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sábado, 1 de setembro de 2012

PESQUISA: ENGOLIR, DUVIDAR
OU SE DIVERTIR?

O jornalista e escritor Carlos Karnas, uma das mais brilhantes penas deste país, escreve artigo exclusivo para este blog, que orgulhosamente reproduzimos abaixo.

Todas as vezes que são divulgados resultados de pesquisas eleitorais em Taubaté, ocorrem dias de assanhamento e nervosismo para os candidatos que concorrem à prefeito. Eles próprios, seus marqueteiros e seus comitês de campanha aferram olhares esbugalhados nos números. Cresce a ansiedade para se tirar conclusões. Dependendo, elas tendem para o ufanismo ou para a desconfiança, a incredulidade. O que acontece em Taubaté é particular. Dificilmente a lógica e o bom-senso conseguem explicar. Pelo menos até a hora da apuração dos votos.

A pesquisa do Ibope, em período eleitoral, consolidou-se pelo poder da mídia TV que a domina e exerce fascínio. Mesmo com suas metodologias, acertos e erros, ao ser divulgada induz tendências. Ao induzir tendências é perigosa, tanto para os candidatos que estão no topo ou para aqueles que estão na base. Pior para os que estão no meio, que ficam à mercê de oscilações pela margem de erro e pela interpretação leiga ou profissional. A gangorra convém à especulação e às conveniências políticas que interferem sintomaticamente no eleitorado.

Para estas eleições municipais o Ibope já realizou duas pesquisas em Taubaté. Os resultados divulgados são para deixar qualquer observador atônito, porque os analistas sérios não entram nessa. Os números dedicados às colocações dos candidatos são malucos, quando comparados e quanto à evolução da preferência do eleitorado. Não há lógica, nem saudável entendimento pela gritante oscilação dos números apresentados para determinados candidatos. Cai no que se houve nas ruas: "não bate". Ou essa característica é típica taubateana ou se pode pensar em manipulação dos números. Nessa última hipótese a conclusão é diretiva: a pesquisa do Ibope é manipulada? É falsa e tendenciosa? O Ibope negocia sua pesquisa? Se negocia, qual o negócio e quais os negociadores em Taubaté? Para quê?

O Ibope e todas as demais empresas ou institutos que realizam pesquisas eleitorais também erram. Já erraram muito em Taubaté. Já apontaram candidato como sendo o preferencial na opinião dos eleitores e o mesmo candidato amargou terceiro lugar ao final da contagem dos votos. Por todos os lados há referências dos desacertos nos resultados das pesquisas. Tenta-se explicar o que não pode ser explicado tão imediatamente. Os estrategistas de campanha dos candidatos ao governo municipal se assombram. Há os que uivam e os que chegam a arrancar cabelos da cabeça.

Nervosismo e entusiasmo à parte, pesquisa eleitoral tem determinados componentes ou condicionantes: podem ser estáveis ou instáveis, verdadeiros ou falsos. A pesquisa eleitoral sempre é efêmera, instantânea, de tiro curto. Vale para o exato momento em que é feita. Trata-se do flagrante, o retrato da tendência de quem é entrevistado no momento exato em que ela é feita. Passou-se o momento e a pesquisa pode ser desqualificada, servir como lembrança para oba-oba ou chacota. Dependendo do universo ou número total de pessoas entrevistadas, a margem de erro varia. Ou é alta ou baixa. Uma margem de erro de 4 pontos para mais ou 4 pontos para menos resulta em diferença de até 8 pontos percentuais. Dependendo da quantidade de eleitores de uma cidade, no caso de Taubaté, a diferença é expressiva. Esse dado faz diferença.

Mas, outros fatores do momento da pesquisa devem ser levados em conta, se ela for séria e honesta. Particularmente, são as pontualidades específicas de cada candidato e da sua campanha política até o momento. Também determinadas tendências urbanas, a propaganda ostensiva e apelos de mídia que influenciam o cidadão eleitor, que o faz ser impulsivo ou falso no momento de ser pesquisado. Há os que mentem, descaradamente. Mas, aferições e metodologias tentam identificar os desvios das amostragens. Nem sempre o resultado dá certo.

Fora isso e acima disso está Taubaté, especialmente particular, com tendências flutuantes muito próprias. Há maneirismos e dissimulações sociológicas que mascaram o grosso da preferência da população. A flutuação da tendência do eleitorado taubateano é pautada momento a momento, instante a instante, dia a dia. Um comentário aqui ou ali, nas conversas despojadas de velhos amigos em cafés, bares e praças, muda tudo. Tudo muda e rapidamente. É um processo veloz e pouco entendido de como conversas e boatos se espalham pela cidade. Impressionam como o próprio fuxico que se estabelece. E a partir do momento que o fuxico toma seu rumo, ele segue com vida própria, reforçando a verdade da inverdade ou vice-versa. Os velhos caciques políticos de Taubaté conhecem bem tal maneirismo e dele se valem com graça e maestria, mas que resulta em perversidade e mal social.

Hoje, a pesquisa eleitoral do Ibope causa frisson na cidade. O retrato da pesquisa pode ser avaliado pelas beiras da informação fria que traz. O que está escondido, que fique escondido. O destaque revelado e divulgado é ela dar vantagem momentânea ao candidato que se movimenta escudado pelo poder do dinheiro e pela prepotência partidária que o sustenta. Ele não tem experiência administrativa, não tem solidez nem independência na sua trajetória política. Ele sempre precisa ser tutelado e conduzido por alguém mais forte por trás. Presentemente, está envolvido em consistentes denúncias de escândalos pela mídia. É propineiro, na voz corrente. Ele não dá explicações convincentes às denúncias que o envolvem e se escamoteia dos apertos que o sufocam. Chamam-no "Collorzinho de Taubaté". Portanto, a voz do povo fundamenta suspeitas. A manipulação eleitoral praticada pelo seu grupo é nítida, imposta e o resultado aparece no número da amostragem do Ibope: pulou de 31 para 44 pontos; diferença a seu favor de 13 pontos. Sua rejeição caiu de 11 para 10 pontos. Fantástico.

O que anteriormente estava na segunda colocação, sustentado por eleitorado cativo, de repente ficou sem chão: caiu de 26 para 11 pontos, diferença de 15 pontos que o arruínam, praticamente. Agora ocupa a terceira posição na preferência do eleitorado. Sua rejeição subiu de 27 para 29 pontos. Fantástico.

Mas, eis a surpresa. Há um terceiro candidato, sempre colocado na comportada posição intermediária, que agora ganha incrível e merecido destaque. Assim, praticamente do nada (na revelação dos números frios), esse candidato, mesmo perdendo 1 ponto, conquista o segundo lugar. Pela pesquisa do Ibope ele passou de 15 pontos para 14 pontos. Caiu um ponto e está em segundo, sem qualquer dança expressiva dos números. Também caiu a sua rejeição, de 18 para 16 pontos. Fantástico.

Os demais candidatos, igualmente, tiveram variação nula pela pesquisa do Ibope: um avançou 2 pontos, pulando de 8 para 10, com rejeição subindo de 16 para 22 pontos. Outro, permaneceu na linha zero ponto, sem a mínima variação, com rejeição pulado de 17 para 32 pontos.

Outro dado interessante nessa pesquisa é a dos eleitores que pretendem anular o voto ou votar em branco, mais os indecisos. Caiu de 8 para 6 pontos o eleitorado que pretende votar em branco ou anular o voto. Mas, por essas tendências estranhas, subiu de 12 para 14 pontos o número de eleitores indecisos. Ou seja: a campanha eleitoral avança e mais indeciso o eleitorado está. Eis o alimento em banho-maria para os candidatos.

O que o Ibope divulga através da TV Vanguarda dá o que pensar, ou divertir. Os números do Ibope ficaram desbaratados entre duas pesquisas, não coincidem com os de outros indicadores. Há vozes insistentes que o mesmo Ibope conserva escamoteada a pesquisa real que não pode ser mostrada e não será, mas, que serve de parâmetro para a alquimia numérica que é divulgada. O resultado que pode estar na gaveta é esse: 34 pontos para o primeiro; 23 pontos para o segundo; 21 para o terceiro. Outra pesquisa independente e confiável, não registrada no TRE, mas que orienta empresários e personalidades expressivas de Taubaté, dá o seguinte resultado: 33 pontos para o primeiro colocado; 22 para o segundo; 18 para o terceiro; 12 para o quarto; 0 para o último. Em comum, fora os números que cabem a cada candidato, é a ordem de escolha do eleitorado. O que o Ibope conseguiu, nessa segunda pesquisa, foi rearranjar a ordem de preferência do eleitorado. Alinhou a ordem de preferência do eleitorado. Quanto à verdade, tudo fica em suspenso. Que cada qual tire sua própria conclusão.

Portanto, assanhamentos e nervosismos são naturais neste momento em Taubaté. Os candidatos têm campo de ação. Mas, o eleitorado sempre surpreende lá adiante e ao final da contagem dos votos. O visível é que Taubaté não pode errar na escolha do melhor candidato para prefeito. E há. Ninguém poderá praticar experiências com nomes que até agora não estiveram no crivo da experiência e da competência, ou que estejam sob denúncias de propina, ou com mandato de gastos perdulários na Assembleia Legislativa.

O Tribunal Superior Eleitoral, oficialmente, dá recomendações específicas ao eleitorado na escolha do seu candidato: "Siga sua consciência. Não vote contrariando sua opinião nem influenciado por pesquisas. Conheça o passado do candidato. Conheça o programa do candidato e suas ideias. Preste atenção nas atitudes do candidato. Elas mostrarão o caráter dele."

Como orienta o TSE, pé atrás com pesquisa. A do Ibope, não se sabe se a que vale é a divulgada ou a que está na gaveta. Esse é o comentário persistente que está nas ruas. Falatórios acontecem e estão livres para acontecer. Deveremos aguardar o próximo instantâneo, a próxima pesquisa cujo resultado poderá não sobreviver 24 horas em Taubaté e poderá salientar novo rearranjamento numérico. A cidade é diferente. O taubateano sabe disso melhor do que ninguém.