ter sociedade com Cachoeira, que continua preso, acusado de chefiar uma organização que opera jogos ilegais, tráfico de influência e fraudes em licitações públicas.

Me engana que eu gosto!