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sábado, 1 de setembro de 2012

HÁ VINTE ANOS ERA PEDIDO
O IMPEACHMENT DE COLLOR

O jornalista e advogado José Carlos Cataldi vive em Pindamonhangaba há mais de cinco anos. Trocou a balbúrdia do Rio de Janeiro pela tranquilidade do interior. Sua trajetória profissional é pouco conhecida entre nós, valeparaibanos.

Após ler o artigo do jornalista Barbosa Filho, publicado na postagem Tratamentos diferentes para crimes semelhantes e conexos, Cataldi revela sua participação no pedido de impeachmente do ex-presidente Collor de Mello

Não pedi autorização do missivista para publicar o email que recebi nesta sexta-feira (31/08), mas não posso deixar de compartilhar a participação efetiva do jornalista e advogado em um pedaço da história do Brasil.

Abaixo, o email de Cataldi para lembrar que há vinte anos era dada entrada no Congresso Nacional ao pedido de cassação de Collor.

PARECE QUE FOI ONTEM

Neste sábado, 01 de setembro de 2012, faz 20 anos da entrega da petição do Impeachment de Collor de Mello na Câmara. Era o ano de 1992. Eu estava lá. Assinei, como Conselheiro Federal da OAB pelo Rio de Janeiro, juntamente com todos os Conselheiros que apoiaram a petição de Evandro Lins e Silva, assinada por Barbosa Lima Sobrinho, presidente da ABI e Marcelo Lavenère Machado, presidente da OAB Nacional.

Vejo-me naquele tempo, aos 39 anos de idade, o mais jovem conselheiro, quando a OAB Federal adotou o movimento que brotou da Sociedade Civil organizada, muito antes que a moda chegasse à Primavera Árabe.

Depois, a 29 de setembro de 1992, a Câmara Federal acolheria a petição, para abrir processo de impedimento do Presidente da República, Fernando Collor de Mello.

Um dos Conselheiros Federais mais atuantes era eu. Acreditava, romanticamente, que o Brasil estava sendo passado a limpo. Não podia imaginar que o passar do tempo nos traria mensalões, cuecas, meias e uma cachoeira de corrupção, a ponto de tornar um Fiat Elba, comprado com saldo de campanha, desvio insignificante...

Participei de todas as reuniões prévias. Minha assinatura está nas atas de todas elas. Com informações privilegiadas, nutria a imprensa nacional, fazendo pauta através da Rádio CBN que acabara de ajudar a fundar, e que se consolidou por força do rumoroso caso. Ancorava duas edições diárias em rede nacional: o “Noticia na Manhã” e o "Notícia na Tarde”.

Sei de muitas coisas dos bastidores. Cinco anos atrás (15 anos do impeachment), nosso saudoso amigo Zé Antônio fez uma página comigo, traçando um paralelo entre a corja da direita que cercava Collor, e, hoje, oportunisticamente desvirtuou o PT, cuja parte podre povoou o mensalão.