Páginas

quinta-feira, 12 de julho de 2012

INDEPENDÊNCIA E APTIDÃO POLÍTICA

O jornalista Carlos Karnas escreve, a pedido deste blog, artigo no qual analisa o momento político histórico de Taubaté, que terá eleição em dois turnos pela primeira vez, se não houver um improvável vencedor no primeiro turno.

A campanha eleitoral deste ano ganha força. Taubaté é destaque no cenário político – pela sua peculiaridade, diante da escandalosa e corrupta administração municipal atual e pela população apostando no futuro digno e melhor para a cidade. Partidos e candidatos se expõem e apresentam propostas sintomaticamente coincidentes: os problemas municipais gritantes são iguais para todos. O nervosismo eleitoral faz com que os caciques partidários meçam a tendência do eleitorado e pratiquem estratégias de campanha nada fáceis. Muito menos econômicas. É o eleitor o senhor da razão. Desta vez se espera que ele tenha real discernimento: eleja prefeito e vereadores honrados, éticos, competentes, responsáveis, comprometidos com a gestão administrativa moderna e eficiente voltada para o benefício do município e da população. Especialmente que sejam aptos e independentes.

A síntese do processo é simples. Aparentemente. O movimento social da cidade acelera o passo da escolha como que querendo ver logo o resultado final da eleição. Interferem no processo os interesses dos históricos grupos de mando da cidade. Velhos e identificados políticos com imposição de voz querem estabelecer seus sucessores cordatos, manietados às práticas ultrapassadas de poder. Está nítido tal cenário.

Mudar é necessário para higienizar e dar altivez ao processo eleitoral em Taubaté. Cabe ao eleitor escolher não só o político honesto, eficiente, competente, articulado, respeitador dos ditames democráticos, mas, preferencialmente, que já tenha sido testado. Por exemplo, aquele que tenha reconhecida aptidão, que tenha gestionado a prefeitura com desenvoltura. Taubaté não pode perder tempo para apostar em possibilidades. Há nome confiável, com experiência e bagagem suficientes para compensar o descompasso moral, social e administrativo estabelecidos.

O momento exige se acreditar no nome que se exponha e tenha propostas sérias. Tão sérias que todos os demais candidatos miram e copiam as práticas e propostas do Plano de Governo de Mário Ortiz (PSD), da coligação “Muda Taubaté” (PSD/PPS/PTN). Todos os demais candidatos se comportam como intempestivos aventureiros que, pela total inexperiência, não saberão praticar ou executar aquilo que o “Muda Taubaté”, com Mário Ortiz, já tem plenamente definido. A segurança desse nome está na sua capacidade, vivência e conhecimento dos meandros do Palácio Bom Conselho. O monturo que a atual administração lá irá deixar exigirá sucessor competente. Tentativas experimentais não serão admitidas na futura administração. O taubateano não suporta mais casuísmo e incompetência. Dependendo da escolha a ser feita, se estabelecerá um alívio, realinhando o bom-senso, a certeza e a esperança de dignidade à política taubateana, sem corrupção, com transparência democrática e competência administrativa. Parece ser esta a mais honrada, valorosa e eficiente meta para o destino da cidade em benefício de toda a população.

Há candidatos aferrados às tutelas que os sustentam (PSDB). Buscam notoriedade em fundamentações duvidosas, esquálidas, carentes de realizações e experiências inexistentes (PT). Escamoteiam negociações (PSDB, PT/PMDB, partidos governistas). Apresentam discurso ultrapassado e da mesmice que nada acrescenta (PSOL). O que falam comprometem-nos, isso sim, ao exporem suas incongruências partidárias estranhas e absurdas (PT/PMDB, as coligações em torno do PSDB), ou como o laico e o religioso (PV). Nesse partido o candidato é sacerdote. Clero é poder religioso. Pode ser exemplo de conduta, alinhar seguidores ou influenciar pessoas na igreja e nas suas irmandades. Mas se fragiliza dentro do poder laico e se torna tão igual aos demais, até mesmo na venalidade. A história da humanidade e a do Brasil reverencia religiosos que balizaram fiéis e comunidades, lutaram com fé pelo estado democrático, contra injustiças todas, e abrigaram os perseguidos. Entretanto, esses respeitados líderes religiosos (católicos ou não e de todas as partes) jamais optaram por botar o pé de mando na base institucional do poder laico. Ali renegariam compromissos eclesiásticos, perderiam respeito e liderança, longe do que lhes compete e lhes é de direito, justamente, no mundo eclesiástico.

Portanto, o determinado nervosismo eleitoral do momento pressupõe aquele que poderá ser o da decisão errada do eleitor. Desta vez ele não poderá desperdiçar o voto ao fazer, novamente, mal a sua escolha. Ao longo da campanha haverá assédio de candidatos de partidos e de coligações que acenam com indefinido e fantasioso apoio estadual e federal que até hoje não chegou a Taubaté. Estes só falam da boca para fora. Inconsistentes, não querem deixar escapar o poder de mando e de manipulação política. Já governam ou se beneficiam do poder: são situacionistas. São comprometidos com o que está estabelecido e se beneficiam na gestão das políticas institucionalizadas, muito mais do que aqueles que deveriam merecer toda assistência e atenção por serem população de exclusos ou miseráveis. São prosaicos esses políticos. Eles atuam aqui no município.

A sorte de Taubaté é ser município forte e expressivo, com bom índice de desenvolvimento, mas sem governança honrada por ser corrupta; sem políticas públicas honestas, eficientes e indistintas; e sem força oposicionista no legislativo (tanto é que os dois nomes políticos de oposição mais expressivos na Câmara são os de Mário Ortiz (PSD) e de Pollyana Gama (PPS), juntos na coligação “Muda Taubaté”).

É a força de trabalho da população ordeira que faz com que o bom aconteça e se estabeleça no município. Com certeza, há nome de candidato digno, aprovado, que se identifique e se comprometa com a verdade do taubateano, para que a cidade possa progredir e viver em paz por muito tempo, com independência e altivez.

Carlos Karnas, jornalista e escritor