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terça-feira, 25 de setembro de 2012

CANDIDATOS AVANÇAM PARA
O SEGUNDO TURNO EM TAUBATÉ


Por Antonio Barbosa Filho

Entramos na reta final da eleição municipal, e o clima mudou completamente nas últimas semanas. Hoje há uma verdadeira "onda" pelo segundo turno, colocando em cheque o favoritismo apregoado no começo da campanha pelos Ortizes (são dois candidatos, pai e filho - seu slogan deveria ser "vote em um e aguente dois", se fossem sinceros com o eleitor).

Candidatos a vereador do PSDB e dos partidos coligados reconhecem abertamente que a propaganda em torno de uma vitória no primeiro turno era um blefe, e visava conquistar mais doações em dinheiro (que não falta aos Ortizes) e amedrontar os adversários.

A tática não funcionou por várias razões, das quais menciono três mais evidentes:

1º) O erro de divulgar pesquisas garantindo a vitória de Juninho no primeiro turno um mês antes das urnas serem abertas. Ao colocar-se num patamar muito superior ao verdadeiro, o candidato firmou um teto, do qual não poderia subir. "Bateu no teto" antes da hora, como dizem os marqueteiros. E, numa campanha eleitoral, quem não pode subir, só pode cair. É o que aconteceu com o "favorito" nas últimas semanas;

2º) Apesar da "operação-abafa" sobre o escândalo de corrupção que envolve Bernardo Ortiz e Ortiz Jr., na FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação, o caso acabou divulgado para todo o Brasil pela revista IstoÉ, e caiu na boca do povo. Jornais regionais e semanários locais integrados na campanha tucana (gratuitamente, com certeza...) abafaram o escândalo enquanto foi possível, mas em tempos de internet e com a população muito mais esclarecida, fica difícil censurar um assunto grave como este.

Hoje todos sabem que Ortiz Jr. é acusado de ter recebido dois milhões de reais em propina, de ter transportado este dinheiro sujo em uma mochila entre São Paulo e Taubaté, de manter íntimas relações com o lobista que o acusa, e de estar sendo investigado pelo Ministério Público paulista.

Obviamente não fazemos como os acusadores do tal "mensalão" em julgamento no STF, que já condenaram a todos os réus antes de os ministros votarem no processo. Aqui prevalece o princípio básico da presunção de inocência, até prova em contrário. Mas Jr. nega-se a explicar porque uma empresa do Paraná, fornecedora da FDE presidida por seu pai, resolveu doar material de campanha para um candidato de Taubaté, cidade onde esta empresa não tem negócios. Terá sido apenas pelos belos olhos do jovem herdeiro do trono de Taubaté?;

3º) os demais candidatos conseguiram levar suas propostas ao eleitorado, graças à televisão. No começo, as campanhas de Mário Ortiz, Padre Afonso e Isaac do Carmo estavam sufocadas pela enchente de dinheiro injetado pelos Ortizes. Mas com a TV e com a maior movimentação dos cabos-eleitorais, os eleitores puderam ver que havia opções sérias e competitivas. Esses três candidatos cresceram bastante no último mês de campanha, justamente quando os Ortizes derraparam no cume da montanha e começaram a recuar. 

SEGUNDO TURNO

Importante nesta última fase da campanha - e sem isso o segundo turno ainda pode não acontecer - é que os três candidatos mais habilitados a enfrentarem Jr. na segunda etapa mantenham-se alertas contra intrigas e divisões suicidas. É natural que estejam disputando entre si, mas o adversário a ser batido é o enorme poder econômico dos Ortizes e sua visão atrasada, autoritária e personalista da Administração Pública. A população quer um bom administrador, mas também um líder sensível às necessidades sociais.

Os Ortizes tratam gente como gado, colocam o asfalto e o concreto acima de qualquer aspecto mais humano. É óbvio que uma obra física acaba beneficiando as pessoas, de uma maneira ou outra, mas isso deveria entrar no cálculo preliminar de qualquer decisão administrativa, não como uma consequência, um efeito colateral. Para cuidar de números, temos excelentes contabilistas e matemáticos; para cuidar de gente é preciso algo mais.

É isso que os taubateanos estão percebendo nos demais candidatos: tanto Isaac como Padre Afonso e Mário Ortiz, cada um com sua formação profissional e humana, tratam a Política como uma atividade voltada para a maioria, para a solução de problemas, e para um crescimento que não seja apenas econômico, mas também social. Veja-se o número de serviços ao cidadão que Bernardo Ortiz interrompeu e, agora, seu filho promete restabelecer. Dá prá acreditar?

Terminada a apuração do primeiro turno e confirmado o esperado segundo, será a hora dos três candidatos se sentarem à mesma mesa, cada um com seu programa de Governo, e somarem suas forças por Taubaté.

O candidato que for escolhido pelo povo para enfrentar o cacique mais rico e prepotente da política taubateana, precisa ter a humildade de aceitar incluir em seu futuro governo as melhores propostas e até mesmo sugestões na formação de sua equipe de trabalho. Os que ficarem em terceiro, quarto e quinto lugares no primeiro turno, devem ter a grandeza de se empenharem na disputa do segundo com toda garra e recursos. O interesse de Taubaté deve predomiar sobre questiúnculas e mesmo as feridas da campanha.

A população quer políticos com nobreza e amor pela cidade. É para isso que o eleitorado lhes concederá uma segunda chance.