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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A CIDADE ISOLADA

O professor e sociólogo Celso Brum analisa as eleições municipais em Taubaté e suas consequências futuras.

O PSDB, nas próximas eleições municipais, deverá tomar uma sova de criar bicho, como se dizia antigamente de quem perdia fragorosamente. E é exatamente isto o que vai acontecer com o PSBD e seus associados (DEM e PPS): uma fragorosa derrota, nada menos que isso. O PSDB sairá das próximas eleições talvez com a metade dos prefeitos e vereadores que tem hoje. Mesmo em São Paulo, o mais retumbante reduto do PSDB, a derrota é anunciada e tida como irreversível e o José Serra terá o merecido e melancólico fim de carreira. Aliás, a eleição em São Paulo é bem o que acontece com o PSDB em todo o Brasil.

O Brasil vive um período extraordinário desde que o metalúrgico Lula assumiu o poder. Enquanto o resto do mundo sofre dramaticamente os efeitos da crise iniciada em 2008, nosso país continua preservando as essenciais condições de desenvolvimento, graças a medidas competentes de política econômica. Por isso que os partidos afinados com o governo preparam-se para colher uma vitória esmagadora em todo o país.

Em nossa região não vai ser diferente do resto do Brasil e os partidos aliados do governo federal deverão ganhar na maioria das cidades, ao contrário do que acontecia nas eleições anteriores, quando o PSDB pontificava e dava as cartas. Mas, apesar de tanta fidelidade ao PSDB, para o Vale do Paraíba só vieram migalhas do governo estadual.

Repito: também em nossa região, na maioria das cidades, a vitória será dos candidatos cujos partidos estão alinhados ao governo federal. Na contramão dessa tendência, as recentes pesquisas, em Taubaté, mostram o candidato do PSDB em 1º lugar e, segundo os números, com probabilidade de ganhar no 1° turno. Assim, se tal quadro tornar-se realidade, Taubaté estará longe do governo federal.

Certamente, o candidato do PSDB irá argumentar que nossa cidade estará alinhada ao governo do estado de São Paulo, que é do PSDB. Mas, é de se perguntar: o que fizeram de extraordinário, para Taubaté, os governos do PSDB, quando os Prefeitos de nossa cidade eram do mesmo partido?

Em Jacareí, por exemplo, com o Prefeito tendo acesso ao governo de Brasília, os trilhos da ferrovia que cortavam a cidade, foram retirados com os recursos federais. Ou seja, estar alinhada com o governo federal, tem sido uma grande vantagem para Jacareí, onde o candidato do PT vai obter consagradora vitória, o que também vai acontecer em São José dos Campos.

Os grandes problemas de Taubaté precisam de grandes recursos para serem solucionados e esses grandes recursos estão com o governo federal. Citemos alguns desses grandes problemas: retirada dos trilhos da ferrovia, um moderno hospital municipal, um competente anel viário para desafogar o trânsito caótico, uma revitalização do tradicional mercado municipal (não um mero remendo, mais um “puxadinho”, mas, uma coisa digna e efetiva) a construção de um magnífico Memorial “Monteiro Lobato”, entre outros tantos que o espaço deste artigo não permite citar. Com acesso ao governo federal, um Prefeito competente poderia trazer para Taubaté estes e outros tantos benefícios, o que não conseguirá um Prefeito do PSDB. Ou alguém vai se iludir, imaginando que o governo federal deixará aliados, para atender um prefeito do PSDB?

Examinemos o quadro taubateano: Isaac do Carmo é do PT e é claro que seu acesso ao governo federal é absolutamente fácil e natural; Mário Ortiz é do PSD, que está aliado ao PT na maioria das cidades. Só não está aliado, ao PT, em São Paulo, porque Gilberto Kassab tinha um acerto pessoal com José Serra. Assim, Mario Ortiz teria acesso ao governo federal especialmente se convidasse o PT a fazer parte do seu governo; o Padre Afonso, que é deputado estadual, já teria feito um acerto com os deputados do PT na Assembleia Legislativa e também traria o PT para fazer parte de sua equipe. A vitória de Isaac do Carmo ou de Mario Ortiz ou do Padre Afonso garantiria a Taubaté que nos estariam abertas as portas do governo federal. Com Ortiz Jr., do PSDB, as portas estariam fechadas.

A grandeza do processo democrático permite que façamos escolhas e é isso que faremos em 7 de Outubro. Nós, os eleitores, iremos decidir o futuro da cidade, vale dizer o futuro das pessoas que moram em Taubaté.

Nesta altura dos acontecimentos, o que estarão pensando os empresários? Estarão “em cima do muro” ou dispostos a atuar decisivamente a favor do que é melhor para a cidade? É melhor a cidade ficar com PSDB e isolada ou é melhor ter acesso aos recursos federais? Os empresários farão melhores negócios com a cidade isolada ou com a cidade em ritmo de desenvolvimento, que os recursos federais propiciariam? É melhor ficar “em cima do muro” ou intervir nos acontecimentos?

As mesmas perguntas podem ser estendidas aos clubes de serviço, à maçonaria, aos professores, aos profissionais liberais e aos religiosos (Sr. Bispo Diocesano, clérigos e pastores evangélicos) para os quais – mais importante do que o candidato do PSDB ter eventualmente participado de um ritual da umbanda (e ele tem direito constitucional de professar a religião que quiser) – é dever proporcionar, aos seus fieis, as melhores condições para seu bem – estar (como melhores empregos, melhores salários e melhores condições de vida) tornando possível que possam ser felizes.

Finalizo, perguntando aos empresários, aos líderes e membros dos clubes de serviço, aos maçons, aos profissionais liberais, aos religiosos, enfim, às forças vivas de Taubaté: o melhor é que a cidade fique isolada, longe dos recursos federais? É isso o que devemos querer para Taubaté?

Não deveriam as forças vivas da nossa cidade se empenhar em esclarecer o eleitorado, sobre o risco do isolamento político?

Faltam 30 dias para as eleições e o futuro está nas mãos de todos nós. Que cada um faça a sua parte.

Celso José de Brum

Ex- professor de Sociologia e Estudo dos Problemas Brasileiros, da Unitau.