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sábado, 25 de agosto de 2012

O USO DA RELIGIÃO NOS MEIOS
POLÍTICOS E SUAS IMPLICAÇÕES

O candidato a prefeito de Taubaté, Ortiz Júnior (PSDB), foi filmado ao participar de uma sessão de umbanda no terreiro de Pai Alessandro. Ao lado de sua mãe, Jandira Ortiz, o candidato tucano recebeu passes.

Não sei se lhe foi receitado banho de sal grosso. O que sei é que numa determinada altura do filme, mãe e filho foram aspergidos (não era líquido) com um pó branco assoprado sobre os dois por Pai Alessandro.

Nossa constituição diz, no art. 19, inciso I, que os entes federados não podem embaraçar os cultos religiosos ou a igreja, bem como não podem subvencioná-los ou manter com seus representantes relações de dependência ou aliança.

Empiricamente sabemos que não é isto que se pratica desde a promulgação de nossa primeira constituição, em 1890, quando o Brasil foi definido como um estado laico.

Estado e religião, notadamente o cristianismo, sempre andaram de mãos dadas. Um tira proveito do outro.

A Igreja brasileira sempre esteve comprometida com os poderosos, desde a chegada de Cabral a esta plaga.

Isto pode se facilmente verificado com as centenas de glebas de terra presenteadas à igreja pelos fazendeiros escravagistas do período imperial pelo Brasil afora.

Igreja e política são irmãs siamesas.

A igreja, desavergonhadamente, tentou influenciar as eleições presidências de 2010. Em algumas câmaras municipais é possível enxergar um crucifixo pendurado no plenário, à vista de todos. Não somos um estado laico?

Os candidatos usam e abusam da religião para conquistar a simpatia dos eleitores. Frequentam da igreja católica aos terreiros de umbanda, passando pelos templos evangélicos e centros espíritas.

Na guerra pelo voto vale tudo. Para chegar ao poder vale tomar banho de água benta ou sal grosso. O que importa é ocupar o Palácio do Bom Conselho com votos de cristãos, de umbandistas, de espíritas ou islâmicos.

Com certeza, os candidatos a prefeito de Taubaté – a exceção talvez seja Jenis de Andrade (PSOL) – já deram sua passadinha em algum templo evangélico ou católico.

O mais descarado de todos é o tucano Ortiz Júnior. O candidato  do PSDB foi fotografado com a bíblia na mão em tempo evangélico. Foi fotografado em altar da igreja católica.

Um dos jornais de campanha de Ortiz Júnior mostra foto do candidato ao lado de padres que o estariam apoiando.

A dubiedade de Ortiz Júnior em relação à utilização da religião como meio para atingir seus objetivos beira à desfaçatez.

Seus seguidores estão boquiabertos com o vídeo mostrando Ortiz Júnior e sua mãe em terreiro de umbanda. Não sabem como responder à enxurrada de críticas feitas nos grupos sociais.

Particularmente, entendo que a crença é livre e cada qual frequenta a religião que quiser sem ser criticado por isso.

A minha crítica é pontual. É a utilização descarada que o tucano faz da religião para angariar simpatia e votos.

Os tucanos, que tanto criticavam Pai Alessandro pelos banhos de sal grosso que deu em Roberto Peixoto e o tacharam de corrupto por sua atuação no Conselho Municipal de Saúde não sabem o que dizer.

Ortiz Júnior acredita em Deus ou em entidades umbandistas? Se o tucano acredita nos dois, que o diga aos seus possíveis eleitores, mas não os engane.

Cuidado, rapaz! Deus há castigá-lo e deixá-lo a ver navios dia 7 de outubro.