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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O MENSALÃO DE BRASÍLIA E O DE TAUBATÉ

É da lavra do jornalista Barbosa Filho o artigo abaixo. Trata-se de uma reflexão sobre o tipo de política que se pratica hoje, da sustentação dos partidos políticos, de corrupção política e da sobrevivência dos políticos.

Antonio Barbosa Filho

Bastou ao povo brasileiro ouvir o outro lado da estória do tal "mensalão" para entender a jogada da direita-burra que vem tentando derrubar Lula, o PT e as esquerdas desde a vitória de 2002. Está ficando evidente que nunca houve a compra de votos pelo governo Lula, até porque seria impossível e desnecessário comprar, por exemplo, um Genoíno para votar num projeto do Genoíno.

Em política, quando se joga sujo, compra-se o adversário. Fernando Henrique Cardoso comprou por 200 mil reais, pelo menos dois deputados que não eram do seu partido, para que aprovassem a sua reeleição. Disto sabemos, até pela confissão dos dois ex-parlamentares, um dois quais chama-se Ronivon Santiago, do nobre estado do Acre.

Um processo que dura sete anos, no qual foram ouvidas cerca de 600 testemunhas em vários Estados e até no exterior, termina com um discurso do procurador-geral da República, o dr. Roberto Gurgel, sem uma única prova. Suas alegações finais foram um discurso político, cheio de adjetivos, insinuações e nada de fatos. "É lógico que Zé Dirceu sabia"; "por suposto, o deputado Fulano vendeu-se": e coisas deste tipo. Nenhuma prova: só vale a palavra do Roberto Jefferson, que realmente confessou ter recebido 4 milhões do PT e não diz onde botou este dinheiro!

Fui secretário do MDB e vice-presidente do PMDB em Taubaté, depois do PSB, por muitas eleições num total de 30 anos. Jamais vi dinheiro, até porque o tal Fundo Partidário que deveria vir ao Banco do Brasil é uma ficção: serve para depositarmos as contribuições dos filiados, cujo dinheiro desaparece, não volta jamais aos Diretórios Municipais. A base sustenta a cúpula, nunca o contrário. O dinheiro dos partidos fica na cúpula, em Brasília ou na capital do seu Estado.

É candidato quem tem grana, do próprio bolso, de sua família ou patrocinadores. Pobre não se elege.

Pena que minhas testemunhas estão ausentes: Luarlindo Carelli Barreto, Luiz Winther de Araújo (presidente da Arena durante a ditadura, mas um democrata), Ameleto Marino. Foram meus mestres, lutando em posições diferentes, e brigamos muito. Mas eram pessoas dignas, não eram ladrões, nem queriam dominar nossa Taubaté a não ser por amor. Da Arena, cito ainda meu querido amigo e brilhante jornalista Djalma Castro, que não tenho encontrado recentemente, para minha tristeza.

Ora, o que vemos em Taubaté hoje é um cenário muito pobre da política. Figuras importantes desonram seus cargos, enriquecem ilegalmente, esquecem suas origens - vendem a alma. Pensam que a felicidade está nos seus saldos bancários: grande engano. Hoje têm medo de andar nas ruas, de serem vaiados ou até agredidos. Bobagem. Sofrem mais do que o cidadão mais pobre de Taubaté. Seus filhos e netos sabem ou saberão que foram podres, que se prostituiram sem necessidade.

Tenho muita pena do corrupto. Acho que é difícil roubar, matar (o político ladrão tira dinheiro da Saúde e da Educação, portanto mata) e sei que enquanto está no seu iate ou no seu sítio roubados, não é feliz. Tenho muita pena do político corrupto. Quem não honra o POVO, fonte de todo o Poder, nem merece viver.

Cabe a nós, eleitores, dar-lhes o castigo justo. A Justiça Divina faz o resto.