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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

JÚNIOR BATEU NO TETO ANTES DA HORA


Por Antonio Barbosa Filho

Um dos segredos de uma campanha eleitoral, como sabem os especialistas, é o "timing", ou seja, a linha do tempo e a colocação nela de cada posição do candidato, dos eventos, das atividades e da propaganda. De nada adianta estar fortíssimo antes da hora: o Serra teria 40% (segundo o Datafolha, do jornal que o apóia abertamente) em janeiro. Só que a eleição será em 7 de outubro; na hora das urnas ele dificilmente chegará aos 20% e ninguém acredita que irá ao segundo turno na capital.

Meu amigo Mauro Manica diz que o mesmo acontece no futebol: um time pode começar fraquinho, mas ir evoluindo ao longo da competição até chegar à final e ao almejado Campeonato. Outros podem vencer as primeiras partidas de goleada, mas nas fases mais importantes irem perdendo o fôlego. 

Tudo indica que a multimiliomária campanha do candidato a prefeito Bernardo Ortiz Jr. cometeu erros de "timing", e agora está em dificuldades. Os Ortizes (sim, porque são dois candidatos, pai e filho, a tomarem conta da Prefeitura outra vez, a décima em sua aristocrática família - mais adiante justifico este "aristocrática", com fatos, como sempre. Como dizem os "marqueteiros", Juninho "bateu no teto" antes da hora. Ao divulgar pesquisas (permitam-me duvidar delas, por exageradas e contrastantes com tudo que se ouve nas ruas) que o colocavam com absurdos 44% dos votos, mais que a soma dos adversários somados, quase um mês antes da eleição, a campanha deu um tiro-no-pé. Se tivesse aquele fabuloso índice, Juninho não teria mais para onde crescer (afinal, não é candidato único, para sua tristeza). 

E candidato que não cresce nas últimas quatro semanas, só pode cair. É o que está acontecendo, até porque seus três principais adversários, Padre Afonso, Mário Ortiz e Isaac do Carmo (a ordem aqui é aleatória, eles estão embaralhados nas preferências dos eleitores) continuam crescendo, lenta, mas firmemente. Crescem justamente porque nenhum deles está no seu auge, no momento máximo do seu "timing". É uma linha ascendente, que vai prosseguindo para o alto na escala dos números; o ponto culminante será aquele revelado nas urnas, nem um dia antes. 

QUEM NÃO CRESCE, DESCE

Se o Juninho não pode subir, ainda mais pedindo votos para seu pai, como vem fazendo nos programas de TV, numa demonstração de que é apenas um boneco nas mãos do veteraníssimo "carrapato do poder" (a expressão era usada pelo Ortiz pai contra todos os políticos que vivem há muito tempo em cargos públicos, o que ele faz há pelo menos 30 anos, sem contarmos os de assessor na Prefeitura de Caçapava), logicamente só pode cair. Muitos que declaravam voto em seu nome há algumas semanas estão mudando de opinião, seja por acharem exagerada a artificialidade de sua campanha, onde ele parece um bonequinho de plástico, sem uma ruga ou um fio de cabelo fora do lugar (aprendeu com Chalita?), seja porque simplesmente tiveram contato com um ou mais dos demais candidatos.

É preciso reconhecer que os três candidatos que disputam a ida ao segundo turno têm grandes potencialidades e capacidade de ganhar o apoio da população. Antonio Mário foi um bom prefeito, saiu do cargo aprovado pela maioria dos cidadãos, tanto que agora é o vereador mais votado da cidade. Padre Afonso apresenta grande experiência política, e tem carisma no trato com o povo, especialmente com os mais pobres. E Isaac é formado na grande escola do sindicalismo, advogado (ao contrário de seu maior cabo-eleitoral, o ex-presidente Lula) e dialoga bem com todas as classes sociais. Qualquer dos três, portanto, tem méritos para enfrentar Juninho, no mínimo, de igual para igual.

E há mais um fator importante para o segundo turno que se esboça: os dois candidatos que não passarem pela primeira etapa certamente apoiarão o adversário de Juninho, numa poderosa frente renovadora de Taubaté que nem todo o dinheiro da FDE conseguirá derrotar (na hipótese de a FDE ter alguma injunção no pleito municipal...o que é inimaginável...). Será uma disputa entre uma "Taubaté do Século 21" x "Tudo de Novo Como Antigamente". Isaac jamais apoiaria o PSDB, partido que deseja a morte política de Lula, se não a física. Antonio Mário já conhece a capacidade de ódio e revanche de seus primos, que o massacraram o quanto puderam quando ele foi prefeito. E Padre Afonso, por mais cristão que seja, e é, jamais esquecerá as ofensas morais e de baixo nível que sofreu de Juninho, ofensas gravadas e reproduzidas no excelente Blog do Irani Lima, sem qualquer desmentido ou pedido de desculpas. 

FAMÍLIA REAL

Quando afirmo acima que os Ortz são "aristocratas", não estou adjetivando de maneira leviana. Eles são mesmo!

Tenho em mãos cópia do convite de casamento de José Bernardo e Jandira Emília, celebrado com toda pompa que merecem  "à Igreja do Mosteiro de São Bento, frente à qual o Capitão-mór Amador Bueno - antepassado dos Ortiz - foi aclamado, em 1641, rei de São Paulo". 

A cerimônia foi celebrada pelo então reitor da Universidade Católica, Monsenhor Ramon Ortiz (o convite não indica se há parentesco), às 10 horas do dia 4 de janeiro de 1964. Logo depois uma ditadura implantou-se no Brasil e, décadas depois, em Taubaté...