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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

CADEIA NO BRASIL É PARA POBRE, PRETO
E PUTA, MAS PODE ACRESCENTAR PETISTA

Os hermeneutas tucanos acrescentam um novo “P”, de petista, ao surrado ditado popular que denuncia há pelo menos uma centena de anos o separatismo nacional em classes e subclasses para privilegiar os dominadores.

Ouvi esta frase inúmeras vezes em minha infância.

Sem o auxílio de teses sociológicas, a sabedoria popular descobriu a discriminação antes que esta fosse tema de teses científicas que tentam explicar a classificação das classes.

O Brasil é um país racista. O paulistano é separatista.

Basta passar os olhos pelo Facebook ou acessar as páginas do tweeter para testemunhar o volume de imbecilidades que lê.

Racismo e separatismo puro. Frases escatológicas deturpam a realidade e pregam a superioridade das classes dominantes e das diferenças raciais.

Não é preciso ir longe para descobrir a nossa realidade.

A semana passada conversei com uma moça, que deve ter seus 25 anos e forma-se este ano em Direito.

Fiquei estarrecido com o que ouvi da futura operadora do Direito.

A moça condena Lewandowski porque ele absolveu João Paulo Cunha no processo da ação penal 470 – o chamado mensalão petista.

Ao mesmo tempo, tecia elogios ao ministro Joaquim Barbosa que condenou João Paulo Cunha no mesmo processo.

Quero ressaltar que o presidente Lula e Joaquim Barbosa foram duramente criticados quando aquele nomeou este para o Supremo Tribunal Federal.

Barbosa, segundo os colunistas dos principais jornais brasileiros, foi nomeado por ser negro. Um acinte contra o jurista.

Lewandowski jamais foi criticado ao ser nomeado para o STF.

As críticas vieram agora, após o ministro inocentar o deputado João Paulo Cunha e demonstrar que o dinheiro que ele fora acusado de desviar pagaram veiculações publicitárias da Câmara Federal na Rede Globo, inclusive.

Ao contrário, o ministro Joaquim Barbosa é elogiado por suas posições contra os mensaleiros, que ele tem condenado mesmo sem provas.

Barbosa hoje não é um ministro negro.

Não merece críticas nem a discriminação da mídia, pelo menos até o fim do julgamento.

Está cada vez mais claro que o PSDB, que nasceu de uma costela do MDB, assim como o PT, é o representante das oligarquias nacionais.

Os tucanos derivaram para a direita de forma escabrosa.

De defensores da social democracia, passaram a destilar seu veneno para discriminar pobres, pretos e putas, como aprendi quando era criança.

Basta um rápido passar de olhos nas redes sociais para ver como agem os tucanos.

São pregações racistas, discriminatórias, vilipendiosas à sociedade brasileira.

O que está em jogo no STF não é o mensalão petista. O que está em jogo é a luta política envolvendo as elites, que querem apear do poder as forças progressistas para voltar ao poder pelo tapetão porque pelo voto não conseguem.

Para a mídia e a tucanalha, o mensalão petista é verdadeiro. O mensalão tucano de Eduardo Azeredo é mentira.

Para os tucanos taubateanos, as denúncias mostradas pela IstoÉ sobre a FDE presidida pelo ex-prefeito taubateano Bernardo Ortiz foram pagas.

Trata-se, portanto, de mentira. Queria saber de onde saiu a informação que a revista recebeu R$ 1,5 milhão para publicar a matéria.

Segundo consta, certo tucano taubateano voltou de São Paulo com uma mochila recheada de dinheiro vivo.

Seria propina? Seria comissão? Seria caixa dois para alguma campanha política?
As denúncias feitas por Fernando Gigli sobre corrupção na Prefeitura são tidas pelos tucanos taubateanos como verdadeiras.

As verdades reveladas por Djalma Santos à IstoÉ são mentirosas, pelo simples fato do denunciado ser um tucano.

Assim como os tucanos perguntam perguntaram quem será o Marco Valério do PT de Taubaté, posso repetir a pergunta só trocando PT por PSDB.

Ou o mensalão mineiro não foi tocado pelo indigitado Marcos Valério?

A dicotomia é esta: Denúncias contra o PT são verdadeiras. Contra o PSDB é mentirosa.

Assim, ficamos conversados.

Se depender dos hermeneutas tucanos, cadeia no Brasil é para pobre, preto e puta, mas pode acrescentar o PT.